A primeira dama Maria de Fátima Rabello, o prefeito Paulo Luis junto aos membros do Conselho da Mulher, efetivado em maio de 2014
A primeira dama Maria de Fátima Rabello, o prefeito Paulo Luis junto aos membros do Conselho da Mulher, efetivado em maio de 2014
A primeira dama Maria de Fátima Rabello, o prefeito Paulo Luis junto aos membros do Conselho da Mulher, efetivado em maio de 2014

A vereadora Valéria Evangelista Oliveira (PPS), cumpre seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Três Pontas. Sua disponibilidade e presteza em ajudar, a fez assumir cargos importantes, como o Conselho Municipal de Defesa das Mulheres.

O órgão que auxilia o poder público já existe no papel há 10 anos, mas na prática está comemorando neste mês de maio um ano de trabalho. As ações desenvolvidas nestes últimos 12 meses, o faz ser reconhecido como um dos mais atuantes. Desde que assumiu a cadeira na Câmara, ela se empenhou e conseguiu implantar no Município a Escola do Legislativo “Maria Rogéria de Mesquita – Dona Rogéria” criada na 17ª Legislatura, a qual ela é presidente.

A Valerinha como é chamada na escola e também no meio político, contou em entrevista esta experiência de cumprir seu papel de mãe, de enfrentar os desafios de ser mulher-política, presidente da Escola do Legislativo, acumulado a sua profissão de professora.

Vereadora Valéria Evangelista - presidente do Conselho da Mulher e da Escola do Legislativo
Vereadora Valéria Evangelista – presidente do Conselho da Mulher e da Escola do Legislativo
ENTREVISTA 

Valéria, como é para você presidir o Conselho Municipal das Mulheres?

É uma grande responsabilidade. Trabalho com empenho para que sejamos socialmente iguais, mesmo sendo humanamente diferentes, pois o Conselho já existia em lei desde maio de 2005, através da lei 2.565 mas não funcionava até nossa chegada à Câmara. Agora foi colocado em prática. Foi necessário uma nova lei de criação e implementação, uma vez a que tínhamos já não contemplava as necessidades e os prazos para sua instituição estavam defasados.

Quais as principais ações você destacaria neste um ano?

Trabalhamos as ações sempre com montagem de agenda para que todos possam participar. Destacaria a vinda do mamógrafo móvel, unidade móvel de atendimento às mulheres vítimas de violência (ônibus rosa) em 2014, informação às mulheres e à população em geral através de palestras, seja de saúde, direitos, beleza, autoestima, segurança, estudo e divulgação da Lei Maria da Penha e sua aplicabilidade, caminhada com atos de gentileza às mulheres, arte para as mulheres com feira de artesanato. Além de todas estas ações, tivemos a participação nas campanhas de saúde: combate à dengue, outubro rosa/ prevenção ao câncer de mama, novembro azul/ prevenção ao câncer de próstata (neste caso há a necessidade de interferência da mulher para conscientização do homem), Dezembro Vermelho (prevenção da AIDS), fortalecimento da rede de atendimento às mulheres, pois todo o trabalho há o envolvimento das Secretarias Municipais, demais Conselhos Municipais e sociedade civil lembrando sempre de trabalhar também a espiritualidade, toda agenda inclui missas e cultos.

Qual o balanço você faz do trabalho do Conselho?

O trabalho deste primeiro ano foi intenso, com acertos e avaliação em toda atividade realizada. Houve um fortalecimento da rede de atendimento às mulheres e familiares vítimas de violência, através da união de esforços da Secretaria de Assistência Social, à qual o Conselho está ligado, CRAS, CREAS, Secretaria de Cultura, Saúde e Educação.

Você é mãe, esposa, professora e vereadora. Como você consegue separar e dar conta de todas as tarefas e compromissos?

Consigo, mesmo sendo mãe, esposa, professora e estar como Presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher, ainda como Presidente da Escola do Legislativo, Vereadora, etc. A situação da mulher hoje na sociedade, assim como a minha, é uma elevada carga de trabalho, com tripla ou mais jornada, contudo,  procuro estar presente , seguindo agenda. Em todas as tarefas também, já acostumei a iniciar e terminar e sempre trabalho assumindo os compromissos com amor e dedicação. Com certeza todos a minha volta colaboram muito.

Como é para uma mulher estar na Câmara onde os homens são a maioria?

A participação política da mulher se consolidou nas últimas décadas como uma realidade crescente e irreversível. Na Câmara, a eleição e atuação das mulheres agregam qualidade e uma nova visão ao trabalho legislativo. Precisamos multiplicar os instrumentos institucionais para dar voz e tornar efetivo o trabalho desenvolvido por todas as mulheres em todos os setores não só na Câmara. É uma conquista, mas precisamos aumentar o ritmo de ocupação de cadeiras legislativas por mulheres, que na realidade está muito aquém das necessidades da representação feminina. Hoje ainda sofremos influências que os sistemas político-eleitorais e as organizações político-partidárias têm na construção de um mundo político como o nosso, de face excessivamente masculinizada.

Qual é o maior desafio?

Trabalhar sem recursos financeiros cumprindo as atividades e atribuições do Conselho, fazendo chegar até as mulheres os serviços que já temos à disposição e atender todas as demandas.

As mulheres ainda precisam vencer preconceitos e quebrar tabus?

Sim. Hoje à mulher não cabe mais somente o papel de esposa, mãe e dona de casa como foi durante um longo período de nossa história. Ampliou-se significativamente seu protagonismo na sociedade, mas a discriminação, preconceitos e tabus perduram, o que faz com que todas nós sigamos lutando pelos nossos direitos e, sem  dúvida, a grande vitória está relacionada a ocupação de espaços de poder sobre decisões públicas, que deveriam ser neutras em relação a gênero, e é marcadamente masculino, o que resulta em pouca sensibilidade no mundo político diante de assuntos importantes para a qualidade de vida das mulheres.

Considerações.

Quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando várias entram, muda a política. Que possamos desconstruir a cultura de discriminação e garantir a igualdade social entre homens e mulheres e assim, construir uma sociedade mais justa, verdadeiramente democrática, onde as mulheres ocupem os espaços políticos e de poder, proporcionalmente à presença e ao papel na sociedade e passe necessariamente por novas articulações sociais, políticas, culturais e econômicas. Que a comunidade possa reconhecer o Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher como um serviço a recorrer. Reuniões toda segunda e terça-feira de cada mês, às 14 horas, no plenário da Câmara. Todos estão convidados. Participem.

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