A partir desta quinta-feira (28), o Aeroporto Municipal Leda Mello Rezende está oficialmente fechado. A determinação obedece a portaria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), assinado no dia 04 de fevereiro, pelo Superintendente de Infraestrutura Aeroportuária, Fábio Rabbani. Assim, o tráfego aéreo está encerrado e Três Pontas vai servir apenas de passagem. Isto seria por causa do Centro Municipal de Educação Infantil Dona Anita que foi construído em 2011, a 50 metros da cabeceira da pista de pouso e decolagem, que estaria colocado em risco crianças e funcionários da Creche. O fechamento divide opiniões e gerou um grande debate político, chegou na Câmara Municipal e alcançou inclusive as redes sociais.

Ouvimos a Associação Comercial e Agro Industrial de Três Pontas (Acai-TP) que está enviando um manifesto ao Poder Executivo. Integrando o Conselho Municipal do Turismo, a entidade acredita que o porte que Três Pontas tem hoje, um Aeroporto é fundamental para atrair grandes investimentos e empresas que queiram aportar na Capital Mundial do Café. O Município está na contramão do que vem acontecendo com as cidades. O ideal seria, na opinião do presidente Michel Renan Simão Castro, utilizar a pista que já existe, até a construção de um novo Aeroporto.

ENTREVISTA Michel Renan Simão Castro - presidente da Acai-TP
ENTREVISTA Michel Renan Simão Castro – presidente da Acai-TP

Equipe Positiva – Michel o que pensa a Associação Comercial sobre o fechamento do Aeroporto?

O pensamento da Acai-TP é de que o fechamento dele trará alguma rejeição e dificuldades dos empresários de indústrias maiores em se instalar em Três Pontas. Eles [os empresários] para se deslocarem podem nem ser de avião, mas querem ter esta condição. A cidade já tem um porte em que um Aeroporto é de fundamental importância. As pessoas as vezes questionam o local, mas a Associação Comercial, em debate com a diretoria e seus associados, entendeu que só se poderia sair dali já tendo um outro local pronto e instalado. Nós já temos o nosso posicionamento e como fazemos parte do Conselho Municipal de Turismo, o Comtur, foi nos pedido uma manifestação e já estamos enviando o pensamos sobre isto.

E qual é o posicionamento da Associação?

A Associação Comercial entende que ter um Aeroporto é um facilitador, algo mais para atrairmos empresas. Se ele vier a ser desativado, como parece ser irreversível, que procurem outro local para que lutemos para a construção de um novo Aeroporto. É preciso lembrarmos que temos em Três Pontas, eventos reconhecidos a nível nacional, como a Expocafé e propriamente a Festa do Padre Victor, que tende a ser uma crescente e, muitas pessoas virão a utilizar o Aeroporto, sem falar naquelas que já utilizam. E ainda não temos a confirmação, mas há a questão de que mediante a desativação, uma cláusula de reversão devolve a área para os doadores. É um fator a mais para não deixarmos que isto aconteça. Acho que precisamos usar daquela área que é extremamente nobre para alguma finalidade.

Quais os prejuízos você acredita que o Município ou propriamente o comércio terá com este fechamento?

Em números relativos a faturamento não temos porque ainda não fizemos um levantamento ou mensuramos qual é a quantidade de utilização por parte comercial e empresarial. Porém, nos deixa em condições de inferioridade com algum município que venha pleitear a vinda de uma empresa e será um fator que poderá ser decisivo nesta escolha. A gente tem visto cidades circunvizinhas, como Varginha que já tem vôos regionais, Três Corações querendo também ter esta condição. O tempo hoje é valoroso na vida das pessoas. Se tivermos a oportunidade de irmos a São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, em uma hora, uma hora e meia, não tem sentido ficarmos expostos aos inúmeros riscos que a rodovia nos expõe e ainda gastarmos quatro, cinco, seis horas de deslocamento. Hoje Aeroporto é uma tendência, uma necessidade. O Brasil vai mudar e os meios de transporte tende a evoluir e a aviação é um caminho sem volta. Eu vejo que de uma forma bastante ampla, o Município estará perdendo possibilidades de estar atraindo ou recebendo grandes investimentos com este fechamento.

O que a Associação Comercial espera disso tudo?

Esperamos que este “disse, não disse”, seja realmente externado e que tudo fique claro. O que realmente ocorreu, se foi omissão ou não, o que gerou isto, há condições de rever ou reverter esta situação? São perguntas que precisam ser respondidas à população. Que possamos fazer o uso deste Aeroporto que já temos, até que se tenha outro local pronto e disponível.

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