*Dificuldade é que maioria dos casos deveriam ser tratados nos postos de saúde. Sem médicos no Hospital, há pacientes que precisam ficar no PAM aguardando transferência pelo SUS Fácil, inclusive de outras cidades

O movimento no Pronto Atendimento Municipal (PAM) de Três Pontas vem tendo uma crescente desde fevereiro, mas no inverno, a demanda por atendimentos aumentou de 20% a 30% por causa das baixas temperaturas e afetando principalmente crianças e idosos. A procura foi ainda maior no primeiro semestre, antes do início do funcionamento do Centro Pediátrico, que absorveu a demanda, mas que voltou a crescer por causa do frio.

A justificativa não é difícil de entender, já que em 2017, o grande diferencial foi o clima que ficou seco, com poucas chuvas. Em março, o aumento foi mais expressivo, aliado a mudança da metodologia de atendimento dos postos de saúde, que passou a agendar as consultas médicas, e acabando com as filas formadas de madrugada a procura de um médico. “Hoje as pessoas agendam para dali três ou quatro dias, tem mais tranquilidade para aguardar, mas acabam vindo ao PAM para tentar resolver mais rápido, o que não é correto”, orientou o médico chefe do Pronto Socorro Dr. Lucas Eduardo Erbst Marques (foto). Nem mesmo em consultórios particulares se consegue consulta de um dia para o outro e a espera pode demorar vários dias. Está em discussão haver alguns médicos de respaldo para atender algumas fichas para quem chegar depois, mas ainda está em estudo, já que se voltar a marcar como antes, as filas vão voltar.

O médico esclareceu que as pessoas precisam saber entender em que ocasião devem procurar ajuda no PAM. Não se der ir ao Pronto Socorro, quem tem apenas uma tosse mesmo com cinco dias de evolução, sem febre ou outros sintomas. Esta pode esperar por um médico que atenda no Posto de Saúde mais perto de sua casa. Outras pessoas procuram para resolver uma dor na coluna e pedem Raio X, tomografia que só deve ser indicado nas unidades básicas de saúde.

O atendimento é suspenso quando há alguma emergência, o que demanda uma dedicação exclusiva de toda equipe de enfermagem e médica. O Pronto Atendimento está preparado para acudir os pacientes com as doenças típicas deste período de dias e noites frias, como os problemas respiratórios, infartos e AVC, estes sim, são casos indicados ao PAM.

Outro dia, relatou o médico, que enquanto atendiam um caso grave, quem aguardava do lado de fora para os atendimentos eletivos e laboratoriais, de acordo com o Protocolo de Manchester começaram a reclamar e até a chutar portas, a gritar sem saber que estavam salvando uma vida.

O problema são aqueles que precisam de internação ou dar continuidade no tratamento iniciado no Hospital, já que a Santa Casa está sem médicos para atender estes casos. Hoje, o Hospital São Francisco de Assis está atendendo apenas casos de urgência e emergência porque os médicos estão com cinco meses de salários atrasados e ainda não chegaram a um acordo com a direção da entidade. Mesmo diante de todo um quadro de greve ainda há apoio da equipe médica, que abre exceções mesmo diante da suspensão dos atendimentos. Assim, o procedimento é inserir aqueles mais urgentes no SUS Fácil para encontrar algum hospital da região, que também estão sobrecarregados.

Este também é um fato que acaba tumultuando o movimento no PAM, já que há pacientes que estão tendo que ficar internados lá, recebendo medicação porque o Hospital não absorve. Neste caso a Prefeitura está se desdobrando para não faltar nada. Mais há casos em que a especialidade médica necessária não está na cidade e a referência é outro centro. Dr. Lucas espera que tudo se resolva o mais rápido, que a Provedoria da Santa Casa consiga atender seus colegas, com os pagamentos que estão em aberto e as coisas se normalizem.

Existe também a demanda de pacientes que vem de outros municípios, que integram a microrregião de Três Pontas. Cadastrado no SUS Fácil, há uma obrigação legal em receber estes pacientes e por isto, casos como de Santana da Vargem e Coqueiral em que a porta de entrada é o PAM, estão sendo direcionados, mesmo neste período em que não há respaldo para internação. Por consequência acaba acontecendo a judicialização que chega a determinar multa diária de R$10 mil à Prefeitura de Três Pontas se não cumprir, gerando um gasto por um erro do sistema, entende o profissional. Dinheiro que poderia ser investido em outros setores da saúde, inclusive na Santa Casa. “Este é um problema, porque não encontramos vaga em outras localidades, nem mesmo particular e a Promotoria exige a internação cumprindo o seu papel”, justificou Dr. Lucas.

A Prefeitura está procurando formas jurídicas para que pacientes cheguem diretamente ao PAM, apenas em caso de extrema urgência. Enquanto isto não acontecer não se pode negar atendimento.

O médico também comentou sobre a construção do Hospital da Unimed no alto da Avenida Prefeito Nilson Vilela. Na opinião dele, assim que começar a funcionar, deve ajudar a receber os trespontanos que são clientes do plano de saúde que devam optar por aproveitar esta oportunidade e consequentemente aliviar o fluxo no PAM.

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