Próximo passo é fazer a pintura da Igreja

O mês de janeiro é triplamente especial para o sacerdote Padre Rogério Augusto da Silva que conquistou o coração dos trespontanos. Seu jeito simples, humilde e jovem de viver e evangelizar, fez com que a mais jovem Paróquia de Três Pontas, a Cristo Redentor, no bairro Catumbi, ao longo destes 8 anos de existência, ganhasse identidade própria. Ela era uma grande e importante comunidade que pertencia a Paróquia Nossa Senhora D’Ajuda e teve sua ereção à Paróquia em 06 de janeiro de 2008.

Ao longo destes 7 anos que está evangelizando os trespontanos, os frutos são atribuídos ao pároco que é natural de Carmo da Cachoeira. Ai vem outros dois motivos dos primeiros trinta dias do ano serem de festa para o religioso. Ele completa no próximo dia 18 de janeiro 39 anos de idade e no dia 27, 9 de vida sacerdotal, esbanjando disposição de um verdadeiro atleta que é.

Padre Rogério respondeu algumas perguntas sobre a sua trajetória na Terra do Beato Padre Victor, a quem é muito devoto, as dificuldades, os trabalhos paroquiais e pastorais, desenvolvidos nas 6 comunidades urbanas e 4 rurais.

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Padre Rogério, quando o senhor chegou em Três Pontas, esperava realizar o que faz hoje na Paróquia?

Quando eu cheguei em Três Pontas, eu esperava com a graça de Deus, sanar a dificuldade financeira pela qual a Paróquia passava na ocasião e também criar uma identidade paroquial. A primeira vista era o primeiro desafio. Todavia, com desenrolar do tempo, sempre contando com a graça do Espírito Santo, que bem antes de eu chegar aqui, já andava por esta porção do povo de Deus, fui conseguindo realizar grandes coisas para a glória de Deus e o bem dos nossos paroquianos.

Qual a maior dificuldade o senhor enfrenta no dia a dia da Paróquia?

As dificuldades são muitas. Hoje, quando pensamos ou falamos em Igreja, nossa maior dificuldade é fazer com que as pessoas entendam, que a Igreja não é uma mera prestadora de serviços religiosos, mas é sim, acima de tudo, uma comunidade de fé, a partir da qual eu me relaciono com Deus no serviço ao próximo. E também tenho na vida de comunidade, a possibilidade de desenvolver a minha dimensão religiosa, elemento constitutivo da natureza humana de cada um de nós.

Como faz para dar conta de tantas tarefas, trabalhando sozinho?

Para dar conta de tantos trabalhos paroquiais e pastorais, primeiro conto com a ajuda de Deus. É ele quem nos dá sua graça e nos potencializa com a força e dinâmica do seu espírito. Num segundo momento, conto com a colaboração de tantos fiéis leigos que assumem com propriedade e empenho a sua vocação batismal, servindo nossas comunidades de fé.

A Paróquia Cristo Redentor abrange uma área de comunidades carentes e onde a criminalidade está mais presente. Como é levar a evangelização nestas localidades?

Nossa Paróquia comporta realmente 80% dos problemas sociais de nossa cidade – violência, tráfico de drogas, abuso sexual, miséria, entre outros. Todavia, levar o evangelho a estas pessoas é desafiador, mas ao mesmo tempo é assumir a opção preferencial pelos pobres, que é a opção de Jesus e que deve ser também a da Igreja. O maior desafio nesses 7 anos que aqui estou, foi o de quebrar os preconceitos que existiam por parte dos membros das outras comunidades, que só viam criminalidade, bandidos e violência nessas comunidades. Pois essas coisas não existem só lá, estão por toda parte de nossa cidade, mascarada por uma hipocrisia social. Nestas comunidades também existem pessoas de boa índole, que desejam viver com dignidade a suas vidas, e por isso, fazem fluir coisas de suas mãos. Num segundo momento, trabalhei para melhorar a autoestima das pessoas que ali viviam, pois sempre foram tratados como coitadinhos, miseráveis, vítimas do sistema. O trabalho foi de fazê-los perceber que poderiam deixar de ser vítimas e se tornarem sujeitos de sua própria vida e história, uma vez que a vida de nenhum de nós está determinada pelo meio em que vivemos, mas sim, pela forma como escolhemos viver e tornar a vida grande ou pequena, feia ou bela. Somos sempre livres para decidir.

O projeto Arte Cotidiana ajuda a evangelizar crianças, adolescentes e jovens?

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O Projeto Arte Cotidiana surgiu como uma tentativa de resgatar os jovens, crianças e adolescentes do tráfico e de outros problemas sociais. Vejam só. Certa vez, um adolescente chegou até mim e me disse. “Padre, meus pais são traficantes e estão presos. Meus irmãos também já estão nesta vida. Me ajude por tudo o que é de mais sagrado, pois não quero entrar para esta vida”. Naquele momento percebi o quanto ineficientes nós somos enquanto cidadãos e também enquanto cristãos católicos. Vamos as celebrações, cantamos, dançamos, comungamos, mas não fazemos nada para transformar a vida as pessoas.  A dimensão sócio transformadora da fé é um grande desafio ainda para a maioria dos cristãos. E este projeto nasceu como este instrumento de socorro e salvação para muitos aqui da nossa paróquia.

O senhor promoveu a ampliação da Igreja de Nossa Senhora das Graças. Estas obras já terminaram?

Nesses anos que aqui estou, muitas coisas no campo estrutural foram realizadas. Construímos um Cento Catequético na Comunidade São Cristóvão; trocamos todo o som da Igreja e reformamos toda a sua frente, realizamos a reforma do forro da Igreja Nossa Senhora das Graças; colocamos o sistema de som; arrumamos o espaço litúrgico; colocamos calhas no telhado e grade em torno da Igreja, piso do lado de fora; restauramos o gesso na parte interna; reformamos as salas de catequeses e ampliamos o salão de reuniões. Foram muitas as obras, mas agora se Deus quiser, iremos pintar a Igreja.

O senhor demonstra muita disposição, criou eventos como passeios ciclísticos que misturou evangelização com o esporte. Eventos assim são importantes para levar jovens para a Igreja?

No processo de evangelização, temos de encontrar a metodologia adequada a cada tempo para alcançarmos aqueles que estão fora da Igreja e trazê-los para perto de Cristo. Dessa forma, temos de ter um olhar clínico para aquilo que atrai a juventude e o nosso povo, para que a partir de sua realidade possamos apresentar-lhes Jesus Cristo. O Santo João Paulo II, nos disse certa vez, que precisamos de santos que usem calças jeans, que vão a praia surfar, que vão ao cinema, que jogam futebol, que andem de bicicleta. E não só santos de batinas e hábitos. Logo, eventos assim são importantes para a evangelização e também para a integração de todos, num compromisso sério na construção de uma ética universal, que nos comprometemos uns com os outros e com o mundo com o qual nós vivemos esta disposição, sobre a qual você mencionou, vem de um coração alegre, feliz, de uma vontade de viver e fazer a vida valer a pena com tudo o que ela tem de belo e também de ruim.

Qual a mensagem o senhor deixa a seus paroquianos?

Que o Deus da Misericórdia, que se deu a conhecer na face amorosa de seu Filho Jesus Cristo, cuide de todos com amor de eternidade e carinho de ternura. E que seu Divino Espírito os anime na dança cotidiana da Ressurreição. E que se plantarmos o Bem, o chão se converterá em flores de justiça, esperança, dignidade, paz e bondade para todos. Pois, onde há o amor, Deus estará presente, e onde Deus estiver tudo se transforma para o bem. (Fotos: Arquivo Pessoal)

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