Na última sexta-feira (1º), o professor e vice prefeito Érik dos Reis Roberto (PSDB), se desincompatibilizou da Secretaria Municipal de Educação (SME), cargo que ocupava desde janeiro de 2013, quando Paulo Luis Rabello (PPS), assumiu o comando da Prefeitura. É por causa das regras das eleições municipais, que determinam que a pessoa que pretende pleitear algum cargo eletivo se afaste seis meses antes do pleito, que Érik se despediu nos últimos dias de toda a sua equipe. A SME agora Ele fez reuniões com cada setor, apresentou um balanço e os números que comprovam, segundo ele, que os avanços são notórios. Para que isto acontecesse, ele enfrentou as críticas e a oposição que afinou o discurso a cada mudança anunciada. Por várias vezes na entrevista que Érik nos concedeu, o ex-secretário afirmou que “tudo foi pensando na melhoria da educação das crianças e dos estudantes, sem se preocupar com a repercussão política como consequências”.

Quando assumiu em 2013, encontrou a Secretaria Municipal de Educação de certa forma organizada, mas, atendendo em partes as expectativas. Desde então foram pensadas e planejadas mudanças e algumas gestões para que ela atingisse metas e objetivos, tudo com um único objetivo, melhorar a qualidade do ensino. Aliado a isto, valorizar o professor, aprimorar o atendimento às crianças, fazendo uma logística funcional no atendimento da Secretaria de Educação e nas próprias escolas e Centros Municipais de Educação Infantil, dando também autonomia para as direções das escolas.

MUDANÇAS

Foram muitas mudanças em quase quatro anos, principalmente estrutural e administrativa. Algumas destas ações foram questionadas, como o CESU, a mudança de endereço da Escola Municipal Solange Mendonça Reis e por último a tão polêmica nucleação de três escolas da zona rural. Antes de contar como tudo aconteceu, Érik deixa bem claro que as decisões foram corretas e por isto, não se arrepende.

Na questão do Centro de Ensino Supletivo (CESU) que foi reestruturado em 2014, os números mostram que passado a turbulência que foi o caso, mais pessoas se formaram, com menos funcionários. De acordo com o ex-secretário, em 2013 eram 14 professores e 27 pessoas se formaram. Em 2014 e 2015, eram 4 professores atendendo e se formaram 154 pessoas.

No caso da transferência da Solange Mendonça Reis, que funcionava na Rua Barão da Esperança, em um prédio antigo, que vira e mexe tinha os problemas dos escorpiões que apareciam no prédio. Para Érik neste caso, ninguém tinha coragem de solucionar o problema de forma definitiva, foi preciso também coragem para transferir os alunos junto a Escola Municipal Antonieta Ferracioli Duarte, onde funcionava o Polo Educacional E-TEC, onde também havia um outro problema que preocupava os pais.

Como o polo educacional funcionava no mesmo prédio que a escola, as crianças encontravam no lixo, seringas, luvas e materiais que eram usados nas aulas a noite, colocando em risco a integridade das crianças da educação infantil. A troca foi feita. O E-TEC foi para o antigo Solange e no prédio anexo ao Ferracioli, hoje funciona a Escola Solange Mendonça. Tudo foi muito bem distribuído e atendeu a todos. O Polo atende cerca de 900 pessoas matriculadas e a mudança foi extremamente positiva.

Quanto a nucleação o problema principal foi financeiro. Só a folha de pagamento das três escolas era em torno de R$100 mil. Por outro lado, a necessidade de acabar com as salas multiseriadas em que na mesma sala de aula, um único professor dava aulas simultaneamente para mais de uma turma, impulsionou a junção dos alunos, pensando também na questão pedagógica. Outro objetivo era ampliar a Escola em Tempo Integral, uma exigência do Governo Federal, que agora atende mais 230 crianças. Isto acarretou em uma melhora substancial para a Secretaria de Educação fazer o atendimento às escolas e acima de tudo declarou Érik. “Se a gente não tivesse feito isto, os professores não estariam recebendo seus salários, e em dia”, informou.

Diminuindo os gastos com a folha, a Secretaria colocou estagiários nas salas de aulas que atendem também crianças com necessidades especiais, criou o Programa de Apoio Pedagógico (PAP) que ajuda os estudantes com dificuldades em aprendizagem, remodelou o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e da própria sede da Secretaria.

REFORMAS e CONSTRUÇÕES

Todas as escolas receberam melhorias, reformas e ou ampliações. A maior delas, sem dúvidas é a Escola Municipal Edna de Abreu, no bairro Santa Edwirges, onde foi construído um novo prédio, que possibilitou dobrar o número de crianças atendidas na educação infantil. A partir deste ano letivo, muitos pais que teriam que colocar os filhos em ônibus para serem levadas até o Centro, já levam e buscam suas crianças pertinho de casa.

A obra, segundo Érik, não está no Plano de Governo dele e de Paulo Luis, já que foi ouvindo os moradores desta região na campanha eleitoral de 2012, que dezenas de pedidos foram feitos, mas a reivindicação é antiga, sonho da comunidade. “Foi uma meta que eu recebi do prefeito Paulo Luis quando assumi a Secretaria, de cumprir sua palavra com aqueles bairros”, comentou. A obra que recebeu investimento de R$800 mil, dos cofres municipais foi feita graças ao remanejamento de alguns recursos da pasta. Na opinião do ex-secretário, no Sul de Minas não há uma escola pública, com tamanha grandeza como a Edna de Abreu, dotada de salas e banheiros amplos, secretaria e biblioteca moderna, com corredores largos e acessibilidade.

Outro avanço é que na Escola Municipal José Vieira de Mendonça, os alunos abandonaram um campinho que usavam perto da escola para fazer as aulas de educação física. Lá, meninos e meninas ficavam expostos ao sol para as atividades e quando chovia ninguém saia da sala de aula. Foi inaugurado na sexta-feira (1º), o Ginásio Poliesportivo que os alunos e a comunidade passam a usar. Ele possui vestiários masculino e feminino em uma instalação moderna que além do futebol, vai possibilitar outras atividades esportivas e extra classe.

Nas Escolas Antonieta Ferracioli e Solange Mendonça Reis a quadra foi reformada e coberta. Construída no primeiro mandato do prefeito Paulo Luis entre 2005-2008, o espaço esportivo nesta nova gestão foi coberto.

Érik mostra os kits que materiais escolares que começam a ser distribuidos nesta terça-feira, nas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil
Érik mostra os kits que materiais escolares que começam a ser distribuidos nesta terça-feira, nas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil

MATERIAL DIDÁTICO E MERENDA – uma nova realidade

Pelo segundo ano consecutivo, a Secretaria investiu pesado na compra de material didático, que é usado por cerca de 80% da rede particular de ensino no país. Neste ano, a entrega nas escolas e nos Centros Municipais de Educação Infantil começa nesta terça-feira (05). A novidade para 2016 é que as crianças do maternal II e III e primeiro ano do ensino fundamental, das séries iniciais também irão receber, junto com seus professores.

Quanto a merenda servida nas escolas e creches, mudou muito. Ao invés das sopas que eram ainda preparadas duas ou três vezes por semana, agora é alimentação completa servida todos os dias, de segunda a sexta-feira. As verduras e legumes que estavam no cardápio apenas três vezes, hoje são todos os dias, colorindo o prato e garantindo uma alimentação mais saudável. A carne era servida apenas meia colher para cada criança. Hoje já são duas colheres. Uma fruta, ou suco ou uma sobremesa, também tem todo dia letivo. Érik dos Reis acredita que isto também é investir na melhoria da qualidade do ensino. “A qualidade não é apenas valorizar o professor, ou o profissional. É valorizar todo o ambiente e a merenda não é diferente”.

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ECONOMIA MILIONÁRIA

Se por um lado as necessidades aumentam, as despesas também e os repasses estão diminuindo, em uma contramão que obrigou Érik a cortar na “carne” e fazer uma gestão firme com os pés no chão.

Para se ter uma ideia, os repasses do Governo Federal aumentou de 2013 para 2014 em míseros R$2 mil no ano, sendo que só com a folha de pagamento o aumento é de 2% ao ano, independente de índice. Se calcularmos, 2% ao ano no orçamento da Secretaria de Educação que é entorno de R$1 milhão ao mês com a folha, são R$20 mil mensalmente, sendo que a pasta recebeu a mais R$2 mil no ano inteirinho. Com isto, foi preciso fechar a torneira, mas manter os serviços e ampliá-los e na avaliação de Érik, Três Pontas conseguiu melhorar.

Toda a economia gerada somente com a folha de pagamento na Secretaria de Educação, desde janeiro de 2013, ultrapassa os R$9 milhões. Com as mudanças e remanejamentos é que foi possível aplicar o Piso Nacional da Educação, o que poucos municípios do Brasil vem cumprindo.

AVANÇOS

As consequências da gestão adotada são avanços. São 10 pontos de 2013 para 2014 no  Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Em língua portuguesa, de 2012 para 2014, foram praticamente 20 pontos em matemática e 14 em língua portuguesa. Outras pesquisas realizadas por institutos colocam Três Pontas em situação de vanguarda. “Compramos 8 ônibus zero km, um semi novo, uma caminhonete e um carro zero. Reformamos escolas, pintamos a Secretaria de Educação e o CAIC que nunca tinha recebido esta melhoria desde sua fundação.

DEVER CUMPRIDO

Quando assumiu o cargo, Érik dos Reis disse que tinha muitos sonhos e esperanças. Ao deixar o comando da SME, sai com a sensação do dever cumprido. As ações que foram tomadas por ele, são irreversíveis e não tem mais volta. São atitudes que transformaram de fato melhoraram a vida das crianças, dos professores e da educação no Município de Três Pontas.

NA DESPEDIDA

Na despedida, Érik aproveitou para agradecer a Deus por ter lhe dado forças para trabalhar e principalmente a coragem para suportar os percalços do caminho.  “Não fosse estar sustentado pelas mãos poderosas de Deus e pela luz do Espírito Santo certamente eu não conseguiria”, enalteceu. Ao prefeito Paulo Luis que proporcionou esta sua estada na Secretaria de Educação, lhe dando autonomia e confiando no seu trabalho, colocando sobre seus ombros um orçamento de quase R$25 milhões por ano, para gerir com responsabilidade, mas também lhe dando amparo.

De forma amorosa, agradeceu em seguida sua família que sempre esteve com ele. E por fim, agradeceu todos os funcionários, sem exceção, aqueles que direta ou indiretamente ele trabalhou, na Secretaria, nas escolas e creches.

Terminou pedindo desculpas a quem por ventura tenha prejudicado ou dificultado a vida com as ações que promoveu. “Tenham a certeza que nada foi pessoal, reafirmo que foi pensando no bem das crianças, da qualidade do ensino e nos servidores da educação”, concluiu, dizendo que continua a disposição, atuando como vice prefeito.

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