EXCLUSIVO – Obra realizada no bairro São Judas Tadeu que estava incluida no projeto de construção da ETE já foi feita com recursos próprios do SAAE

Denis Pereira – A Voz da Noticia

Moradores de Três Pontas sentiram na semana passada o que é ficar sem água. Por cerca de 24 horas, bairros tiveram o fornecimento interrompido, por problemas em uma estação de tratamento que abastece os bairros da parte alta da cidade. Depois, recorreram a mina do Padre Victor. O movimento foi enorme, filas foram formadas e mulheres lavavam roupas e louças nos tanques instalados do lado de fora do Parque Multi Uso.

A diretora do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Marisa Cainelli Basílio de Brito esclareceu o caso à Equipe Positiva, que na madrugada de quarta-feira (27), houve falta de energia elétrica no sistema de abastecimento de água na Estação Sete Cachoeiras, a 19 quilômetros do município. Isto foi comprovado pela empresa Barros & Monteiro que faz a manutenção do quadro de comando e bombas. O quadro de comando queimou depois de ser atingido por um raio, situação atípica que mobilizou toda a equipe do SAAE. A energia elétrica só foi restabelecida as 17 horas de quarta-feira. Com o ligamento do sistema após as 17 horas, houve outros problemas – o rompimento da adutora (tubo de 300 milímetros de aproximadamente 15 km de extensão que liga a ETA II – Paraíso), em dois pontos. As 5 horas da manhã de quinta-feira e os funcionários já trabalhavam para resolver o problema. O trabalho leva tempo e não se resolve rapidamente.  Meio dia, o sistema foi novamente acionado. Como esta adutora já se encontrava totalmente vazia, o tempo de chegada desta água de Sete Cachoeira até a ETA II é de aproximadamente 4 horas. A água chegou dentro do horário previsto, as 17 horas. Porém, é preciso esclarecer que ela não chega tratada, é uma água ‘bruta’, que precisa passar pelo rigoroso tratamento feito pela autarquia para depois ir para os reservatórios e ser enfim distribuída à cidade.

Diante da dificuldade da população em ficar o dia inteiro sem água, a direção do SAAE  disponibilizou um caminhão pipa da autarquia para amenizar o problema. A partir de 11 da manhã foram várias viagens em um veículo com capacidade de quatro mil litros, como registrado pela reportagem. O primeiro bairro a ser atendido foi a Vila Marilena.

A falta de água atingiu cerca de 40% da população que mora em bairros mais novos, como Philadélfia, Vila Marilena, Ponte Alta I, Jardim Paraíso, Ponte Alta II, Jardim das Oliveiras, Aristides Vieira, Morada Nova, Jardim Boa Vista, São Judas Tadeu, Alcides Mesquita, Parque Veredas, São Benedito, Jardim das Acácias, Santa Mônica, Santa Maria, Antônio de Brito e parte do Botafogo.

Muitas pessoas questionaram porque não foram avisadas. Marisa explica que este foi um problema causado na energia que aparentemente seria resolvido em um curto espaço de tempo, o que não prejudicaria o serviço de abastecimento, pois o sistema possui uma reservação de água para este fim. Mas, o tempo de conserto foi bem maior do que o esperado. “O problema foi solucionado, porém, em alguns pontos a água só chegou na madrugada de sexta-feira, aos últimos moradores. A bomba para normalizar este sistema de abastecimento trabalhou durante cinco dias ininterruptamente, para colocar a situação dentro da normalidade. Normalmente ela funciona 18 horas e depois é desligada.

CASO ETE – Duplicidade causaria aumento de R$3 milhões na obra

Marisa Cainelli revela que obra custaria cerca de R$3 milhões a menos
Marisa Cainelli revela que obra custaria cerca de R$3 milhões a menos

O anúncio de que Três Pontas estaria sendo beneficiada com recursos na ordem de aproximadamente R$16 milhões foi feito em outubro de 2011 pelo senador Clésio Andrade (PMDB-MG), acompanhado do deputado federal Diego Andrade (PSD-MG). O convênio foi assinado pela então prefeita Luciana Ferreira Mendonça (PR) e o dinheiro era oriundo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), e seria para a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), execução de ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário (SES), implantação e complementação de interceptores e coletores, implantação de estação elevatória final, e termo de compromisso para a execução de elaboração do Plano de Saneamento Básico do município.

De lá prá cá, muitos comentários surgiram. Como o prefeito Paulo Luis Rabello (PPS) opositor ao grupo do senador Clésio Andrade venceu a disputa a prefeitura, vereadores da oposição garantem que faltou gestão e o dinheiro foi perdido. Com uma vasta documentação em mãos, a diretora do SAAE Marisa Cainelli, deu explicações.

O valor licitado em agosto de 2012, de acordo com a planilha orçamentária foi de R$14.388.706,79. Após o procedimento, a Caixa Econômica Federal analisou a planilha e encontrou 14 itens que estavam em duplicidade. O item é armadura CA50 e CA60, (vergalhão usado em concreto). Só com esta duplicidade estava gerando um gasto a mais em torno de R$3 milhões. Diante desta descoberta da Caixa, o banco fez uma analise mais minuciosa e exigiu que se fizesse a cotação de vários equipamentos de preços significativos, o que demorou para ser finalizado. A nova planilha, com os novos valores foi aprovada em julho deste ano, no valor de R$11.575.345,72. Diante deste novo valor, a Gondim Construtora Ltda que havia vencido a licitação se recusou a assinar o aditivo de contrato, fazendo com que a Prefeitura perdesse o prazo de início das obras que terminou no dia 28 de agosto. O Ministério das Cidades não aceitou o pleito da Prefeitura para a sua prorrogação.

O SAAE pediu uma declaração da Caixa Econômica Federal para nova habilitação junto ao Ministério das Cidades, provando que a prefeitura teve seu projeto para a construção do sistema de esgotamento sanitário aprovado e contratado junto a instituição. É aguardado agora um novo recurso para fazer uma nova licitação. Porém agora, os procedimentos serão mais ágeis uma vez que os projetos e planilhas já estão aprovados, faltando apenas a atualização na data base da planilha de 2014.

Diante do ocorrido com a ETE, a autarquia resolveu um problema do esgoto bombeado no bairro São Judas Tadeu, já que este trecho estava incluído no projeto de construção da Estação. Foi colocado um interceptor de dois quilômetros que coleta o esgoto do bairro São Judas Tadeu até o emissário com destino a futura ETE e acabou com o mau cheiro que era sentido nas ruas e dentro das residências. As obras foram iniciadas em setembro e terminadas no último fim de semana. O SAAE usou recursos próprios para fazer a obra.

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