Denis Pereira - Texto e fotos - Clique nas imagens para ampliá-las

A quarta-feira 11 de novembro foi mais um dia histórico para os católicos trespontanos, do começo ao fim. O dia nem havia clareado e os devotos do Venerável Padre Victor já chegavam na Matriz Nossa Senhora d’Ajuda para o início do Tríduo, para a cerimônia de beatificação que acontece no sábado (14), as 16 horas no Aeródromo Municipal Leda Mello.

Era apenas o início, porque em seguida a missa do horário da tarde, os restos mortais de Padre Victor voltaram à Igreja Matriz Nossa Senhora D’Ajuda, só que de maneira diferente. Aplaudido por devotos e fiéis fervorosos que se emocionaram quando chegou de carro a urna de acrílico, coberta por um pano vermelho com o desenho de uma cruz, trazida para a Igreja pelo Postulador da Causa Dr. Paolo Villota e pelo Notário Ronaldo Frigini, com as relíquias ao altar. A notícia logo de propagou e em questão de poucos minutos, a fila formada no corredor central não parava de crescer.

Desde ai, a fé foi colocada a mostra, de uma maneira única para a maioria daqueles que participaram da vigília até o último horário de missa celebrada pelo bispo da Diocese da Campanha Dom Diamantino Prata de Carvalho e seu coadjutor Dom Pedro Cunha Cruz e concelebrada por mais 9 padres, trespontanos e convidados da Diocese. Era tanta gente que o Templo ficou pequeno e tinha gente do lado de fora.

MISSA SOLENE

Foi este o momento anunciado mais esperado pelos devotos, a veneração às relíquias do sacerdote candidato a santo. Não é muito coisa, são fragmentos e pó dos ossos, cabelos, dentes e parte do crânio. Um momento que se repetiu depois de 22 anos, com o início do processo de beatificação. Na época, Dom Diamantino já era o pastor da Diocese, mas os sacerdotes que na época serviam a Paróquia d’Ajuda e iniciaram o processo eram outros, que já não estão mais em Três Pontas. Alguns dos entusiastas e grandes responsáveis pelo início de tudo em 1993 e que já partiram, foram lembrados pelo Bispo, quando a urna era levada até o novo altar, ao lado do principal da Matriz. São vários, por isto, o religioso não quis mencionar nomes, porém, junto as orações e dedicação de trespontanos, são também responsáveis pela conclusão de uma etapa importante no processo de canonização.

Na homília da celebração solene, Dom Diamantino falou que Padre Victor foi um sacerdote segundo o coração de Jesus, que acolheu a todos, atendeu aos necessitados e se sacrificou em favor dos mais pobres, um homem de virtudes. Celebrar a preparação à sua beatificação é motivo de alegria e júbilo para a Diocese da Campanha, que há dois anos viu o mesmo acontecer com Nhá Chica, em Baependi.

Durante toda a celebração, as relíquias que passaram por tratamento feito pelas Irmãs do Carmelo São José ficaram no altar, sendo admirada, fotografada por câmeras e celulares, para recordar este fato extraordinário vivenciado por estes que podem se considerar privilegiados.

Por falar em privilégio, no fim da missa, antes de um novo tempo que os trespontanos ganharam para venerar o beato eleito, postulador e notário fizeram o ritual para colher as assinaturas da Ata que foi lacrada dentro da nova urna e ai, além dos integrantes do Tribunal Eclesiástico, assinaram o documento histórico as autoridades políticas e militares que prestigiaram a cerimônia. Formaram o grupo – Dom Diamantino, Dom Pedro Cunha, o delegado episcopal padre Ednaldo Barbosa, o promotor de Justiça padre Rogério Augusto da Silva, o postulador Dr. Paolo Villota, o presidente da Associação Padre Victor Airton Barros de Andrade.

Vários convites foram enviados, porém compareceram – o prefeito Paulo Luis Rabello (PPS), o vice Érik dos Reis Roberto (PSDB), os vereadores Valéria Evangelista Oliveira e Sérgio Eugênio Silva, ambos do PPS e o comandante da 151ª Companhia de Polícia Militar de Três Pontas, Tenente Bruno Neves Tavares. O trio assistiu a missa da primeira fileira e depois foram convidados também por padre Mateus Arantes, que também assinou.

Em seguida, uma fita vermelha foi enrolada e Dom Diamantino selou oficialmente a urna que só será reaberta por uma ordem bispal.

ASSINATURA DA ATA

Momento em que a urna com os restos mortais do beato eleito é selada pelo bispo Dom Diamantino
Momento em que a urna com os restos mortais do beato eleito é selada pelo bispo Dom Diamantino
Esta é a Ata que foi assinada pelos religiosos e autoridades
Esta é a Ata que foi assinada pelos religiosos e autoridades

Durante mais de uma hora após a missa, os fiéis formaram fila para passar em frente aos restos mortais do Venerável. Quando começava algum tipo de tumulto, tudo no afã de ficar pertinho altar, Padre Mateus orientava a formação de fila. Quando todos que estavam na Matriz veneraram, o momento foi novamente de emoção, ao ver os restos mortais serem levados para o seu altar. Lá, apenas os padres e bispos foram autorizados a entrar. Nem a imprensa teve acesso e as câmeras foi algo proibido por de trás da cortina, que aguça a curiosidade dos devotos. Conforme já divulgado, a cortina vai cair apenas no sábado, na conclusão da missa de beatificação no Aeroporto Municipal. Sabemos que uma imagem de Padre Victor foi colocada dentro de um esquife, onde está o painel e a imagem grande do Beato.

Dom Diamantino momentos antes dos restos mortais serem levados para o altar
Dom Diamantino momentos antes dos restos mortais serem levados para o altar. Abaixo, as imagens dos fragmentos, pó dos ossos, cabelos, dentes e parte do crânio de Padre Victor que restaram

O painel e a imagem usada pelos devotos já foram divulgados no fim da manhã desta quarta-feira (11). Porém, ver como tudo ficou agora que Padre Victor pode ser venerado e tem um altar próprio com esquife e a imagem é algo surpreendente.

De acordo com a organização, cerca de 5 mil pessoas passaram pela Matriz nesta quarta-feira. Para a beatificação são esperadas 100 mil devotos, quase o dobro da população da Cidade. O Tríduo acontece as 6:00 da manhã, as 15:00 e as 19:00 horas.

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Durante todo o tempo, policiais militares fizeram a guarda das relíquias
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