*Segundo o comandante da 151ª Companhia, Tenente Bruno Neves, apesar da
ascendência criminal no Brasil, Três Pontas está bem em termos de segurança

Ao encerrar o ano de 2016, os números mostram que em termos policiais, Três Pontas e o município de Santana da Vargem, que pertence a 151ª Companhia de Polícia Militar, o trabalho foi positivo, e a violência na contramão do que ocorre em todo o Brasil e em Minas Gerais.

A Polícia Militar efetuou 1.397 prisões em 2016 e o número de reincidentes, aqueles que foram presos mais uma vez, passa dos 50%. São mais de três pessoas presas por dia, incluindo as apreensões de menores, mandados, recaptura e prisões pelos mais variados crimes.

Tenente Bruno Neves faz balanço de 2016
Tenente Bruno Neves faz balanço de 2016

De acordo com o comandante da PM Tenente Bruno Neves Tavares, o balanço é positivo e está dentro das metas pactuadas pelos no Acordo de Resultados. Dentro dessa temática existe um acompanhamento da criminalidade, sobre delitos de maior impacto e que causam, também, maior insegurança social pelo desfecho que desencadeiam.  Esse acompanhamento cientifico da criminalidade que utiliza a analise criminal e modelos de policiamentos voltados para a prevenção do delito se estendem também aos crimes não violentos, os quais impactam diretamente na sensação de segurança: furto, ameaça, entre outros.

As metas pactuadas têm por base o ano anterior, 2015 e o trabalho é sempre buscas a redução da incidência criminal ao estabelecermos os indicadores de segurança publica. Em 2016, ela manteve-se elevada em todo país. Três Pontas é uma cidade de índice criminal muito baixo quando temos por base a media em todo Estado de Minas Gerais.

Roubos não fugiram do controle policial

No caso do crime de roubo, ele ainda apresenta uma pequena redução, sendo que outras localidades isto só vem crescendo. Ano passado foram 76 entre roubos tentados e consumados e até esta terça-feira (27), foram 66, ou seja, 10 a menos.

Tenente Bruno destaca que além da redução no numero ocorrências do roubo tentado e
consumado, há outra metodologia usada pela polícia que é a repressão qualificada face aos crimes de roubo, ou seja, são varias as ações e operações realizadas pela Policia Militar que objetivam especificamente conter essa incidência, objetivando principalmente a prisão do autor de crime. “O indivíduo comete um crime e depois não para e perpetra uma série até ser preso. O que freia isto é somente a prisão do criminoso”, esclarece. “A repressão qualificada feita pelos policiais militares no crime de roubo aqui foi muito alta, acima dos 60%, nos crimes dessa natureza. Se não ocorrem as prisões, ou seja, se a sociedade não tem uma resposta os números seriam bem mais altos. O roubo tentado é registrado como no caso do assalto a uma loja de conveniência, na Rua XV de Novembro no dia 28 de novembro, no bairro Catumbi. Neste caso a polícia obteve informações privilegiadas de um assalto, acabou evitando o crime e prendendo dois dos suspeitos.

Homicídios foram os fatores negativos

Algumas questões de crimes violentos, como os homicídios registrados este ano preocupam, mesmo sendo um numero baixo em termos estatísticos, pois a Policia Militar trabalha visando preservação da vida, nosso bem maior. Qualquer homicídio é extremamente negativo para nossa estatística, tanto é que o único resultado que comemoramos é a incidência “zero” a exemplo do que ocorreu em 2015, em que na realidade ficamos por mais de 500 dias sem homicídios e a 6 anos sem homicídios praticados com arma de fogo, o que nos rendeu o título de ser a única cidade mineira entre as dez do Brasil a ficar por mais de três anos sem homicídios praticados por arma de fogo.

A Polícia registrou três homicídios em Três Pontas em 2016. Dois deles praticados por armas de fogo, resultado de brigas e atritos entre vizinhos, no bairro Bom Pastor e no Santa Inês, respectivamente. O terceiro, por causa de uma quantidade de dinheiro que os suspeitos imaginaram que a vítima teria dentro de casa. Estes foram os fatores negativos na nossa estatística, porém, para uma população de mais de 56 mil habitantes o incidência é relativamente baixa.

A violência que chocou os trespontanos

Em julho, no bairro Bom Pastor, o motoboy Renato Batista de 28 anos foi morto na porta de casa com um tiro na cabeça. O disparo teria sido  efetuado pelo seu vizinho, Alessandro Pereira dos Reis de 45 anos, por causa da altura do som da casa de Renato. O suspeito fugiu e até hoje não foi preso.

Em agosto, mais um desentendimento entre vizinhos terminou com a morte do comerciante Ademar Borges Barbosa de 41 anos, morto a tiros no quintal de casa no bairro Santa Inês. O motivo seria a disputa por um terreno. O acusado fugiu e se entregou dias depois na Delegacia de Policia Civil. O eletricista José Maria de Gouvêa de 67 anos está preso em Três Pontas.

No dia 15 de novembro, no bairro Santa Edwirges, um lavrador de 57 anos foi assassinado dentro de casa por dois “amigos” que estavam bebendo com ele. André Batista de Oliveira de 30 anos e Francinei Rodrigues de 23, atacaram Vitor Luis de Oliveira. Francinei pegou uma faca e esfaqueou o lavrador porque não ele teria entregado a eles uma quantia em dinheiro que a dupla suspeitava que Vitor teria em casa. Ambos foram presos em seguida, um deles dentro do guarda roupa da residência.

Os homicídios como aponta Tenente Bruno, são os crimes que mais geram a sensação de insegurança, porque se trata do bem maior tutelado, a vida.

Tráfico de drogas

O tráfico vem crescendo e na opinião do comandante da PM, isto tem muito a ver com a grande quantidade de usuários. Quando se trata deste assunto, é bom lembrar que os usuários estão pulverizados em todas as classes sociais, pois é comum quando se fala em usuário de drogas as pessoas associarem aquela figura conhecida como “nóia”! E não é bem assim, a realidade é bem diferente.

A quantidade de drogas que vem aportando na cidade é grande, informa o Tenente, fruto da quantidade de usuários. “São eles que financiam e bancam o tráfico de drogas, mas não são tratados como delinquentes e sim como uma questão de saúde pública, o que demonstra
a falta de um aparato da lei uma vez que não existe nenhum tratamento”, opina.

Esse ano foram 228 ocorrências por uso de drogas, contra 189 em 2015, 69 somente de tráfico. Um número bem parecido com 2015, quando foram 71. Em 2016, 81 pessoas foram presas acusadas de tráfico.

Explosões de caixas eletrônicos em Santana da Vargem está entre os crimes que mais chamaram a atenção

A explosão de caixas eletrônicos, em duas agências bancárias em Santana da Vargem em uma única ação, em junho foi um dos grandes destaques de 2016. Principalmente por causa da ousadia dos bandidos que fizeram pessoas que estavam em uma lanchonete de reféns, servindo como escudo para evitar uma ação policial. Os bancos que ficam no Centro ficaram bastante destruídos e o poder de fogo do bando causou clima de tensão.

Voltando à cidade sede da Companhia, prisões de criminosos que cometeram assaltos em Três Pontas geraram comentários positivos quanto a eficiência da Policia Militar. É o caso da prisão de Rafael da Silva Julião 21 anos e Fagner Araújo Silva de 22, que assaltaram uma comerciária de 25 anos e levaram seu carro, quando ela chegava em casa junto com sua filha, no bairro Ouro Verde, durante a tarde. A dupla usava uma arma de brinquedo e foi presa na zona rural de Campos Gerais, depois de mais de seis horas de buscas.

Outro que também repercutiu, foi o assalto a uma loja de conveniência de um supermercado na Rua Nossa Senhora D’Ajuda, em um horário de movimento, no começo do mês. Nicolas da Cruz Pinheiro (22) e um adolescente de 15 invadiram o estabelecimento usando capacetes e levaram todo o dinheiro dos caixas. Nicolas estava com um adolescente de 15 anos. A dupla foi presa depois de pararem em um restaurante no Centro e comprarem pizza e bebidas para comemorarem o sucesso do assalto. Foram recuperados R$2.280,00, a pistola que eles usaram que era de brinquedo e foram apreendidas várias munições inclusive de fuzil. Eles também confessaram ter assaltado uma loja de departamentos na Avenida Ipiranga, no Centro em novembro.

A onda de furtos ao Cemitério Municipal parece ter tido fim, depois que a PM prendeu dois rapazes de Machado (MG), com uma grande quantidade de peças sacras do Cemitério Municipal. Os crimes se tornaram rotina, mas no início do mês, depois que uma vizinha escutou os barulhos vindos de dentro do Cemitério, a polícia conseguiu prendê-los em Varginha. Dennys de Almeida Azevedo de 42 anos e Juliano Antônio Leite de 37, foram presos com o carro cheio das peças.

Número de armas artesanais e simulacros usados em crimes dispara

Uma das metas que a PM precisa cumprir é também em relação a apreensão de armas de fogo. A maioria delas foi no começo do ano, mas elas diminuíram ao longo dos meses. Em 2015, foram 28 e este ano até agora 22. Porém, em 2016, a grande maioria delas foi retirada das mãos de criminosos em ação policial.

O que chama a atenção é a grande quantidade de simulacro, ou seja, as armas de brinquedos e de fabricação artesanal. A apreensão delas foi até maior do que um armamento de verdade e está sendo muito usado em assaltos, como no carro do assalto no bairro Ouro Verde, onde as pistolas pareciam bem ser de verdade. “As armas de fogo estão escassas no meio do crime e o número de simulacro está maior”, alertou Bruno Neves.

Mudança estrutural da Companhia

Através de parcerias e apoio, inclusive da própria equipe de militares, foram feitas grandes mudanças na estrutura da sede da Companhia. A melhoria está visível, oferecendo mais segurança aos militares e um atendimento melhor à população para ser recebido no Quartel. Ainda falta concluir algumas questões visuais, mas em breve a Unidade deverá ser inaugurada.

Novos projetos para 2017

Em 2017, o comandante da Companhia não esconde que será um ano de dificuldades, por conta da defasagem no seu efetivo. Este déficit só deve ser resolvido após a formatura de novos policiais no final do primeiro semestre. Mas, Tenente Bruno confia na atuação abnegada de seus militares para superar as dificuldades e continuar garantindo a segurança dos trespontanos e vargenses.

A partir de janeiro, novos projetos serão colocados em prática, como operações de combate a criminalidade. Assim serão implementadas novas atividades e estratégias dentro do conceito institucional de Inteligencia de Segurança Publica, que tem por finalidade coletar e buscar dados, produzindo conhecimentos estratégicos, táticos e operacionais com vistas a antecipar a eclosão do delito e permitir à polícia planejar o emprego e lançamento de seu efetivo e meios com cientificidade, possibilitando a prevenção e repressão qualificada. “Estamos informatizando e capacitando cada vez mais a Companhia PM usando recursos tecnológicos para combater a criminalidade e inovar alguns processos visando, em partes, compensar a perda de efetivo, tendo em vista que as informações produzidas irão potencializar o lançamento do efetivo policial no teatro de operações. Haverá uma série de mudanças para mantermos os índices de Três Pontas”, concluiu.

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