O balanço de 2017 é positivo. Foi um ano de muito trabalho para o prefeito de Três Pontas Dr. Luiz Roberto Laurindo (PSD), mas que ele acredita tem feito muito, diante de todas as limitações, orçamento deixado pela gestão anterior e as dificuldades de falta de recursos vindos de outras esferas como federal e estadual.

A maior dificuldade deste primeiro ano de gestão, foi a folha de pagamento por causa da implantação do Plano de Cargos e Salário, após o mandatário anterior, Paulo Luis Rabello (PPS) ter colocado em prática, na visão dele, contrariando o que determina a lei.

Luiz Roberto afirma que tem uma equipe boa e as secretarias trabalharam muito, para conquistar recursos externos e colocar em prática projetos audaciosos. O ano também foi de polêmicas, como as multas aplicadas pelos agentes de trânsito, que gerou por protestos nas redes sociais parte dos trespontanos e a indignação dos vereadores na Câmara Municipal. O prefeito diz que não se arrepende, pois, a medida adotada é responsável pela queda em 50% no número de acidentes registrados, comparando 2016 como 2017.

Na sua última entrevista concedida no ano em seu gabinete, durante 50 minutos, o Chefe do Executivo, falou ao lado do Procurador Geral Dr. Yves Duarte Tavares e seu vice prefeito Marcelo Chaves Garcia, que assumiu a Prefeitura interinamente em 25 de dezembro, de todos os setores, especialmente da Saúde, seu carro chefe da campanha. Na visão do médico cardiologista, faltou muito a ser feito, desde o momento em que o Governo do Estado deixou de repassar quase R$2,5 milhões para a saúde de Três Pontas.

Confira abaixo a entrevista concedida ao repórter Denis Pereira “A Voz da Notícia” elaborada pelo Correio Trespontano.

Dr. Luiz Roberto, o senhor falou recentemente que conseguiu “vencer 2017”. Foi um ano tão difícil assim?

Foi um ano muito difícil. Nós tivemos que fazer contingenciamento e trabalhar junto com os secretários na redução de gastos. Isto, porque pegamos uma Prefeitura com  70 funcionários a mais e um Plano de Carreira, tudo feito após as Eleições, na ilegalidade. Como que você perde a eleição e aumenta o Orçamento que havia sido mandado para a Câmara em agosto. Isto nunca poderia ter acontecido. Realmente foi um ano difícil para nós.

O senhor pegou a administração com uma situação financeira controlada e dinheiro em caixa. Quais os problemas financeiros o prefeito gostaria de relacionar que dificultaram a administração municipal neste ano que se finda?

Este dinheiro na verdade não é real, é virtual. Porque se você deixa dinheiro em caixa, mas tem um monte de contas a pagar, que foi deixada, ele é virtual, ele não entra no Orçamento como real. Tínhamos R$600 mil para pagar o Hospital de contas que foram deixadas; prestações dos ônibus que foram comprados, que ele [Paulo Luis] comprou e que nós estamos pagando. Nós ganhamos 8 só este ano. Tem prestações de caminhões e máquinas para a Secretaria de Obras. Aonde que isto é real? É uma verba virtual.

Mas o que mais o dificultou?

Foi a folha de pagamento. Se nós não tivéssemos feito este contingenciamento, não tínhamos hoje dinheiro suficiente para a folha de pagamento, não ia estar no Orçamento. Foi feito um Plano de Carreira e o impacto dele foi muito grande. Tanto que tivemos que congelar naquele momento o Plano. Os valores que estavam sendo pagos nós continuamos pagando, mas daqui para frente não.

A questão do aumento salarial concedido pelo ex-prefeito: R$200 mil a mais por mês. Não seria o caso de revogar o Decreto?

Nós realmente pensamos nisso. Mas decidimos tentar pelo contingenciamento e economizarmos dentro das secretarias. É claro que se até o final do ano, não tivéssemos condições de dar continuidade a este Orçamento, a gente revogaria o Decreto. Mas a ideia foi manter o funcionário com direito ao Plano de Carreira.

Ao fechar um ano de administração, o senhor se sente satisfeito na condição de prefeito? Em algum momento se arrependeu ou se decepcionou com a política?

A gente não decepciona. Acho que estamos fazendo um trabalho bom para a sociedade, com todas as limitações deste ano, desde Brasília até ao Governo do Estado. Todos sabem que o ano foi difícil em Brasília e isto dificulta o Município porque cai o Fundo de Participação, cai o ICMS pago pelo Governo do Estado. Tudo isto realmente dificulta, porque nós precisamos de verba e arrecadação para manter os gastos com saúde, educação, obras. Fizemos um trabalho muito bom. Temos uma equipe muito boa. Na Secretaria de Obras, a gente não vê a muitos anos o trabalho que foi feito neste ano nas estradas rurais. E a quantidade de óleo diesel que gastamos nos três primeiros meses para colocar as estradas em dia foi incrível. Se você conversar com qualquer fazendeiro sério, não aqueles que só querem reclamar, ele vai te dizer que houve uma melhora muito grande. A própria Ucha falou em uma reportagem veiculada nas redes sociais sobre esta melhora.

O senhor está satisfeito com o secretariado e os serviços prestados à população? Pensa em fazer uma reforma administrativa?

O pessoal trabalha muito, é uma equipe séria, que respeita o trespontano. É uma equipe que vai atrás onde é preciso para trazer projetos para a cidade. Você vê a Secretaria de Agricultura trabalhando para implantar o Mercado do Produtor. A Secretaria de Indústria e Comércio junto com a Câmara de Vereadores, tentando montar um Distrito Industrial. A Secretaria de Saúde ganhou um prêmio e vai fazer um projeto junto com a Funasa em que será importante e fomos um dos poucos municípios escolhidos. Colocamos o Centro Pediátrico para funcionar. A Secretaria de Educação através da Escola Caic, ganhou um prêmio do Itaú pelo incentivo a leitura. A Secretaria de Cultura fez um excelente trabalho durante o ano inteiro, com as festividades, como o Carnaval, as Vesperatas, entre outras. As nossas secretarias trabalharam muito.

Algumas pessoas comentam que o senhor colocou muita gente na Prefeitura. O que tem a dizer a respeito?

O nível de salário está o mesmo. Tivemos até que fazer algumas exonerações de cargos de confiança, por causa do índice salarial, mas está o mesmo número do mandato anterior. O nosso problema foi o Plano de Carreira.

Dr. Luiz Roberto concede entrevista, acompanhado do vice prefeito Marcelo Chaves e o Procurador Yves Duarte Tavares

Há alguns dias o advogado Dr. Wilson Salles foi na Câmara e fez diversas críticas à administração e também ao Secretário de Obras Gileno Marinho. O que o senhor tem a dizer sobre estas críticas? E quanto às críticas que tem recebido de muitos vereadores nas reuniões da Câmara?

Sobre o Wilson Sales foi o seguinte: ele veio aqui e nós conversamos. Eu falei que resolveria o problema dele. Depois ele veio para protocolar um pedido de embarque e desembarque. A Prefeitura libera, mas, só que não existe lei para isto. Eu liguei para a Secretaria de Obras e resolvi o problema. Tanto que quando ele foi na Secretaria de Obras, a placa já estava em frente a pousada dele. A gente já havia resolvido o problema. Ele foi lá com um dos filhos, no momento em que o Secretário de Obras, mais o engenheiro de mobilidade [Danilo Alves] estava em reunião com os Guardas Municipais. Ele foi lá para discutir ou brigar com o secretário, e, o secretário chamou a Polícia Militar. Foi só isso. No momento que você é agredido é obvio de se chamar a polícia. Ele entrou no Ministério Público que já arquivou o processo no mesmo dia. Quanto as criticas na Câmara, o vereador de oposição tem todo o direito de fazer e quem não é oposição também tem. Só que nós é que sabemos qual é o nosso Orçamento. Nós é que sabemos qual é o nosso projeto. Por exemplo, as multas aplicadas pela Guarda de Trânsito, nós reduzimos acidente de 260 de 2016, para 130 acidentes em 2017. Uma redução de 50%, após a Guarda de Trânsito fazer o trabalho dela. Isto não sou eu quem está dizendo. São palavras ditas pelo Tenente Bruno comandante da Polícia Militar, que tem dados estatísticos. Conseguimos reduzir acidentes graves, pessoas com traumatismo craniano e abdominal, pessoas que poderiam estar perdendo uma perna. Estamos preservando vidas. Isto é que é importante. Mesmo fazendo as blitz’s educativas educando ou até mesmo as autuações de fiscalização, crianças que estavam sem cinto de segurança no carro no banco de trás, pessoas que andavam com cachorro no banco de trás, motoristas falando no celular, foram os casos que tiveram autuações. As orientações foram importantes. O Tenente Bruno ainda fez a colocação que isto é muito importante para a Polícia Militar, porque na pontuação do Estado, Três Pontas ficou bem na redução de acidentes. E quem fez foi a Guarda de Trânsito. Críticas muitas das vezes feitas pelo vereador que não é especialista e não consegue enxergar. Eles não sentam para saber o que será feito com aquele projeto, qual a intenção, o objetivo, mas eles não fazem isto. As pessoas reclamam com eles e eles acham que precisamos parar o projeto. Eu pergunto, o vereador que faz esta colocação, está trazendo benefício para a comunidade? Eu te pergunto. Não está porque não tem esta visão. Por exemplo, o vereador reclamou da Praça do Padre Victor, porque não fez quando ele pediu. Mas ele não viu que aonde iriam ser colocados os brinquedos das crianças, havia um muro feito totalmente de latão. Este latão poderia cortar as crianças, mas ele não viu. Nós vimos, tiramos o muro de latão, construímos de bloco e colocamos os brinquedos. O vereador não enxergou o acidente que poderia ocorrer.

Já que o prefeito citou, os guardas municipais aplicando multas no trânsito também geraram grande desgaste político neste primeiro ano de governo. Como  o prefeito analisa esta questão?

Eu não posso me arrepender quando eu tenho a redução de 50% do número de acidentes. Em 2018 nós vamos fazer diferente. Serão mais blitz’s educativas a não ser que existam coisas mais graves. Nestes casos os motoristas serão autuados. A Guarda de Trânsito vai fazer um trabalho mais educativo e menos autuações. As pessoas não perceberam, mas a Polícia Militar aumentou o seu número de autuações na cidade.

Houve muita expectativa com relação a sua eleição, especialmente na saúde pública. O que faltou e o que pretende melhorar neste setor em benefício da população? 

Faltou muito desde o momento em que o Governo do Estado deixou de repassar quase R$2,5 milhões para a saúde de Três Pontas. Nós, através da judicialização de medicamentos de alto custo, ou mesmo cirurgias e exames de alto custo, gerou um gasto muito grande neste setor, o que era obrigação do Estado. Nós deixamos de investir alguma coisa na saúde porque assumimos responsabilidades do Governo do Estado.

Durante este primeiro ano de seu mandato, o Hospital esteve por fechar as portas. Como o senhor trabalhou para que este fato não acontecesse?

Primeiro repassamos ao Hospital este ano o valor de R$1,6 milhão de subvenção. Depois conseguimos com o deputado federal Diego Andrade repassasse R$1.250.000,00. Hoje já temos mais R$387 mil empenhados que estão para chegar também para a nossa Santa Casa. Tiveram outros R$200 mil que o deputado federal Dimas Fabiano repassou. Então somando isto tudo, dá quase R$3,5 milhões, fruto do trabalho nosso feito à Santa Casa. Quando nós pegamos o governo, encontramos uma dívida antiga, de outras administrações da Santa Casa. Não houve uma ajuda financeira e nem buscaram dinheiro de Brasília e nem do Governo do Estado para o Hospital. Mas nós fizemos. O dinheiro que trabalhamos para conseguirmos é um dinheiro fruto de conversas com deputados. O Governo do Estado devia três parcelas do Rede Resposta. Fomos em Belo Horizonte, com o Diego Andrade e com o Provedor Michel Renan falar com o secretário de Estado de Saúde Sávio Souza Cruz, para poder liberar o recurso que estavam devendo. E como nós trabalhamos muito para ele e ele foi majoritário do PMDB nas eleições, o Sávio falou que não podia negar isto a nós e acabou liderando as três parcelas, que não estavam sendo liberadas para nenhum município, que é para Urgência e Emergência.

Além da comunidade, quem realmente trabalhou para que o Hospital não fechasse as portas?

A comunidade ajudou e ainda ajuda. O Diego Andrade trabalhou e continua trabalhando demais. O Dimas Fabiano também mandou verba e sei que a população de Santana da Vargem e Coqueiral também ajudaram.

Mudando de assunto, da Saúde para Obras. Qual o balanço o senhor faz deste setor?

Obras a gente depende muito de projetos e como sabemos, este ano não sobrou dinheiro para obras. Tivemos que fazer o contingenciamento e houve uma redução em todas as secretarias. O que conseguimos foi terminar o CRAS no bairro Padre Victor e saímos do aluguel. As obras das duas creches que estavam paradas, (nos bairros Eldorado e Padre Vitor) estão sendo levantadas, porque estavam no chão. No ano que vem a gente deve conseguir concluí-las. Terminamos a Farmácia Básica no bairro Alcides Mesquita, o SAAE colocou a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no Distrito do Quilombo Nossa Senhora do Rosário para funcionar e está construindo o setor de atendimento à população. O Centro Pediátrico que estava parado, também passou a atender as crianças e reduzimos o número de atendimentos no PAM, que passou por pintura e também reformamos o Centro Odontológico. Fizemos sim muita coisa, com o orçamento que tínhamos em mãos.

No início do mandato, o prefeito falou que tem o projeto para resolver o problema de alagamento na Avenida Oswaldo Cruz e a obra demanda muito recurso. O senhor tem trabalhado para conseguir este dinheiro?

O projeto nós já mandamos. É uma obra realmente cara e o governo federal não está liberando nada de obra. Já foi a época em que o senador [Clésio Andrade] conseguiu em Brasília R$15 milhões para o tratamento de esgoto e o ex-prefeito não quis. Hoje conseguir um valor deste na atual situação é muito difícil. Nós estamos insistindo para tentar fazer esta obra e evitar as enchentes, ainda mais porque a cidade está crescendo e isto se torna primordial.

O prefeito falou também na Câmara, a obra de asfaltamento do “Foguetinho” até a MG-167. Qual a sua importância e expectativa de realização?

Aquele asfaltamento é importante para o Município e o crescimento da cidade no Parque Industrial. O Parque Industrial que fica nos terrenos da Codemig, no final da Avenida Barão da Boa Esperança vai ser beneficiado, porque vão poder passar nos fundos do bairro São Judas Tadeu e sair no Foguetinho. Precisamos tirar este movimento de caminhões do Centro, que hoje está recebendo até bi-trem. Os imóveis também não aguentam este movimento pesado. Temos um projeto de asfaltamento já nas mãos do deputado federal Diego Andrade, mas independente disso já vamos começar a mexer.

Na geração de empregos, que é outro setor tão importante para nossa comunidade, o que o prefeito pretende fazer? Sabemos que não houve licitantes no leilão daquela área do antigo Matadouro.

Na geração de empregos fizemos um levantamento e identificamos que houve um crescimento de cerca de 200 empregos gerados, fora daqueles tradicionais de todos os anos. Em relação ao leilão, tinha uma pessoa que iria participar dele e que acabou passando mal. Ela não queria deixar apenas dos 5% depositados em conta, como é obrigatório, queria o valor todo do lançamento inicial. Nisso esta pessoa começou a pegar onde tinha dinheiro e naquela ansiedade, a pressão dela subiu e ela foi parar no médico, perdendo o horário do processo licitatório. Ela chegou a vir aqui na Prefeitura depois, mas já não dava mais tempo. Nós vamos fazer a licitação novamente e esta pessoa provavelmente deve voltar a participar.

O Sete Cachoeiras e o fornecimento de água preocupa o trespontano. O prefeito está pensando em alguma obra para o futuro neste sentido?

O vice prefeito Marcelo Chaves e eu fomos no Rio de Janeiro ver uma estação ecológica de tratamento de esgoto. Nós e o diretor do SAAE Afonso Carvalho achamos o projeto magnífico e sensacional. Só que houve uma seca este ano e mudamos totalmente o pensamento, porque vimos que se não fizermos uma nova adutora no Sete Cachoeiras, vamos ter um problema de água a curto prazo, num prazo de cerca de cinco anos. A ideia é até reduzir as outorgas que os produtores tem e aumentar a entrada de água nos reservatórios do SAAE. Existe também o Dique. O presidente de Furnas liberou os técnicos para vir a Três Pontas, eles fizeram todo o levantamento. A primeira vista, pela sondagem que foi feita eles acharam que tem condições de se fazer o Dique.

Varginha tem uma lei que obriga os proprietários de imóveis a fazer a limpeza de terrenos e a construção de passeios. Por que não criar essa lei aqui em Três Pontas e tirar a responsabilidade da Prefeitura?

Já existe o Código de Posturas. O que acontece aqui é que tivemos uma reunião com a Polícia Militar do Meio Ambiente, que acharam que a gente deveria fazer um projeto de lei para a Câmara responsabilizando os donos de terrenos em casos de incêndio e já existe uma lei federal sobre isto. Ou seja, se o terreno urbano pegar fogo, ou atingir uma casa, o proprietário seria o responsável, mas os vereadores rejeitaram a proposta e a lei não passou. Existe um número muito grande de pessoas que tem vários terrenos e que ainda não pagam impostos. A Prefeitura limpa os lotes, manda a conta e o dono não paga imposto de jeito nenhum. Existem mais de mil terrenos e nem a prefeitura dá conta de limpar tudo. A gente comunica os donos e eles não estão nem ai. Por isto que é importante o que estamos fazendo, de levar os impostos para o Cartório de Protestos, porque na hora que mexe no bolso do cidadão, ele se preocupa e busca resolver o problema. Os impostos de vários atrás somam R$15 milhões e muitos deles tem condição de pagar. Muitos tem prédios, casas alugadas na cidade e não pagam nenhum imposto. É claro que as pessoas que não tem condições que são mais humildes, a gente ia fazer um trabalho diferenciado.

O deputado Diego Andrade é um grande colaborador do prefeito. Algumas pessoas o criticam por ter votado pela cassação da presidenta Dilma e favor do presidente Temer. Também votou a favor da reforma trabalhista. O senhor acha que isto vai influenciar no apoio ao deputado?

O deputado Diego Andrade deixou claro em entrevista que não votou nem na Dilma e nem no Temer. Mas nós não podemos ficar mudando de governo todos os dias. Temos um município para tocar e uma responsabilidade de verba federal para recebermos. Se você muda de governo, as vezes se perde a esperança de vir a verba do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que este ano já caiu. Se você muda o governo pode cair mais ainda. Talvez o pensamento dele tenha sido este. Deixa este governo e abre o processo no próximo contra o Temer. Era um ano, um ano e meio de diferença e a gente resolve o problema depois, porque os Municípios não estão aguentando mais. Ele [deputado] sabe da necessidade do gestor municipal em resolver o problema das cidades. Você acha que ele teria condições de resolver o problema da Santa Casa se tivesse votado contra. E não é só em Três Pontas. São vários outros municípios, várias outras Santas Casas, Apaes e entidades que precisam. Isto é uma realidade e não é conchavo, barganha, conluio, não é nada disso. Ninguém está negociando na obscuridade, ou para tirar vantagem para si próprio. É uma necessidade que os municípios estão passando e que as Santas Casas estão enfrentando. Você tem que ter um olhar universal. Tem que enxergar muito além do que a ponta do seu nariz. Se não fosse esta situação dele encaminhar esta verba para a Santa Casa e a nossa subvenção eu não sei se o nosso Hospital estaria aberto, porque foram mais de R$3 milhões.

O senhor se sentiu ofendido quando o provedor Michel Renan disse em entrevista que se ele entrasse na política não faria conchavos?

Senti sim. Ele não se colocou como candidato a vereador. Ele se colocou candidato a prefeito. Se ele tivesse colocado candidato a vereador eu não falaria nada, mas como ele se colocou candidato a prefeito, senti que ele deixou no ar, de que nós fazemos conchavos e barganhamos e nós não fazemos isto. A gente quando conversa com os deputados, a intenção é mostrar a ele, a gratidão que ele tem que ter com o Município, no momento em que recebeu os votos. Reconhecimento ao povo e ao trabalho que o Executivo esteja fazendo. Aonde isto é conchavo? A definição de conchavo e conluio, são sinônimos e significam benefício próprio, basta olhar no Dicionário Aurélio. Eu não fiz conchavo para tirar benefício próprio. Eu tenho uma família, tenho filhos e as pessoas não podem jogar idéias na mídia. A gente que é pessoa pública, tem que ter uma responsabilidade enorme do que a gente fala. Eu aprendi durante os seis anos que fiz aulas de judô com um professor, que primeiro vem a disciplina, depois a fama. Não use a fama primeiro, porque você pode agredir outras pessoas provocando uma situação não ética. Discipline-se para depois ver a fama. Mas tem uma coisa. Eu bato da mesma forma que me batem. Eu estou quieto. Esta é a terceira vez que ele [Michel Renan] faz isto. Aconteceu um dia dentro da minha sala, depois perto do Dr. Artur         [promotor de justiça], durante uma reunião e falou isto agora na imprensa. Enquanto ele não estava falando nos meios de comunicação tudo bem. Agora, eu o considero. A gente trabalha junto sim e é preciso ter calma e disciplinar-se politicamente. Por isto que nós entramos na política. Para acabar com o ranço de antigamente, quando tudo que se falava era boatos. Estamos aqui para que os que virão futuramente façam uma política como nós estamos fazendo, sem agredir ninguém. O único momento que eu falei que foi deixado para nós de presente foi agora. Eu nunca critiquei a gestão anterior do que aconteceu. O que eu tenho que fazer ou falar alguma coisa é a nível de justiça. E fico falando da Administração anterior, nas ruas e nas esquinas e isto é sinal de respeito que a gente tem. E outra coisa. O Executivo não é o prefeito sozinho. O Executivo são várias pessoas, existe um vice que é o vice Marcelo Chaves, os secretários, o jurídico, todo um grupo, uma equipe. É preciso tomar cuidado do que falam, por isto me sentiu ofendido. Agora não venha se dar de bonzinho para mim. Ele [Michel Renan] é inteligente o suficiente para saber o que ele fez. E se ele foi orientado por alguém, ele foi muito mal orientado.

O que o prefeito pensa sobre as reformas política e previdenciária?

Tem que ter todas as duas, a política e a previdenciária. No caso da previdenciária, não se pode pensar apenas nas pessoas que ganham pouco. Não pode um País gastar 1.2% do seu PIB para pagar pessoas que trabalham no setor público, que se  aposentam nas esferas federal, estadual e municipal. E por outro lado, 0,8% disso é para pagar o aposentado da previdência. É dez vezes maior e uma diferença enorme. Quem está pagando estas pessoas com salário altíssimo? Não estou dizendo que não são merecedores. Só que aquele que se aposenta pela previdência ele também é merecedor. A reforma previdenciária tem que ser vista nesse nível, igualando a todos e ter equilíbrio. Agora se manter as pessoas que estão lá em cima, ganhando muito e a gente aqui ganhando o que estamos ganhando, ai é marginalizar a maior parte da população.

Em 2018 teremos eleições. O que o senhor espera dos deputados, governadores e do próximo presidente?

A população precisa ficar atenta e tomar certo cuidado vendo realmente quem é são os candidatos a presidência da república, os históricos do deputados e isto tudo é importante. Não adianta dizerem que o militarismo resolve o problema. Não podemos esquecer que temos hoje um Ministério Público federal, estadual e municipal muito forte. Eles não irão deixar ninguém entrar numa favela matando todo mundo que é bandido. Isto não existe. Hoje existe os Direitos Humanos que não deixam isto acontecer, a não ser que volte a ditadura. Não sei qual é o melhor e ainda não tenho um candidato. O presidente precisa ter uma equipe técnica muito boa, mas que seja político para organizar o país politicamente.

Como mensagem final, qual a sua expectativa para 2018, já que vocês prepararam o Orçamento que vão trabalhar?

Nós elaboramos o Orçamento, mas as pessoas viram o que aconteceu com ele. Ninguém lembrou de algumas entidades ninguém como a Abraço e várias outras que precisam ser ajudadas, porque fazem um grande trabalho na sociedade. O SAAE e o IPREV não podem mandar a sobra do seu Orçamento para a Prefeitura. Antes podia, mas a partir do próximo ano não vai poder. Se houver uma sobra ou economia no SAAE ou no IPREV ou um superávit de arrecadação nós não podemos usar o dinheiro. Quem vai sofrer com isto? O funcionário público, porque no fim do ano, o governo pode reduzir o FPM, mas eu tenho uma arrecadação boa do município, e não ter o 13º salário porque não posso usar as sobras. Isto é algo técnico e não político, que não foi enxergado na Câmara. Este mês nós não recebemos o ICMS e se tivéssemos esperando para pagar o 13º salário, como de 70% a 75% das prefeituras esperaram, não tínhamos pago. Sem este ICMS chegou a 80%, que estavam esperando e não veio. Isto vai nos amarrar mais um pouco e nos dificultar em dezembro de 2018. O Legislativo tem que entender isto pode vir a comprometer o 13º salário de 2018. As pessoas podem dizer, porque eu já estou falando de 13º salário do ano que vem. É que na administração pública não se pensa mensalmente e sim anualmente. O que acontece em janeiro pode refletir em dezembro.

A minha mensagem é que espero que a população seja feliz, tenha um próspero ano novo, muita saúde, equilíbrio, amor no coração e que a gente acredite e se dedique ao nosso país, com cada um fazendo a sua parte. Se desistirmos dele, estaremos desistindo do futuro dos nossos filhos e nossos netos. O futuro vai depender muito deste presente. A gente está trabalhando muito por Três Pontas. Eu e o Marcelo Chaves estamos juntos. Ele participa das decisões e tem uma força muito grande na Prefeitura. Ele fala pouco mas é bastante positivo. E uma coisa. As pessoas precisam parar de falar que temos 12 advogados no nosso jurídico. Temos seis porque temos muitas denúncias que são feitas à justiça, projetos de leis que vão para a Câmara e só de execuções fiscais são mais de 7 mil. Temos até pouco para tanto serviço e isto é coisa da oposição.

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