O provedor Michel Renan e o prefeito Marcelo Chaves durante a coletiva de imprensa

 

Depois de um fim de semana movimentado no Hospital São Francisco de Assis de Três Pontas, com as mais de 200 cirurgias de cataratas, realizadas através de um mutirão, a direção da Santa Casa anunciou em uma entrevista coletiva, a reabertura da Maternidade Nossa Senhora de Fátima e a Pediatria nesta terça-feira (16).

Os dois setores estavam fechados desde quinta-feira (12), por causa do atraso do pagamento dos salários dos profissionais médicos que são responsáveis pela maior parte dos plantões. Consequência da falta de repasses do Governo do Estado de Minas Gerais, que já chega a R$6 milhões, com a Santa Casa. Por ter falhas em enormes na escala e por questões de segurança nos atendimentos, os próprios diretores clínico e técnico, Dr. Eduardo Vasconcelos e Dr. Geovanni Barros Pereira não encontraram outra saída a não ser o fechamento.

A direção do Hospital buscou a solução – recursos financeiros para não ver as portas fechadas para o atendimento a população. De acordo com  o provedor Michel Renan Simão Castro, eles só vieram depois do fechamento, inclusive recursos do Estado que chegaram às outras instituições de saúde de Minas Gerais. Sendo R$430 mil referente ao Rede Resposta e 50% do Pró-Hosp, R$600 mil da Prefeitura, que vieram de emendas parlamentares que serão destinadas ao Hospital e R$100 mil da antecipação da devolução Câmara de Vereadores e mais cerca de R$60 mil da contribuição do município de Santana da Vargem, de R$1 por habitante, que havia sido acordado ano passado. Todos estes recursos totalizam em torno de R$1,1 milhão e serão investidos exclusivamente no pagamento dos salários dos médicos.

Com isto, será possível quitar dois meses e dois terços de salários, sendo de abril, maio e junho. A direção reconhece que ainda ficarão em abertos, outros quatros meses, referentes a gestão anterior a de Michel que são reconhecidos por ele. “Quando assumimos a Santa Casa há um ano e 60 dias, já haviam quatro meses atrasados e infelizmente vão permanecer,” admite.

O repasse que o município está fazendo, servirá para liquidar um débito antigo que a Prefeitura tem com o Hospital, referente ao extrapolamento dos serviços prestados pela instituição. Isto é histórico e existe a muito anos, porém, será feita uma auditoria pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DENASUS), para se encontrar o valor exato do débito, tanto de Três Pontas, como das outras localidades, aqueles que integram a microrregião como – Santana da Vargem, Coqueiral, Boa Esperança e Ilicínea, quanto aqueles de fora. Se os demais municípios quitassem o extrapolamento bancado desde 2015 pela Santa Casa, a instituição teria cerca de R$1 milhão a mais.

Entendendo melhor agora sobre a questão deste extrapolamento que vem se arrastando a muitos anos, por diversas gestões, o prefeito Marcelo Chaves Garcia (MDB), admite que a Prefeitura utilizou mais serviços do Hospital do que o recurso que pagou, por uma série de motivos, que nem os órgãos competentes sabem ao certo explicar, talvez por conveniência ou necessidade, mas que estourou agora e precisa ser vista. “Queremos acertar tudo isto, estancar este déficit e ficarmos em dia”, antecipa o prefeito. Diante de tantas dificuldades iguais ou superiores a da Santa Casa, Marcelo Chaves reconhece que não fossem os recursos de emendas que foram destinados ao Município e que estão sendo transferidos para as contas da instituição, isto não seria possível.

Algumas ações que a Administração havia planejado acabam ficando prejudicadas, porém, a maioria destas verbas seriam mesmo para o setor da saúde. “A maior importância agora é salvarmos o Hospital”. Ele lamenta que o município não tenha caixa para bancar tudo, mas cobra a colaboração do Estado e dos colegas gestores vizinhos, fazendo com que a solução seja mais duradora e não ter que mês a mês, passar momentos como este.

Michel tenta ter este entendimento desde a gestão anterior, do prefeito Luiz Roberto Laurindo Dias (PSD), a um ano, por isto, o provedor elogiou Marcelo que teve este discernimento em um momento crucial e vital para a manutenção da Santa Casa. Ele conta com a colaboração das direções clínicas e técnicas para avaliar qual o valor de cada atendimento e não seja nada aleatoriamente.

Michel Renan, Marcelo Chaves, Dr. Geovanni e Wilson Júnior

O mais importante é que a escala está completa, sendo refeita desde o fim de semana. Dr. Eduardo e Dr. Geovanni fizeram muitos ajustes e mais uma vez contaram com a colaboração dos médicos ginecologistas e pediatras. Quem passar pela porta da Maternidade, já vai encontrá-la aberta, como de costume, durante o dia.

O provedor termina desabafando que não há porque dizerem que os serviços foram interrompidos por questões políticas, em prol a beneficiar qualquer pessoa que colabore. Mesmo porque ninguém quer a Santa Casa de portas fechadas. “Digo aos críticos que ficam em redes sociais, que venham colaborar para que façamos melhor. Que estas pessoas pelo menos freqüente os eventos realizados pela instituição para complementar as receitas. É muito simples, ir às redes sociais e atirar pedras. Dificil é vir dividir conosco esta missão”, defendeu Michel Renan, que reinterou que as contas e os balancetes estão disponíveis a qualquer cidadão.

O projeto de lei autorizando o repasse da Prefeitura, foi votado e aprovado em carater de urgência na Câmara Municipal de Vereadores, na sessão desta segunda-feira (16).

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