Denis Pereira – A Voz da Notícia

São 30 casos confirmados até agora. Secretaria de Saúde apresenta as dificuldades encontradas e reforça pedido de participação da população para combater a doença 

Apesar das constantes orientações, da divulgação que os órgãos de saúde e o setor público faz, campanhas e mobilizações, a Dengue é uma dura realidade que está crescendo em todos os lugares de Três Pontas. Apesar dos esforços mútuos dos setores da Prefeitura é preciso informar os trespontanos que a cidade vive uma epidemia de Dengue. Isto porque, a Vigilância em Saúde registra que a doença atingiu o nível três de transmissibilidade, com 245 casos notificados, até as 13 horas de segunda-feira (23), o que é caracterizado pelo Ministério da Saúde. Até a publicação desta reportagem eram 30 confirmados, e um óbito, de uma trespontana de 57 anos em 12 de janeiro deste ano, que não procurou tratamento na rede pública de saúde da Cidade. Mas os números vem mudando constantemente. A média está sendo de 13 casos notificados por dia. No começo de março, quando a Equipe Positiva divulgava um surto localizado em determinados bairros, eram 63 casos notificados, 8 confirmados através de exames clínicos e a morte da trespontana já havia acontecido.

04De acordo com o secretário municipal de Saúde Hermógenes Vanelli (no centro), a Dengue em Três Pontas se agravou nos últimos 30 dias e saiu fora do previsto por causa da intensificação das chuvas.  Sabe-se que estes ovos que estão eclodindo no momento, é o resultado de postura das fêmeas infectadas num período de até 400 dias. O ovo do Aedes aegpyti sobrevive até 400 dias sem água, uma vez que em contato com água em até 7 dias ele pode se transformar em um inseto alado pronto para voar. Uma medida eficaz de combate a doença, é o engajamento de toda população, na prevenção e combate diário em locais onde o mosquito costumeiramente se reproduz. No caso de Três Pontas a situação é ainda pior. O índice de residências fechadas – com moradores que não atendem, não estão em casa, não tem ninguém, entre outros, chega próximo de 50%, o que é de grande relevância para o aumento das notificações de casos suspeitos.

Outro dado preocupante levantado pela Secretaria e divulgado por Hermógenes, é que em média 85% dos criadouros estão dentro das casas. Por isto, é preciso uma maior vigilância diária em todos os locais que podem acumular água, desde uma caixa d’água até uma tampinha de garrafa pet, por exemplo. Considerando que a residência é visitada a cada dois meses, conforme determina o Ministério da Saúde, e que o ciclo de vida do mosquito completa-se com 8 dias em média (período de eclosão do ovo até o adulto), conclui-se que somente será possível controlar este mosquito se cada morador cuidar da sua casa, eliminando os criadouros deste mosquito.

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Fumacê realizado na tarde desta quarta-feira no bairro Catumbi, um dos bairros bastante afetado pela Dengue

Medidas adotadas pela Secretaria

A Dengue é responsabilidade de todos e já foi mostrado que experiências bem sucedidas podem reduzir de forma considerável a proliferação da doença. No Rio de Janeiro por exemplo, local complicado de se combater a doença, tomou iniciativas que fez com que o Estado reduzisse os casos em 90%. É obvio que depende muito mais da população do que propriamente do Poder Público. Por mais agentes que a Prefeitura coloque nas ruas, é impossível ter um profissional todo dia em todas as casas da cidade, por isto, a vigia deve ser diária, já que a primeira vítima é sempre um morador.

O Município está tomando medidas administrativas e jurídicas que irão possibilitar adentrar as residências que se encontram fechadas por qualquer motivo com a finalidade de eliminar fogos e conter a transmissão.

A Gerência Regional de Saúde (GRS) de Varginha, vai encaminhar para Três Pontas um UBU em apoio que faz o fumacê em veículo. Para cada caso de Dengue notificado/suspeito é necessário fazer o bloqueio de transmissão, chamado de tratamento ultra baixo volume, conhecido popularmente como fumacê. De janeiro até agora, foram feitos 61 deste procedimento, cobrindo os principais bairros onde existe um surto que são Vila Marilena, Ponte Alta I, Ponte Alta II, Botafogo, uma parte do Centro e do Catumbi. O veículo não veio antes por que não havia se atingido o status de alta transmissibilidade. Contatos são feitos diariamente entre o Município e GRS para monitoramento e acompanhamento da situação.

A Prefeitura já solicitou também ao Governo do Estado, via GRS, os insumos necessários para melhor assistência aos pacientes com suspeita de Dengue. Foram solicitados 26 mil saches de soro de reidratação oral, 6 mil frascos de soros fisiológicos para reidratação venosa, 13.500 frascos de dipirona ou paracetamol, entre outros medicamentos.

A bióloga da Vigilância Ambiental Sebastiana Aparecida da Silva, explana que o fumacê só pode ser feito em locais onde existem casos suspeitos, na residência da pessoa. Isto é uma determinação do Ministério da Saúde e não se pode fazer o trabalho aleatoriamente onde querem e pensam as pessoas.

A Secretaria Municipal de Transportes e Obras, está disponibilizando caçambas para que os moradores limpem o quintal de suas residências no bairro Vila Marilena, um dos mais afetados pela Dengue. Servidores estão batendo de porta em porta, oferecendo a unidade além de estar limpando os terrenos baldios.

Dengue 2 okRecomendação

Um fato novo é que o mosquito já não é mais tão exigente como era antes. Já está comprovado que para postura de ovos, na ausência de água limpa e parada, ele está ficando em água suja, o que não acontecia antes, revela o responsável técnico da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Três Pontas, Peterson César Romão Lara. Ele reforça que deve se evitar a exposição das pernas e dos pés. Crianças principalmente devem ir a escola vestindo calça comprida jeans e sapatos fechados e não esquecer de usar meias.

Grupos de risco

Estão no grupo de risco pessoas acima de 60 anos, gestantes, crianças menores de 14 anos, portadores de doenças auto imunes e pessoas com comorbidades (diabetes, hipertensão, cardiopatia, doenças respiratórias, entre outras). O melhor remédio para a Dengue é a hidratação, por isto, é essencial tomar muito líquido, principalmente água. Os medicamentos que podem ser usados para a dor são Dipirona e Paracetamol. É necessário evitar todo medicamento que contenha na sua composição anticoagulantes, como por exemplo, acido acetil, salecílico (AAS), aspirina e ibuprofeno. Sem falar que o mosquito Aedes aegpyti também transmite a febre Chikungunya. Os sintomas dela são parecidos com os da Dengue, como febre, dor de cabeça e fortes dores pelo corpo. A diferença é que a Chikungunya ataca as juntas do paciente, causando inflamações que, em casos crônicos, podem permanecer por meses ou anos.

01Os números da doença em Minas

Em 2015, até o momento, foram confirmados 6.497 casos de Dengue em Minas Gerais.

Até o momento foram confirmados 5 óbitos no estado. O primeiro óbito pela doença no Estado foi confirmado em 06 de março e foi de um homem, de 64 anos, morador do município de Iguatama que morreu em 26 de janeiro. Os outros 4 óbitos,  foram confirmados no dia 13, em Faria Lemos, Três Corações, Uberaba e Três Pontas.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais lança nesta segunda-feira (23) a segunda fase da campanha de combate à dengue. Com o slogan “Cuidado! Dengue pode matar!”, o objetivo é informar a população sobre as principais formas de prevenção, contaminação, sintomas e tratamento da doença, dando continuidade às ações de mobilização já existentes.

A campanha já está sendo veiculada em todas as emissoras de rádio AM e FM do estado e contará com a distribuição de mais de um milhão de flyers e cartazes, anúncios em redes sociais e veiculação de painéis de led nas cidades de Governador Valadares, Ituiutaba, Lavras, Passos, Patos de Minas, Pedra Azul, Sete Lagoas, Uberaba, Uberlândia e Varginha. Por meio do site www.saude.mg.gov.br/dengue, criado especialmente para a campanha, o cidadão terá acesso a uma série de conteúdos sobre Dengue.

Em 2015, a campanha contará também com uma nova estratégia de mobilização. Ligações para telefones fixos com mensagens de voz gravadas serão feitas para moradores de 39 municípios considerados de risco para infestação de dengue, totalizando mais de 100 mil ligações. Cada ligação terá duração de 28 segundos e tem como objetivo reforçar as informações de prevenção em regiões prioritárias onde exista maior número de casos e óbitos.

A primeira fase da campanha foi lançada em novembro de 2014 e tinha como foco o combate à dengue a febre Chikungunya. Em 2015, o enfoque da campanha será a dengue, uma vez que a Chikungunya possui as mesmas formas de prevenção e não teve um número de casos expressivo no estado. (Fonte: SES)

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