SABADO 13 HORAS: Ruas do centro estão desertas

Comerciantes não estão contratando profissionais temporários neste fim de ano e demissões serão inevitáveis nos primeiros meses de 2014

Denis Pereira – A Voz da Notícia

A lei que começou a ser cumprida há 30 dias em Três Pontas, que determina o fechamento do comércio as 13 horas aos sábados ainda gera polêmica, apesar de todos os estabelecimentos estarem cumprindo as determinações. Imagens registradas pela Equipe Positiva da cidade após o horário de almoço mostram portas fechadas e ruas completamente vazias. Nem mesmo padarias e estabelecimentos que não se enquadram na determinação estão sentindo os reflexos negativos. A lei de 2010 foi criada pelo vereador Antônio Carlos de Lima “Antônio do Lázaro” e foi aprovada por nove votos na Câmara – Alessandra Sudério, Catarina do Nascimento, Geraldo Alves, José Henrique, Sérgio Silva, Sebastião Pacífico, Érik dos Reis e Luis Carlos. Na sessão, o vereador José Darcy não estava presente.

VEREADORES FAVORÁVEIS

A Associação Comercial e Agro Industrial de Três Pontas (ACAI-TP), ainda faz levantamentos e um estudo para mostrar que a situação piorou. No próximo dia 19 de dezembro, a entidade vai reunir apenas empresários, filiados ou não para mostrar que a situação é complicada e o movimento do comércio caiu.

Segundo o presidente Michel Renan Simão Castro, as pessoas que por exemplo, moram nas comunidades rurais, que hoje somam cerca de 6 mil habitantes estão deixando de consumir, ao contrário do que as alguns alegam, Michel afirma que consumidores não estão trocando lojas pelos supermercados. Elas já tem os lugares habituais, com crediários e condições talvez não oferecidas pelos supermercados. “A venda para quem mora na zona rural ainda é bastante significativo. E ainda tem alguns empresários que dizem que não este tipo de cliente na sua loja o que é um grande engano”, disse.

Michel se posicionou contrário ao fechamento mais cedo desde o início. Com o passar do tempo, enxergou que o maior problema foi a falta de diálogo. Ele não concorda que o atendimento no sábado seja até 18 ou 19 horas. Para ser justo, explica, nos dois primeiros fins de semana do mês onde há um índice maior de vendas, as 16 horas seria o horário ideal. Nos demais, 14 ou 15 horas poderia ser aplicado. “Se tivéssemos desde o começo planejado melhor, e tido uma flexibilização do horário não teríamos os problemas que estão causando e os que ainda estão por vir”, anuncia.

Michel faz um alerta para que comerciantes façam cumprir a lei, seguindo a jornada de trabalho e fazendo o pagamento de horas extras, evitando penalidades. Aos colaboradores pediu que reflitam, pois, se o empresário ou comerciante não tiver venda ele certamente perderá o emprego. Novembro foi um mês de poucas vendas e dezembro já demonstra que não haverá contratações como em anos anteriores. Em 2012, havia uma demanda de 120 vagas temporárias na Associação. Neste ano, há apenas uma vaga em um estabelecimento.

Comerciantes completaram 30 dias de insatisfação com a lei do comércio
Comerciantes completaram 30 dias de insatisfação com a lei do comércio

Quem tem estabelecimentos nos bairros sente que perdeu 50% das vendas, já que era sábado a tarde o horário de pico, quando moradores da zona rural e donas de casa tem o tempinho para ir na Ivone Confecções que fica no bairro Padre Vitor. Ivone de Fátima Batista Lauredo está no comércio há 23 anos e pela primeira vez temerosa e segundo ela, até as suas seis funcionárias estão com medo de perder o emprego, conseqüência da queda nas vendas. Fechando mais cedo aos sábado, nem mesmo quem ia a loja para pagar as contas no crediário está aparecendo. “Colocaram a lei em prática numa época muito ruim e de forma muito rápida. Deviam esticar pelo menos até as 16 horas”, explica a comerciante.

Fechando as lojas as 13 horas, os funcionários estão impossibilitados de almoçarem, sem falar que tem deixar o estabelecimento arrumado para a segunda-feira. Certa de que o reflexo virá de janeiro a março de 2014, Ivone adianta que com as contas de todo começo de ano, será inevitável um rodízio de funcionárias e demissões.

Até mesmo estabelecimentos que podem ficar abertos normalmente estão reclamando que a cidade está ficando deserta aos sábados. É o caso do dono da Padaria Boca do Forno, Eduardo Reis Parreira. A 24 anos no comércio e hoje com 55 funcionários, muitos estão ficando parados depois que os outros estabelecimentos fecham. Com o projeto de lei aprovado em 2010 na mão e com o controle de senhas distribuídas no balcão de atendimento, ele contabiliza 28% na queda das vendas, fora as televendas e a lanchonete que não estão inclusas. Revoltado, Eduardo disse que cometeram um crime e que ao fazer as demissões que serão necessárias ele vai pedir que seus funcionários procurem os vereadores que aprovaram a lei. Antes disso, o comerciante já pensa em fechar mais cedo, as 19 horas ao invés das 21 horas. “Normalmente todo ano nós contratamos de 4 ou 5 funcionários, mas infelizmente estamos esperando janeiro começar para fazermos cortes no nosso quadro”, lamenta Eduardo.

Um dos comerciantes mais tradicionais da cidade está no mercado há 38 anos. Tem uma vasta experiência por já ter sido presidente da Associação Comercial durante 9 anos. Sebastião de Fátima Cardoso não esconde sua insatisfação desde o início porque já sabia que o reflexo seria enorme e muita gente que apoiou o fechamento está sofrendo as conseqüências de colocar em prática uma lei da noite para o dia, sem estudos, as vésperas das festas de fim ano, quando o comércio vive a expectativa de vender mais e fechar o ano no azul. A perda nas suas duas lojas chega a 30% no faturamento. “Já vivemos um ano difícil por várias circunstâncias, entre elas o preço do café”, relata Tiãozinho Vermelho. Segundo ele, os próprios clientes estão reclamando ainda mais quem mora na zona rural, que agora tem um curto espaço de tempo para fazer suas compras.

Ele acrescenta que é cumpridor de lei, mas também comunica que vai haver demissões no primeiro trimestre de 2014, já que não pode ficar com funcionários ociosos nas lojas.

Otimista, Tiãozinho espera que o mês de dezembro seja melhor, já que novembro foi tenebroso. Por outro lado, critica a falta de fiscalização que não pode ser diferente, já que a lei foi feita para todos cumprirem. Isto porque uma rede de lojas abriu domingo até as 15 horas e nada aconteceu. Contam com cerca de 30 funcionários, espera que a situação seja revistas e haja uma flexibilização.

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