Denis Pereira – A Voz da Notícia

A segurança pública em Três Pontas, abalada por uma onda de crimes registrados desde o início do ano, foi tema de um encontro promovido pela Associação Comercial e Agro Industrial de Três Pontas (ACAI-TP), na noite desta quinta-feira (16), no Auditório Moacyr Pieve Miranda.

Poderes Executivo e Legislativo, a direção da Associação Comercial, as policias Militar e Civil, sindicatos de classe, cooperativa, Ordem dos Advogados do Brasil, lojas maçônicas, direção do Presídio de Três Pontas, representantes de deputados e de clubes de serviços, fizeram exposições da visão de cada um, no debate que ouviu muitas sugestões, com o único objetivo, de encontrar soluções para a desestabilização da tranquilidade dos trespontanos, bastante ligado a questões sociais, como por exemplo, o uso de drogas. O principal alvo dos criminosos tem sido estabelecimentos comerciais, localizados no centro e nos bairros, vítimas de roubos e assaltos, os chamados crimes violentos, que tem mudado a rotina de empresas e chamado a atenção dos trespontanos.

A reunião foi comandada pelo presidente da ACAI Michel Renan Simão Castro, que intermediou as discussões, abriu espaço para que cada convidado se manifestasse e deixou claro desde o início que a intenção é apontar caminhos e medidas urgentes e não apontar culpados. Diante da ação cada vez mais organizada do crime, os poderes e instituições precisam arregaçar as mangas, se unirem para trazer uma maior satisfação na questão  segurança.

Foi uma apresentação dos números da criminalidade feita pelo comandante da 151ª Companhia de Polícia Militar Tenente Bruno Neves Tavares, que deu norte a reunião. Ele expôs o trabalho feito pela Corporação que trabalha a prevenção e a repressão, porém, reconhece que só a polícia é incapaz de resolver o problema. Antes de tudo, as leis favorecem a reincidência dos marginais e aumenta a impunidade.

Números apresentados mostram eficiência na atuação

08A Polícia Militar tem um efetivo pequeno diante da demanda e do número de habitantes que possui a Cidade, porém, isto acontece em todas as localidades, como por exemplo, bem próximos de nós, Varginha, Boa Esperança e Coqueiral onde os chamados crimes violentos também cresceram. Por mais que se pareça, a situação não está fora do controle, afirma Bruno Neves.

Os números apresentados mostram que de janeiro a abril deste ano, foram 18 crimes violentos, sendo 5 em janeiro, 5 em fevereiro, 7 em março e um em abril – contra 11 registrados no mesmo período em 2014. A Polícia Militar mapeou os locais de maior incidência criminal e ela está na região próximo da Rua Barão da Boa Esperança. Os crimes contra o patrimônio, outra preocupação da comunidade também foram demonstrados. Se comparando com o ano passado foram 95 a 105, em janeiro. Já fevereiro 105 e 79 e março 107 em 2014 contra 78 em 2015. Neste período em 2014, foram portanto 307 crimes contra o patrimônio e 262 este ano, uma queda de 14,65%.

O número de prisões também foi apresentado e ele é grande, incluindo apreensões de menores, que estão cada vez mais cedo se envolvendo nas ações delituosas.

Em 2014 foram efetuadas pela Polícia Militar, 1.180 prisões, 202 menores apreendidos, totalizando 1382 conduções. Já nos primeiros três meses deste ano, já são 222 prisões realizadas, 25 menores apreendidos, que somam 247 pessoas conduzidas.

Mostrando a atuação da corporação, Tenente Bruno apresentou em slides as prisões feitas nos crimes que mais repercutiram este ano, desde roubos em pequenos estabelecimentos, a assaltos, como da casa lotérica quando são usados como armas, a facas e revólveres. Para demonstrar como é falha a legislação, é que alguns autores de roubos, por exemplo, foram presos depois de muito trabalho dos militares, mas acabaram voltando para as ruas, por não serem atuados em flagrante. Muitos deles estão no crime a anos, são presos e quando ganham a liberdade voltam a atuarem.

Pedindo sempre sugestões da comunidade, o comandante reforçou a importância da participação de todos, com denúncias, a pessoas suspeitas que estejam próximas de estabelecimentos e os foragidos da Justiça. Como exemplo, mostrou a foto de Júlio César Pereira que cometeu dois roubos e deve estar escondido na zona rural. “Quem souber ver este rapaz, ou soube de seu paradeiros, por favor nos ligue, ele está solto”, solicitou o policial. Júlio César, vulgo Alemão apesar de ter uma ficha criminal extensa, foi beneficiado com uma saída temporária e não mais voltou.

O delegado Roberto Alves Barbosa Júnior, também explicou que mesmo com todas as dificuldades enfrentadas o trabalho está sendo feito, graças aos estagiários do curso de Direito e aos funcionários cedidos pela Prefeitura. Não fosse a compreensão e apoio que o Poder Executivo dá, certamente a situação estaria crítica e a Delegacia de Policia poderia até estar fechada.

Mesmo com toda a dedicação e esforço conjunto das polícias, Dr. Roberto não esconde que o Brasil passa por um momento de crise na segurança e ele vislumbra, infelizmente, que a situação deve piorar. E o povo hoje, já banalizou o crime. Quando chegou em Três Pontas, recorda o delegado, a cidade registrava um homicídio por ano. Mesmo com o passar do tempo, era possível se lembrar de cada um deles, hoje são 5 ou 6 e isto se tornou difícil.

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Michel Renan, ao lado do Tenente Bruno Neves explica os objetivos da reunião

Aumento de efetivo e melhoria na estrutura 

Desde a ascensão da Cadeia pública a Presídio, administrado pela Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), em 2011, há mais policiais nas ruas. Foram liberados da guarda dos presos, PM e PC que vigiavam 24 horas por dias os presos. Além disso, a estrutura prisional melhorou em qualidade e foi potencializada em um espaço considerável. Três Pontas, de acordo com o diretor do presídio Washington Fonseca Borges, tem a melhor estrutura da região, ficando a frente inclusive de Varginha, Lavras e Poços de Caldas. Ressaltou porém, que, isto é graças ao apoio que recebe da comunidade e da Prefeitura. Segundo ele, 90% é bancado pela Prefeitura. Das 12 celas, 5 estão reformadas. Desde a transferência para a Suapi, nunca houve rebelião, fuga e motim, por isto, a Unidade é referência.

Os problemas apresentados pelas autoridades policiais em termos de estrutura, já são bastante conhecidos, efetivo reduzido e falta de viaturas. Apesar de que Tenente Bruno foi bem claro que isto não resolve e não vai se diminuir a criminalidade, mas os participantes do debate afirmaram que mais policiais e viaturas no serviço ostensivo, inibe as ações criminosas.

06Na Polícia Civil que também sofre com a falta de policiais e escrivães, ainda tem o problema do plantão regionalizado, informou Dr. Roberto Júnior. Todos os delegados que pertencem a regional de Varginha, tiram plantão, acabam deixando suas delegacias e crimes que deveriam ser vistos mais de perto. A medida, atende ao que o Governo do Estado determina por conta da carga horária dos servidores.

Por outro lado, deixa a cidade desguarnecida, com a saída de viaturas, que no caso de Três Pontas rodam 26 km pela MG 167 para levar presos e vítimas, muitas vezes juntas.

Comerciantes e autoridades do Poder Legislativo, formaram um coro afirmando que é preciso união, cooperação e o trabalho conjunto entre as policias, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Todas as instituições que trabalham diretamente com a segurança pública contam com o apoio do poder público, com a ajuda da própria Associação Comercial e de comerciantes para manterem os serviços funcionando.

Sugestões

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O ex-presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública Travessia (Consep) Gilberto Basílio falou de uma luta antiga do órgão, de se instalar câmeras de segurança, inicialmente nas entradas e saídas do Município. A dificuldade é encontrar quem faria o monitoramento, necessário 24 horas por dia. À Polícia Militar é inviável. Resta saber se a Guarda Civil Municipal (GCM), teria efetivo e condições para isto. Nos próximos dias será instalado nos cruzamentos das avenidas Oswaldo Cruz e Ipiranga, uma câmera de alta definição e alcance, capaz de vigiar boa parte daquela região. Outra modalidade que deve ser adotada é a junção e monitoramento das câmeras externas das lojas e empresas.

A Polícia Militar está lançando também a Rede de Comerciantes Protegidos. A exemplo do que já acontece  nos bairros, região do Ouro Verde, a união da classe é fundamental para garantir a segurança, principalmente na prevenção. Outra ideia é usar a tecnologia. Um grupo no whatsapp deve ser criado formando também uma rede de comunicação.

Como na grande maioria dos casos, os crimes estão sendo praticados no fim do expediente, como afirmou o vice presidente da ACAI Bruno Dixini, a sugestão dele é que seja intensificado o policiamento principalmente em motos nos horários de fechamento dos estabelecimentos.

Com os pedidos aos representantes dos deputados, Mário Henrique Silva e Diego Andrade, o esforço é conseguir ampliar o número de policiais na Cidade. De acordo com Antônio Eugênio e João Victor, os parlamentares estão abertos as demandas da segurança do Município. Eles devem receber a ata do encontro.

O presidente do Consep Paulo Eduardo Fasano explicou que é preciso trabalhar em várias frentes e que o Conselho de Segurança tem sido parceiro e acompanhado de perto as policias, reforçando que sozinhas elas são incapazes, porém, são as mais cobradas.

Presenças

O encontro durou horas e contou também com a presença de diretores da ACAI-TP, de alguns vereadores, de representante da Cocatrel, do Lions, Rotary, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, ASSENART, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), das Lojas Maçônicas Gerardo Cordovil e Luz e Caridade e do prefeito Paulo Luiz Rabello (PPS), que preferiu apenas ouvir e não emitiu opinião. Os juízes da Comarca de Três Pontas Dra. Raíssa Monte Raso Araújo, Dra. Aline Cristina Modesto da Silva e o Dr. Cristiano Araújo Simões Nunes; os promotores de Justiça Dr. Artur Foster Giovanini, Dr. Estevan Sartoratto e o Dr. Wagner Aparecido Rodrigues não compareceram mais justificaram suas ausências por meio de ofícios.

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