Os católicos trespontanos se reuniram na noite desta terça-feira (12), na Matriz Nossa Senhora D’Ajuda, na Igreja do Beato Padre Victor, para celebrar uma data muito especial. A missa solene, foi presidida pelo pároco Ednaldo Barbosa e concelebrada pelo vigário padre André e o Frei Emerson que é trespontano, mas trabalha no Rio de Janeiro. O bispo Dom Pedro Cunha não participou, mas enviou uma mensagem cumprimentando os paroquianos pela data. Ele participa fora da Diocese da Campanha da 54ª Assembleia dos Bispos. Junto com ele está, o bispo emérito Dom Diamantino.

Igreja Matriz cheia no aniversário de 189 anos do Beato Padre Victor
Igreja Matriz cheia no aniversário de 189 anos do Beato Padre Victor

Na celebração especial cada devoto recebeu uma bandeirinha amarela com a figura do Beato Padre Victor e uma vela, acesa no círio pascal que entrou em procissão, antes da imagem do religioso, quando as luzes da Matriz foram quase todas apagadas. A relíquia que tem ossos da costela também entrou pelo corredor central do templo e foi colocada a direita do altar.

Começou assim, a comemoração do primeiro aniversário natalício após a beatificação, quando ele estaria completando 189 anos de nascimento. Beatificado em novembro do ano passado, o religioso negro, filho da escrava Lourença, depois de tantos anos teve o seu nome reconhecido oficialmente pela Igreja.

O evangelho foi todo cantado por Frei Emerson. Na homilia proferida por padre Ednaldo, ele destacou de forma simples e convicta que esta é uma celebração importante, uma data memorável, mas tão calmo e simples de ser celebrado que encanta. “A beleza deste dia, não está em coisas grandiosas, mas na simplicidade, como a luz que iluminou este templo no início da celebração. É algo tão belo que no cotidiano, passa despercebido, mas foi assim, o Beato na história da Igreja e de seu povo”, refletiu. Ele continuou garantindo que Padre Victor não foi arrogante, não tinha o coração amargo, apesar de ter todas as ferramentas para ser um homem triste, cheio de traumas, vingativo, por causa de tudo que enfrentou naquele tempo. Quem era sacerdote na época e tinha título de um cônego ocupavam lugar de referência dentro da sociedade, mas Padre Victor, manteve sua postura, exerceu seu papel, mas com um coração manso e humilde. Por isto, padre Ednaldo aconselhou os fieis durante a homilia. “Quando vocês forem pedir um milagre ao Padre Victor, peça uma coisa simplesmente… que você seja capaz de perceber os planos de Deus. Peça a ele que você não seja um assassino dos planos de Deus”. A justificativa é que “a gente pede tantos milagres, mas esquece do maior deles, que é o milagre da vida, de viver a missão que Deus nos deu. Padre Victor cumpriu o dele, entrou para história da humanidade, enfrentou os coronéis, sonhou, sofreu, chorou e não desanimou diante de tantos preconceitos. Foi fiel ao compromisso, porque sabia que era Deus quem tinha lhe dado a missão”.

As velas foram abençoadas, os fieis se voltaram para o alto de Padre Victor e rezaram a oração da beatificação. Em seguida como é feito todo dia 23 de cada mês, na missa da tarde, quem participou da celebração pode receber a benção da saúde com o óleo abençoado que foi colocado nas réplicas da cruz do Beato, pedindo a saúde do corpo e da alma para a pessoa que recebeu.

Após a beatificação

Desde a beatificação cinco meses já se passaram. De acordo com o pároco padre Ednaldo, a caminhada pastoral continua no seu ritmo normal, porém, o que se vê é um maior comprometimento de toda a comunidade nos trabalhos que a Igreja realiza e um número maior de romeiros, que vem de outras localidades. Ele acredita que a beatificação provocou uma reanimação na vida da comunidade paroquial.

Padre Victor presente nas cidades e nas comunidades

Todas as paróquias da Diocese da Campanha receberam uma imagem relíquia de Padre Victor. Muitos párocos e administradores paroquiais levaram a imagem para além da Igreja Matriz, às comunidades urbanas e rurais.

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