*Vinte cavaleiros deixaram Três Pontas na quarta-feira com destino a terra da Padroeira do Brasil para agradecer

A Nossa Senhora de Aparecida é a Santa Padroeira do Brasil, por isso, todo dia 12 de outubro é feriado nacional. Mas é durante o ano inteiro que peregrinos fazem romarias a caminho da cidade de Aparecida do Norte, no Vale do Paraíba, no interior do estado de São Paulo. Uma turma formada por 20 pessoas de Três Pontas e Boa Esperança montados em cavalos, saíram nesta quarta-feira (25), da Praça Cônego Victor de frente a Matriz de Nossa Senhora D’Ajuda, para esta longa caminhada, com o objetivo de prestar homenagem e devoção à Santa.

Após receberem as bênçãos na hora da saída, eles fizeram uma singela homenagem à saudosa ex-prefeita de Três Pontas Adriene Barbosa de Faria Andrade, contando à sua prima, a advogada Gisa Gamboggi uma passagem que o grupo teve com a primeira prefeita da Capital Mundial do Café, no dia 28 de fevereiro, em um restaurante da cidade. A sempre dócil, gentil e admirada por tanta gente Adriene pediu a eles, a gente conta ainda nesta reportagem.

Esta cavalgada é diferente de todas as outras. Ouvindo as histórias de alguns dos participantes, é possível identificar que todos eles, sem exceção, tem na fé a maior força para seguir o trajeto, desfrutar das belezas naturais, fazer amizades e na chegada ao Santuário ver que tudo valeu a pena.

Em 2018, eles estão completando 16 anos juntos. O precursor é Leonardo Sandy Reis, o popular Gabilete. Ele ia todos os anos com uma turma, mas por causa de um problema de saúde em 2003, não pode ir. Ele decidiu no ano seguinte reunir os amigos e rumar à Aparecida em agosto. Agora vai todos os meses de abril. Um detalhe é importante. A cada ano eles fazem um trajeto diferente, nunca é o mesmo caminho. Por isto, dois meses antes, Gabilete faz o caminho de carro e mapeia tudo, inclusive os lugares para pernoitarem. Nos últimos três anos, eles completam a viagem em oito dias, percorrendo uma média de 40 quilômetros por dia. A maior parte do trajeto é feito na zona rural, raramente pegam rodovias asfaltadas. Os cavaleiros se alimentam cada dia com um cardápio diferente, preparado por dois cozinheiros que integram o grupo de apoio. Param a tardezinha para descansar e dormem em pousadas ou em fazendas de amigos. “A gente tem dois caminhões de apoio, que transportam uma cozinha, alimentação, colchão, malas e utensílios. Uma grande preocupação é com os animais. Dois peões ficam por conta de cuidar deles, com cavalos reservas, ração e celas”, detalha Gabilete.

Ele já se acostumou a organizar a cavalgada que é feita também para outros destinos. A entrevista foi feita no começo da noite desta quinta-feira e eles estavam em Campanha, no Sul de Minas. A expectativa é que o grupo só chegue na Basílica, em Aparecida, nesta próxima quarta-feira (02). Lá, eles assistirão a missa em agradecimento pela vida, pela saúde e por mais uma vez cumprirem a promessa.

O comerciante Rondinelli de Brito Gomes está no grupo há cinco anos. Dizendo ser uma pessoa de muita fé, sua devoção é em Nossa Senhora Aparecida, o Beato Padre Victor e a Serva de Deus Nossa Mãe. Quando sua mãe adoeceu, ele fez uma promessa de ir a Aparecida. A partir daí, se comprometeu a ir todos os anos e os amigos fazem questão que ele vá com eles. Durante estes oito dias, eles se juntam em oração, agradecem e pedem a proteção divina para seguir o caminho.

A emoção aflora a cerca de 100 quilômetros antes, quando eles conseguem enxergar a Basílica. “É uma recompensa enorme. Nos dá uma paz interior muito grande e depois o nosso começa a ser diferente, porque estamos abençoados”, revela Rondinelli.

O empresário Paulo Eduardo Fasano vai a quatro anos e diz que é uma experiência gratificante. Ele destaca como fundamental, desfrutar da companhia dos amigos, conhecer novas pessoas e o contato com a natureza, passando por regiões muito bonitas, que culmina com a chegada em Aparecida, que é um momento de reflexão e agradecimento pela vida. “É bastante cansativo, não deixa de ser um sacrifício de cada um de nós, mas que vale a pena e não há do que se arrepender”, revela Paulo Fasano.

Rondinelli fez questão de expor pela primeira vez uma passagem que o grupo de cavaleiros teve com a saudosa ex-prefeita de Três Pontas, Adriene Andrade.  Trespontanos e esperancenses estavam reunidos em um restaurante no Centro, para tratar da organização da cavalgada. Foi quando Adriene chegou, com seu jeito sempre gentil e doce de tratar as pessoas cumprimentou a todos, e sem saber o que eles faziam lá, disse que ficou feliz de ver a união de gente das suas duas cidades – sua terra natal e o município que a adotou. Eles contaram sobre a cavalgada e sorrindo Adriene fez um pedido: que rezassem a ela uma Ave Maria, quando concluíssem o trajeto. Rondinelli respondeu que faria a oração dez vezes e assim irão, atendendo ao pedido dela, porém, não imaginavam que ela não estaria mais neste mundo terreno.

A ex-prefeita de Três Pontas e Conselheira do Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG) Adriene Barbosa de Faria Andrade morreu na segunda-feira (16) em São Paulo (SP). O corpo dela foi velado em Três Pontas e sepultado na sua terra natal, Boa Esperança no dia seguinte. Adriene lutava contra um câncer.

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