*Dinheiro será levantado em nome dos diretores, mas não deve chegar a tempo de evitar suspensão dos atendimentos médicos na Santa Casa

O provedor da Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis de Três Pontas Michel Renan Simão Castro se pronunciou na manhã desta terça-feira (11), sobre a decisão dos médicos em notificar órgãos e autoridades sobre a suspensão dos atendimentos após 72 horas.

Em entrevista durante a manhã ao Programa Passando a Limpo da Equipe Positiva, Michel repetidamente disse que concorda com a manifestação dos médicos que estão carregando a Santa Casa mesmo sem receber seus salários há cinco meses. “Nós só temos que agradecer aos médicos que estão tendo uma paciência enorme com o Estado e se não fosse a minha posição estaria apoiando a todos eles porque o manifesto é legal e constitucional”, refletiu o Provedor.

Porém, Michel fez alguns esclarecimentos pontuais. A nova diretoria está a apenas três meses a frente do Hospital [assumiu no dia 26 de março] e neste período, foram efetuados todos os pagamentos dos médicos, exceto a Ortopedia. Estes profissionais serão pagos ainda esta semana junto com outros convênios menores que faltam ser quitados. O motivo da paralisação são os meses da gestão anterior a dele – novembro, dezembro, janeiro, fevereiro e março. Segundo Michel, todos os pagamentos estão feitos, o único que está para ser resolvido é com a Linde Gás. “Estamos cumprindo o que prometemos, de fazer uma administração transparente que está aberta a qualquer pessoa que seja”, frisou.

O caos que pode se instalar é culpa do Governo do Estado que prometeu liberar os recursos e não fez. Em meados de junho, quando Michel Renan esteve em Belo Horizonte com o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, o deputado licenciado Sávio Souza Cruz, no qual gravou um vídeo e postou em uma rede social informando que seriam liberados os R$242 mil do Pró Hosp e os atrasados da Rede de Urgência e Emergência. Os planos era aplicar todo o montante, que seria próximo de R$600 mil no pagamento dos médicos. Mas veio apenas R$205 mil no fim do mês passado. Este repasse deveria ter sido feito em abril e além de não vir todo o dinheiro, se comemora o fato, bate palmas e aplaude como se não fosse mais do que obrigação.

Provedor desapontado com o Prefeito

A Prefeitura de Três Pontas tem cumprido o seu papel, de repassar a subvenção mensal de R$120 mil, mas há um extrapolamento de R$70 mil. Fazendo as contas ‘sobram’ R$50 mil que não são suficientes para pagar nem mesmo os neurocirurgiões. Michel revelou pela primeira vez que ficou desapontado com o prefeito Dr. Luiz Roberto quando disse que o dinheiro da subvenção deveria ser repassado aos seus colegas. “Foi um tapa na cara da diretoria porque parece que está havendo irresponsabilidade da nossa parte”.

Também pela primeira vez, o empresário foi bem explícito em dizer que se alguém se achar mais capacitado do que a atual diretoria, eles colocam os cargos a disposição. 

Empréstimo de R$1 milhão demonstra compromisso

Há poucos dias foi feita uma reunião, onde foi feita uma proposta para quitar os meses de salário que estão em aberto. Os médicos apresentaram uma contraproposta, que não pode ser aceita porque não há condições de cumprir e honrar. A diretoria vai fazer um empréstimo no valor de R$1 milhão no nome pessoal dos diretores, uma demonstração de que eles estão engajados. O montante irá ser aplicado no pagamento de um mês de salário e haverá uma nova contraproposta da Santa Casa, para tentar evitar a paralisação dos atendimento. Porém, isto deve demandar alguns dias e talvez não haja tempo hábil para evitar a suspensão dos serviços.

Não há falta de medicamentos no Hospital

Michel deixou a farmácia e o Centro Cirúrgico do Hospital de portas abertas para que as pessoas vejam se faltam medicamentos e materiais que estariam comprometendo o atendimento, como disseram em médicos em assembleia. Alguns equipamentos mais antigos não estão mais em bom estado de conservação, é fato, porém momentaneamente as vezes é preciso fazer novas compras, mas nada que não seja resolvido.

Prefeitura terá que resolver a irresponsabilidade do Estado

Uma coisa é certa. A irresponsabilidade é toda do Estado que não cumpre com suas obrigações e com isso, a Prefeitura terá que conseguir ambulâncias suficientes para transferir pacientes que derem entrada no Pronto Atendimento Municipal (PAM) e necessitarem de cuidados médicos especializados. Vale lembrar que caso a suspensão aconteça ela não afeta o atendimento do PAM que é independente do Hospital. Porém, ele adianta que será difícil encontrar vagas nos hospitais de Varginha, Alfenas Lavras.

População é parceira, mas omissa

Michel se sente feliz ao ver o envolvimento de tantas pessoas, empresas e instituições trespontanas, que estão demonstrando generosidade para manter as portas da Santa Casa abertas. Ele agradece as orações que está recebendo e a confiança dos moradores. Ao mesmo tempo em que elogia, o empresário critica a omissão por não reclamarem de direitos básicos como a saúde e a consequência disso é o momento de penúria que passa o Brasil e o Estado.

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