A Prefeitura de Três Pontas fez cumprir pela primeira vez a autorização que tem da Justiça e entrou nesta quinta-feira (09), limpando tudo em uma residência na Rua Pernambuco, no bairro Santa Edwirges, por causa da epidemia de Dengue.

As equipes se reuniram cedo próximo da casa e o morador só soube da iria acontecer quando chegaram as máquinas e caminhões usados para fazer a limpeza. O trabalho foi realizado por servidores da Secretaria Municipal de Transportes e Obras, de reeducandos do Presídio da Cidade, acompanhados de servidores da Vigilância Ambiental e do fiscal de posturas do Município. Demorou para o morador Donizeti Miranda de 58 anos entender. Ele inclusive chamou seu advogado, mas não teve jeito. A Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal (GCM) foram acionadas para que o serviço começasse.

Era tanta coisa no quintal quando os servidores chegaram, que foi preciso retirar veículos estacionados lá dentro de do lado de fora para conseguirem trabalhar
No meio de tanta bagunça, havia vários locais que abrigavam as larvas do mosquito da Dengue

Era tanta coisa espalhada pelo quintal na frente casa que estava difícil até para andar. Quatro carros, várias motos e um caminhão estavam no terreno. Havia mais dois caminhões e carros abandonados estacionados também do lado de fora.

O senhor Donizeti Miranda não quis gravar entrevista com a imprensa, disse apenas que vende estes materiais, que segundo ele está avaliado em R$50 mil, mas a prefeitura e vizinhos disseram que ele só vai acumulando tudo na porta de casa.

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Até na água do cachorro havia larvas do mosquito

E o problema é antigo. Há pelo menos 10 anos, a Prefeitura busca resolver amigavelmente esta situação denunciada pelos moradores.

O fiscal de posturas Leandro Vilela da Silva “Mussum” (foto) foi quem deu a notícia ao proprietário do imóvel. Ele afirmou aos veículos de comunicação que o local é um depósito de material reciclável a céu aberto, porém, havia muito mais coisas do que isto. “A gente vinha aqui e tentava explicar a ele, que era preciso armazenar isto em um galpão coberto, mas ele nunca nos ouviu. Colocava o cachorro aqui próximo da entrada para que o agente não entrasse. Hoje estamos cumprindo uma determinação judicial que foi dada para entrarmos em todos os locais necessários”, acrescentou o fiscal.

A medida que a limpeza era feita, os focos do Aedes aegypti iam aparecendo. Foi só começar o serviço que as larvas começaram a aparecer – recipientes de plásticos, latas, garrafas, tambores, eletrodomésticos, ferragens, diversas peças de veículos, principalmente em pneus e lonas. Até na água, toda esverdeada, que um cão bebia havia larvas do mosquito transmissor da Dengue. Todo os veículos e os materiais recolhidos foram levados para um pátio da Prefeitura. Vizinhos comemoraram a iniciativa e muitos disseram que não aguentavam mais a situação.

De acordo com o médico veterinário da Vigilância Ambiental Marcelo de Figueiredo Gomes (foto abaixo juntos com os PM’s) especificamente neste imóvel não há como fazer os agentes de endemias fazerem uma inspeção. A dificuldade é ainda maior porque um cão fica preso na porta de entrada do terreno.

20O médico acrescenta que a situação é extraordinária e o Município assim como diversos outros, enfrentam uma epidemia, a doença mata e é hoje umas das piores situações de saúde pública no Brasil. Ele reintera que o ideal seria se todos cuidassem de suas residências, pois o maior fiscal é o próprio morador, o primeiro a ser picado pelo mosquito, mas há vários imóveis da cidade que estão oferecendo risco, armazenando a larva do mosquito devido a quantidade de sujeira. Por isto, a necessidade do mandado judicial que será cumprido, anuncia, em toda a Cidade, por descumprirem normas sanitárias essenciais no combate a Dengue. O local contraria diversas normas do Código de Postura Municipal, situação que não pode persistir, ainda mais neste período de alto risco de transmissão da doença. A ação visa garantir a saúde da população.

A cidade já registra em 2015, 525 casos suspeitos (notificados) e 89 confirmados. Uma morte em janeiro já foi constata e outra está sendo investigada. De janeiro até agora, já são três vezes mais casos do que durante todo o ano de 2014.

Na região do bairro Santa Edwirges, existem diversos casos suspeitos e confirmados de Dengue, que apesar do combate e das campanhas de conscientização só vem aumentando. Mesmo realizando o fumacê, com bombas postais diariamente isto se torna insuficiente diante de hábitos como este morador. A Secretaria de Saúde já solicitou a intervenção do Governo do Estado, para que envie como apoio a Secretaria Municipal mais uma caminhonete equipada para fazer o fumacê.

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Prefeitura pode entrar a força nas residências

A Secretaria de Saúde recebeu autorização para que agentes de saúde possam entrar à força em residências, mesmo se algum morador recusar a receber os fiscais de saúde. A decisão tomada a pedido do Município e assinada pela juíza de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Três Pontas, Dra. Aline Cristina Modesto da Silva, é válida durante os próximos quatro meses. Residências, estabelecimentos comerciais, imóveis desabitados, fechados, abandonados ou com acesso não permitido pelos moradores, podem ser fiscalizados e limpos a força, para fazer uma fiscalização e combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue.

A Secretaria de Saúde informou que mais de 80% dos focos estão nas residências. Os números confirmam que a medida é necessária, já que já foram só este ano 525 casos notificados e 89 confirmados, com um óbito confirmado e outro sendo investigado.

Os moradores que quiserem denunciar podem entrar em contato com a Ouvidoria Municipal, que fica no Centro da cidade ou ligar para a Coordenação de Vigilância Ambiental. O número é 3266-2263.

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