*Entidade está com os dias contados se não houver solução para a falta de recursos para manter os serviços 

Denis Pereira – A Voz da Notícia 

Em maio de 2001 um grupo de pessoas se reunia e fundava em Três Pontas a Associação Brasileira Comunitária para a Prevenção do Abuso de Drogas (Abraço). De lá prá cá, a entidade sem fins lucrativos atende usuários de álcool de drogas, seus assiste seus familiares, muitos encaminhados por diversos órgãos públicos. Além disso, os membros da diretoria, que são ao todo 10, sem ônus algum realizaram e participaram de palestras, escolas, indústrias, cooperativas, fazendas o que atingiu cerca de 2 mil pessoas, destacando sempre a prevenção.

Para manter as atividades, a diretoria conta com a colaboração da comunidade que faz doações. A Abraço chegou a ter uma equipe de telemarketing, mas com a queda na arrecadação precisou ser desativada. Ao longo dos anos foram muitas dificuldades enfrentadas e até chegar agora, ao ponto da direção convocar a imprensa para divulgar que a entidade está com os dias contados.

O presidente Mário Reis Oliveira, o vice José Lúcio da Silva e um dos secretários Wolney Reis Figueiredo, explicaram durante coletiva que eles estão sem condições de manter em funcionamento a entidade com a arrecadação que ela possui. Mário Oliveira revela que falta mais apoio da comunidade e vontade política do Poder Executivo e Legislativo.

José Lucio que é um dos fundadores está entristecido com estas conseqüências. Ele detalha que a metodologia de trabalho da Abraço são em três vertentes. As pessoas que procuram o atendimento fazem um cadastro, passam por uma triagem e começam a fazer a psicoterapia individual. Outra é a terapia em grupo, que se reunem uma vez por semana com acompanhamento psicológico. Os parentes dos pacientes já chegaram a participar da terapia familiar, pois a instituição entende que é preciso estruturá-las para enfrentar os grandes desafios que é conviver com quem está nas drogas e no álcool.  Apoio médico só houve por um curto período, entre dois e três meses, quando foi cedido pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Saúde. “Os médicos que sempre que prestaram serviços para nós foram voluntários. Quando a gente precisava de apoio encaminhava para os próprios consultórios” disse o vice presidente. Hoje há apenas um psicólogo e uma secretária e não há como contratar para atender a demanda que é grande.

A Abraço está sem dinheiro para custear as suas despesas como água, luz, aluguel e funcionários. Sobrevivendo apenas de doações, elas vem caindo ano a ano. A arrecadação atualmente é pouco mais de R$1 mil, sendo o aluguel da sede custa um salário mínimo. A equipe já foi composta por motorista, dois ofice boys, secretária, dois psicólogos, assistente social, terapeuta ocupacional e até monitor de artesanato. Possui um veículo doado na primeira gestão do prefeito Paulo Luis, por intermédio da Secretaria de Assistência Social pela Sedese.

O apoio das autoridades já foram solicitadas nas esferas, municipal, estadual e federal já foi solicitado. A entidade tem o reconhecimento de Utilidade Pública municipal desde 2001 e estadual desde 2008, está legalizada, com toda documentação em dia. Mesmo assim, nunca tiveram resposta.

O presidente Mauro Oliveira procurou a Câmara por várias vezes, deixou fichas para doações voluntárias, independente da verba Prefeitura, procuraram a Prefeitura paar poder viabilizar algum tipo de verba, participou de reuniões, mas, nunca conseguiu sensibiliza-los da importância da Abraço para a cidade.

O grande problema é as verbas que seriam repassadas não podem ser usadas pagar funcionários, comprar material de escritório, nem mesmo pagar água, luz e aluguel.

A associação não teve acesso a subvenções recursos por conta disso. “Chegamos a conclusão que por falta de apoio e vontade política vamos ter que fechar as portas”, disse Mário.

Antes, autoridades, empresas, indústrias, associações, entidades e profissionais serão convidados para uma reunião uma semana antes de uma assembléia geral a Abraço. No dia 09 de abril, o encontro deve acontecer na Câmara Municipal as 20 horas. Se deste encontro nada surgir como solução para o fechamento e na assembléia do dia 15 não houver o registro de nova chapa para continuar a dirigir a associação comunitária, haverá no máximo mais 90 para o encerramento de todas as atividades.

“Está na hora do Conselho Municipal Anti Drogas fazer algo, já que eles já se organizaram e nada fizeram. O nosso objetivo é continuar a realizar o trabalho voluntário, com muita boa vontade que sempre tivemos, carinho e dedicação. Esperamos conseguir a sensibilização e a mobilização dos órgãos públicos e da iniciativa privada”, termina Mário Oliveira.

A ABRAÇO – Associação Brasileira Comunitária para a Prevenção do Abuso de Drogas é uma entidade que foi criada em setembro de 1985, em Belo Horizonte, pelo saudoso Professor José Elias Murad, seu fundador. Tem como finalidade mobilizar a comunidade para a prevenção do uso de drogas, com o seu serviço de atendimento ambulatorial, funcionando desde setembro de 1991.

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