A construção de uma creche em Coqueiral se arrasta há mais de quatro anos e dificulta a vida de muitas mães que precisam trabalhar e não têm onde deixar os filhos. A nova unidade poderia aumentar o número de vagas no município, mas a prefeitura alega falta de verbas. O que se vê por lá são sinais de abandono. Até agora, já foram R$ 565 mil gastos na obra, que parece não ter fim.

A obra de construção da creche começou em 2011, depois que o Ministério da Educação liberou recursos. Mas, no ano seguinte, ela parou. Na época, a construtora alegou que o dinheiro era pouco e abandonou o projeto. Em 2013, uma nova tentativa foi feita, mas logo parou de novo por falta de verba.

“Agora no dia 8 de outubro passado, numa audiência com o presidente do FNDE, o Dr. Antônio Ildivan, ele nos recebeu muito bem, mostrou toda a documentação que ele tinha do município de Coqueiral e inclusive ele foi muito claro pra mim e as pessoas que estavam conosco na audiência: ‘Fico com muito pesar de não conseguir liberar recursos’. Resultado, a prefeitura não tem condição de tocar a obra”, disse Arnaldo Lemes Figueiredo, prefeito de Coqueiral

Coqueiral tem uma única creche para atender a comunidade. Nela, 30 crianças já estão matriculadas e encontrar uma nova vaga é tarefa díficil. Se não fossem as salas inacabadas do novo prédio, 120 crianças poderiam estudar por ali. No prédio de 526 metros quadrados, faltam vidros na janela e azulejos nas paredes. Segundo vizinhos, moradores de rua e usuário de drogas já começaram a invadir o local.

“Ficamos (com medo) porque a gente é vizinho né, mora perto aqui”, diz a dona de casa Silva Venâncio.

Para fazer a obra andar, a prefeitura decidiu leiloar um terreno e arrecadar R$ 385 mil.

“Infelizmente ou felizmente, não sei, porque nós temos o terreno, é a única maneira de levantar recursos para a conclusão da obra. Não existe porque o próprio Ministério da Eduação e o próprio FNDE estão impedidos pela Controladoria Geral da União de liberar recursos para a pró-infância”, disse o prefeito.

No entanto, para vender o terreno, a prefeitura precisa da autorização dos vereadores. Um projeto de lei já foi enviado para a câmara, mas os parlamentares acham o valor alto demais para uma obra que falta pouco para terminar.

“Cerca de 90% concluída, aonde vai investir mais de R$ 300 mil? Então isso nos chama muito a atenção. O setor jurídico está analisando a parte jurídica desse projeto. Após essa parte jurídica, vai vir para a câmara, as comissões vão analisar e aí sim vai ser tomada a decisão”, Reinaldo Siqueira, presidente da Câmara Municipal.

“Vai ser prestado conta minuciosamente. A prefeitura não tem nenhuma intenção de pegar dinheiro a mais. Esse recurso é único e exclusivamente para a conclusão da obra da pró-infância”, garantiu o prefeito.

Não há previsão para o retorno das obras. Segundo o presidente da câmara, Reinaldo Siqueira, não é possível estipular um prazo para a votação do projeto de lei do prefeito porque é preciso esperar a avaliação do departamento jurídico.

Fonte: G1 Sul de Minas

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