O brasileiro Rafael Tiso, 31, foi condenado nesta terça-feira (1º) pela Corte Criminal Central de Dublin, na Irlanda, a 13 anos de prisão. O mineiro, de Três Pontas (MG), foi considerado culpado de ter estuprado uma jovem irlandesa de 23 anos em meados de janeiro, deixando-a com ferimentos graves.

O caso não cabe recurso, já que Tiso admitiu ter cometido o crime. No país, estupro é o segundo delito mais grave depois de homicídio, podendo levar à prisão perpetua.

Câmeras de segurança capturaram Tiso, que trabalhava como rickshaw (transporte de pessoas com bicicleta), saindo com a vítima de um clube noturno em Dublin, na capital irlandesa. Segundo a justiça, o rapaz abusou da jovem, que estava sob efeito de álcool e drogas, e a deixou jogada na rua, totalmente inconsciente. Logo depois, retornou ao bar onde estava para beber com os amigos.

“Foi um crime cruel perpetrado contra uma jovem em estado vulnerável. A vítima foi descartada em uma situação chocante e sofreu não só danos físicos, mas também psicológicos”, disse a juíza Isobel Kennedy na Corte Criminal Central da capital irlandesa.

Cerca de uma hora após o crime, a moça foi encontrada na rua por um transeunte, que logo acionou o socorro médico. No hospital, segundo a justiça irlandesa, a moça teve de passar por procedimentos cirúrgicos, pois havia sofrido diversas lacerações. Segundo relatório médico, ela não lembrava de nada do que havia acontecido.

Defesa

A defesa de Tiso, feita pela promotora Caroline Biggs SC, alegou que ele estava tomando medicamentos para ansiedade, pois tinha uma carga horária sobrecarregada no trabalho. ”Por causa disso, ele estava fora de si na noite do crime”, disse Biggs na Corte Criminal.

Tiso, que é formado em Administração de empresas e tem MBA em Mercado Financeiro, chegou na Irlanda em 2015. Em uma entrevista dada a um blog de viagem na época, ele disse que “intercâmbio sempre foi um sonho desde a faculdade”. Ele residia em Dublin, onde trabalhava transportando pessoas de bicicleta pela cidade, uma profissão conhecida como rickshaw.

Procurado pelo G1, o Itamaraty disse que acompanha o caso por meio da embaixada em Dublin desde fevereiro quando foi informado da prisão do brasileiro, e que presta assistência consular a ele e seus familiares. Mas não deu mais informações, afirmando que “não está autorizado a divulgar informações sobre nacionais aos quais presta assistência consular”. O G1 também procurou o tribunal na Irlanda, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Casos

De acordo com a polícia irlandesa, 536 casos de estupros aconteceram no país neste ano, número 13% superior ao mesmo registrado em 2015. São quase dois crimes por dia. Cerca de 10% das 750 mil mulheres irlandesas, segundo o SAVI Report (relatório de abuso sexual e violência na Irlanda), foram estupradas ao longo de suas vidas.

Nas escolas, segundo pesquisa divulgada em fevereiro deste ano pela Union of Students in Ireland (União dos Estudantes da Irlanda, em tradução livre), uma em cada doze meninas foram vítimas de estupro. Cerca de 35% disseram, ainda, que os casos aconteceram diversas vezes.

(Fonte: Uol, G1 Sul de Minas)

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