Campanha. Governo federal distribuiu 106 milhões de preservativos masculinos e 200 mil femininos neste ano

 

Prevenção contra a Aids e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) é assunto importante nos 365 dias do ano. Mas, no Carnaval, as pessoas ficam mais expostas ao risco, e a preocupação aumenta. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) e da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram, nos últimos três anos, um número maior de infecções por HIV em março, justamente o mês posterior à folia, em comparação com os demais períodos do calendário.

No ano passado, por exemplo, foram 94 diagnósticos positivos nesses 31 dias em Belo Horizonte, média de três por dia, número bem superior a maio, segundo colocado, com 69 casos. Somando-se os três anos – 2015, 2016 e 2017 –, 217 pessoas descobriram que tinham HIV em março, e 188, no mês de outubro.

Em Minas Gerais, o terceiro mês do ano também seguiu sendo o mais expressivo em termos de diagnóstico. Foram 435 registros em março de 2017, 445 em 2016 e 433 em 2015. Nos demais meses, os índices se mantiveram na casa dos 300, com raras exceções.

Para a SES, o diagnóstico é perene, com um leve aumento em março, “exatamente o período de intensificação para a janela imunológica do Carnaval”. Isso significa que, durante a folia, há uma abertura maior para a infecção por diversos fatores: as pessoas se relacionam mais, consomem muita bebida alcoólica e se esquecem de cuidar da saúde.

A infectologista e coordenadora de Saúde Sexual e Atenção às DSTs, Aids e Hepatites Virais da SMSA, Tatiani Fereguetti, também diz que, de maneira geral, o número de diagnósticos se mantém linear ao longo do ano. O ligeiro aumento em março se deve, segundo ela, a essa exposição maior das pessoas ao risco e à intensificação dos testes de HIV por parte da prefeitura após a festa.

“As pessoas também procuram mais as unidades de saúde para fazerem o teste depois da folia. Mas não dá para dizer que as infecções ocorreram exatamente no Carnaval”, afirma Tatiani. De toda forma, seja antes, durante ou depois do evento, é fato que as pessoas ficam mais vulneráveis em épocas festivas, diz ela. “O consumo de álcool e de outras drogas acaba influenciando na tomada de decisão do uso ou não do preservativo”, pontua.

Preocupação. Estima-se que, atualmente, 830 mil pessoas vivam com HIV/Aids no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Os jovens são os que menos usam preservativo, segundo pesquisa do órgão. De 2004 a 2013 houve queda no uso regular de camisinhas na faixa de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% para 56,6% – quanto com fixos – de 38,8% para 34,2%.

Ao mesmo tempo, a epidemia avançou nessa faixa etária. Na capital, o Bloco do Pirulito, fundado há 25 anos pelo Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, levanta todos os anos a bandeira “Carnaval sem Aids”, levando informação e preservativos aos foliões. “Carnaval é alegria e também prevenção. Precisamos salvar vidas. As pessoas estão deixando de se cuidar”, alerta a presidente do sindicato e foliã, Eliana Brasil Campos.

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