A população trespontana já deve ter percebido que o Grupo de Socorristas Voluntários, apelidados de Anjos da Vida não estão mais atuando na cidade. Desde agosto do ano passado, eles atuavam na prestação de serviços à comunidade buscando resgatar vidas, socorrendo acidentados de trânsito, cada vez mais frequentes no cotidiano da cidade. Formam os Anjos da Vida o empresário e instrutor de autoescola Frederico Alexandre Ribeiro, mais 8 pessoas. A equipe é formada por gente de diversas profissões, entre eles, alguns são profissionais da área da saúde.

comandante batalhãoA notícia que se tem em Três Pontas é de que o Corpo de Bombeiros de Varginha e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), estariam impedindo a atuação deles, o que não é verdade. Para saber melhor esta história, a Equipe Positiva foi até o 9º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Varginha. Lá fomos recebidos pelo comandante, o Major Giuvaine Barbosa Moraes, (foto)que desmentiu a informação e explicou a polêmica que envolve os Socorristas Voluntários.

Documentação solicitada não foi apresentada, diz Bombeiros

A determinação passada a eles, através de um ofício enviado a Prefeitura de Três Pontas é de que o serviço fosse suspenso até que fosse regularizado de acordo com as determinações vigentes. Todo serviço pré hospitalar móvel ele deve ser primeiramente registrado e movido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, precisa atender a Portaria 2.048 que determina quais os tipos de serviços, materiais e veículos que serão usados. A prefeitura assinou um Termo de Adesão Voluntariado em 17 de setembro de 2014, onde eles se dispuseram a auxiliar a Secretaria Municipal de Saúde na prestação de serviço de socorrista às pessoas acidentadas em Três Pontas.

E assim estava sendo feito. Na cidade, nas estradas vicinais ou até nas rodovias que dão acesso ao Município, com um carro identificando o serviço e até uniformes já estavam usando sempre presentes, prontos a ajudar.

Acontece que antes de entrar em ação, o Corpo de Bombeiros recebeu em 13 de outubro do ano passado, um requerimento de treinamento e capacitação para socorristas e brigadistas voluntários, assinada por Frederico Alexandre Ribeiro, idealizador do projeto, anunciando também iria atuar na cidade de Três Pontas.

A 1ª Companhia Operacional, como forma de melhor formatar o treinamento além de se certificar da seriedade e qualidade do serviço a ser prestado, emitiu ofício em que solicita para Frederico, cópia do estatuto que rege o grupo registrado em cartório, relação nominal de todos os participantes, contendo número de CPF e de RG, endereço, atual ocupação profissional, certificados de cursos de atendimento pré hospitalar que por ventura possuíssem, se possuem sede própria, telefone fixo de contato, relação dos materiais que dispõe para atendimento, escala de plantão, locais em que ficariam de prontidão, formas de manutenção, bem como release do trabalho que pretendiam exercer. Quando Fred voltou na sede dos Bombeiros, o comandante da 1ª Companhia Operacional, o Tenente Richelmy Murta Pinto o orientou da importância destes documentos para melhor desenhar o perfil de treinamento da equipe. Ele soube também da necessidade de um assessor jurídico participasse do grupo. A questão é que até hoje nenhum membro do Projeto SOS Socorrista Voluntário apresentou os documentos e mesmo assim, iniciaram as atividades. O Major Giuvaine Barbosa reforça que é preciso como qualquer órgão, entidade ou empresa, seguir normas, padronizadas no Brasil para o Serviço Voluntário. Para exemplificar, Barbosa lembrou que já aconteceu algumas vezes em serviços como estes, de atendimento pré hospitalar, de sumir algum material ou pertence da vítima. “Esta pessoa que vai atender assume a responsabilidade da vítima e do local até a chegada dos Bombeiros ou da Polícia Militar. Se sumir ou for furtado qualquer coisa, ela responde por isto e pode ser acionada na justiça”, alertou.

Corporação afirma que Socorristas fez procedimentos incorretos e em outro Município

Socorrista EditadoNeste período, relato de bombeiros militares e vídeos divulgados inclusive pela imprensa dos atendimentos prestados pelos voluntários, mostram que procedimentos usados não estariam sendo os corretos. Apesar de possuírem pranchas, colar cervical, por exemplo, num atendimento pré hospitalar a um casal que se acidentou na MG 167, entre Varginha e Três Pontas, (foto ao lado) o socorrista não consegue colocar o colar no pescoço de uma das vítimas, o que é básico, necessário e fundamental para manter a integridade da vítima. A ação realizada poderia enquadrar-se em negligência, imprudência ou imperícia, que inclusive poderia agravar o estado de saúde da vítima, ocasionando também o agravamento de uma lesão cervical, com riscos de tetraplegia ou mesmo a morte por parada cardiorrespiratória. Conclui se então que, conforme mostra o documento que a Equipe Positiva teve acesso com exclusividade, assinado também pelo coordenador técnico do CISSUL/SAMU Dr. Daniel Neves Santos, que há um despreparo técnico, por parte dos que se dispuseram oferecer atendimento pré-hospitalar para a comunidade trespontana.

Em termos jurídicos, foi verificado que em algumas imagens um componente do serviço, usava camiseta do SAMU-192, apesar de não pertencer ao quadro de nenhum Serviço, podendo responder civilmente e criminalmente por uso indevido do uniforme.

Outra orientação, é que o SOS Socorrista, pode receber um determinado valor do Ministério da Saúde por cada serviço prestado, que pode ajudar na manutenção dos atendimentos, mas para isto é preciso se regularizar.

Outro ponto é que eles estariam atuando num trecho pertencente ao município de Varginha. Prova disso, é que no dia 12 de dezembro do ano passado, o Grupo de Socorristas atenderam a um acidente de trânsito na MG 167, no quilômetro 30, já em Varginha. Andrey César Vitor atropelado, recebeu os primeiros socorros e contrariando o rapaz acidentado que poderia ter sofrido um politrauma, foi levado para o Pronto Atendimento Municipal (PAM) de Três Pontas e não para o Hospital Bom Pastor, como era preciso e desejava  Andrey.

O veículo que eles usam é um carro comum, não é uma ambulância preparada para atendimento. O translado se faz assim, de forma abrupta e brusca, apenas quando não há ambulância, Bombeiros ou SAMU. Porém isto pode trazer sequelas às vitimas que estão sendo socorridas.

Por várias vezes, o Comandante Major Giuvaine Barbosa repetiu que o trabalho dos Voluntários é fundamental e não quer o fim dos serviços, mas que eles estejam regularizados com a criação de estatuto próprio com representante jurídico e tecnicamente preparados e que não há nenhuma questão política ou partidária envolvida. “A Corporação não se envolve. Somos uma instituição militar dentro da administração direita do Estado, estamos sujeitos a determinações do Governo, mas a nível de organização”, conclui.

Executivo apóia Voluntários mas pede regularização

O prefeito Paulo Luis Rabello se diz grande apoiador do Grupo de Socorristas que estavam ajudando de forma substancial no atendimento as vítimas de trânsito. Tanto que o Termo foi assinado dando autorização para que eles atuassem e apoio sempre foi irrestrito dentro do que é permitido, apesar de nunca terem pedido nada à Prefeitura. Porém, diante da falta de documentação que regularize o Serviço e da necessidade de mais treinamentos, conforme apontou os Bombeiros e o SAMU, o prefeito se sente obrigação de pedir que eles interrompam o atendimento até que tudo seja resolvido.

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