Foto: Arquivo EP

 

As três mil escolas da rede estadual de ensino de todo o Estado de Minas estão prontas para receber os 2,5 milhões de alunos que vão iniciar o ano letivo de 2018. Não há informação de quantos alunos estão matriculados nas escolas de Três Pontas. Inicialmente os estudantes voltariam para as salas de aulas em 1º de fevereiro. A mudança foi anunciada pelo governo do Estado no dia 05 de janeiro. O adiamento causou polêmica entre profissionais, sindicato e pais. Para o Sind-UTE, a medida tem relação com economia de gastos. Já a Secretaria de Estado de Educação (SEE) nega a motivação financeira e explica que o objetivo foi otimizar os processos de distribuição de turmas e cargos nas escolas, entre outros.

A coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação em Minas (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, disse que os professores da rede estadual de educação decidiram fazer uma paralisação logo no primeiro dia de aulas, quando haverá um ato na praça Sete, às 16h. Por isto, em Belo Horizonte as aulas devem começar apenas na terça-feira e a segunda-feira será o dia nacional de luta contra a reforma da Previdência, que ataca a aposentadoria dos professores. “É uma situação muito grave, pois se ela passar, vamos concordar com o fato de um professor ficar 49 anos em sala de aula, o que é impossível para uma profissão tão desgastante. Além disso, será uma paralisação de alerta ao governo do Estado por vários motivos: como o parcelamento de salário e do 13º;o  adiamento do ano letivo; não cumprimento do piso e dos reajustes e a não negociação com a categoria”, completa a sindicalista.

Além da paralisação, uma assembleia estadual está marcada para o próximo dia 28 de fevereiro, quando a categoria decidirá os rumos do movimento neste ano. “Será uma assembleia com indicativo de greve, que é um instrumento pedagógico de alerta para que o governo se movimente e impeça que uma greve seja deflagrada”, explica Beatriz.

A coordenadora do Sind-UTE explicou ainda na entrevista que a motivação do governo de Minas em atrasar o início do ano letivo foi financeira, uma vez que haveria uma economia de cerca de R$ 200 milhões por conta dos salários dos professores contratados. “Minas hoje tem mais de 100 mil contratos temporários, que são professores contratados no início do ano letivo. Além dessa economia com os salários, também houve uma redução nos gastos com alimentação e transporte escolar”, completa.

Entretanto, a medida causou impacto na vida dos professores, uma vez que a medida acarretará em um aumento dos sábados letivos e na diminuição dos recessos ao longo do ano, fazendo com que o profissional trabalhe mais e sem receber por isso. A medida teria sido adotada sem debate com os trabalhadores e nem com a comunidade escolar.

“Essa questão do calendário é muito cruel. Imagine você ficar sabendo no meio das férias que você vai ficar sem a maior parte do seu salário? Estamos falando de 100 mil pessoas que são as mais mal remuneradas do Estado, já que, se pegarmos a média do estado, a educação tem a pior remuneração média. Isso fora o parcelamento e o 13º, que em fevereiro é pago a segunda parcela do que deveria ter saído em dezembro”, aponta Beatriz.

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou, em nota, que o governo nomeou 50,4 mil servidores desde 2015, concedeu reajustes de 46,75% na remuneração, está pagando adicional de 5% no vencimento básico do servidor (a cada 5 anos de serviço), e vem cumprindo com demais regras do acordo firmado com a categoria há três anos. (Com informações do jornal O Tempo)

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