O anúncio da autorização dada pelo Papa Francisco, à beatificação do Venerável Padre Victor mexe com toda a Cidade de Três Pontas. Setores do Município já começam a se movimentar para a grande festa de fé, demonstrando aquilo que todos já reconhecem e lutam para que a Igreja adote também o Anjo Tutelar de Três Pontas como um Santo Sacerdote.

Um dos segmentos que precisa se arranjar, com o crescimento no movimento de devotos e turistas, é o comércio. “É uma grande oportunidade que a Cidade terá de abraçar esta fonte de receita imensurável e extremamente significativa. O maior gerador de receita no mundo é o turismo, principalmente o religioso”, opina o presidente da Associação Comercial e Agro Industrial de Três Pontas, Michel Renan Simão Castro, que já viajou para diversos lugares do mundo e traz a sua experiência.

Quem chega precisa ver que todos estão unidos e imbuídos em recepcioná-lo bem. As pessoas não se preocupam em pagar um valor expressivo para ser bem atendido e isto exige estrutura. Elas importam é as vezes pagar pouco, ou quase nada e serem mal atendidas, o que afugenta e faz com que os visitantes não voltem mais.

A experiência de já ter ido a Fátima, em Portugal, em Guadalupe no México e algumas vezes em Aparecida (SP), o faz ter a certeza de que é preciso ser criada uma estrutura, capaz de não travar o dia a dia do Município e mexer com a rotina da Cidade. “Os moradores não podem a rotina alterada em função do patamar que o processo de beatificação alcançou, sabendo que a visitação será cada vez mais crescente. Os romeiros precisam ter condições de vir, encontrar tudo funcionando com algo oferecer”, avalia. No caso de Fátima, por exemplo, que tem 17 mil habitantes chega a recebe 300 mil pessoas no dia e a rotina continua a mesma, pois tudo foi muito bem planejado.

Michel se posiciona contrário a quem doa comida para romeiros. Na visão dele, foge a realidade e entidades poderiam ser ajudadas
Michel se posiciona contrário a quem doa comida para romeiros. Na visão dele, foge a realidade e entidades poderiam ser ajudadas

Uma questão polêmica é quanto as doações que os trespontanos servem café, água e pão aos devotos que aportam em Três Pontas. Michel se posiciona contrário a quem faz isto, o que na visão dele, foge a realidade. “O turista que vem não está vindo para ganhar comida, ou pão, a data não é apropriada para doação. É preciso aproveitar desta condição privilegiada que a Terra de Padre Victor tem para gerar riquezas, que certamente serão devolvidas a favor do povo”. No entendimento do empresário, é oportunidade de se arrecadar e investindo este dinheiro em muitas áreas, inclusive na infra estrutura da Cidade. Aos que querem fazer promessas, o empresário sugere que dê às entidades como Vila Vicentina, APAE, Carmelo São José e tantas outras.

A partir de 2014, a ACAI conseguiu que o dia 23 de setembro fosse ponto facultativo, dando a liberdade aos comerciantes que quiserem, abrir suas portas no feriado municipal. Assim, o visitante pode conhecer o comércio local e voltar em outra oportunidade. A justificativa ainda por estar funcionando os estabelecimentos comerciais é de que, de 25% a 30% que não são católicos e outros 20% ou mais não são praticantes. O respeito a fama de santidade ao Venerável Padre Victor, deve ser mantido durante os 365 dias do ano e o dia da sua morte, não há o porque de não abrir as portas das lojas, para venderem mais.

Para receber a multidão que é anunciada a chegar, tanto na Festa de Setembro, como em Novembro, data pré definida para o rito de beatificação, é preciso se preparar. É óbvio que uma programação e um planejamento tem que ser preparado prá já e nada impede que ela, no caso a festa que cai em plena quarta-feira este ano, seja estendida e não apenas um único dia de pico.

A própria Associação Comercial já demonstrou que é parceira, sempre que chamada dos poderes públicos e daquilo que envolve e mexe com a Cidade. O presidente Michel Renan reforça mais uma vez que é preciso uma ampla discussão em torno de situações de geram divisões de opiniões. Uma delas é a feira que está atualmente instalada na Avenida Oswaldo Cruz, uma das principais vias de acesso ao centro e ligação para a saída de Três Pontas para a MG 167. “Não se pode interditar esta importante via, ficar a semana toda sem que os empresários trabalhem normalmente”, acrescenta. O movimento dos camelôs precisa ser revisto, minimizando os impactos causados aos empresários. O sistema de credenciais foi criado para que as pessoas que estivessem nas imediações pudessem sair ou entrar de carro na Avenida. “É de grande interesse nosso ajudar, porque o papel da ACAI é justamente este de fomentar o Município. Se o poder público nos chamarem, podemos ajudar, discutir e encontrar as melhores soluções, sem deixar isto para última hora”, reiterou.

Ainda sobre a feirinha que vende de tudo, é preciso colocar na balança os benefícios e malefícios provocados por ela, o que ela traz e qual a arrecadação de tributos e impostos. Como representante de uma classe, economicamente, Michel não se exime em opinar que ela não é viável, porque as pessoas vendem seus produtos e levam embora o dinheiro dos trespontanos e dos romeiros.

Alternativas podem ser criadas através da Associação Comercial que pode organizar uma feira, arrecadando à Cidade, já que o caráter da festa é religiosa e não comercial, mas a feira é de costume.

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