Falou em dança em Três Pontas, o nome mais falado é Myller Bueno de Andrade. Ele tem 28 anos, é pós graduado em Direito. Talvez seria este o destino do menino, não fosse a dança aparecer na vida dele, inicialmente para complementar a renda familiar, depois com a paixão que ele tomou pelos ritmos, é o seu meio de vida. Ele trabalhou durante três anos no Programa Agente Jovem como Orientador Social de Adolescentes, ministrando palestras sobre temas atuais como drogas, sexualidade e mercado de trabalho. Depois foi estagiário no Fórum Dr. Carvalho de Mendonça através do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Até quando a dança surgiu, inicialmente para ajudar a custear gastos da Faculdade.

Myl Bueno, cursou Ballet Clássico, Jazz, Contemporâneo e Sapateado na Espaço Vital de  Três Pontas e no Ballet Marlene Paiva em Varginha e fez um curso básico em Zumba, a sensação do momento em Montevidéu no Uruguai e também em São Paulo Paulo e Belo Horizonte.

“Sempre tive facilidade para dança, nas apresentações de Colégio e gincanas quando criança e adolescente. Mas profissionalmente eu iniciei em 2009, sendo um dos bailarinos da Exta’Z Banda Show, depois de passar por um teste e receber a confiança de Renata Duarte.

Começou dançando em bandas, passou por centenas de cidades de em Minas Gerais, São Paulo e já voou até para o Sergipe. Ano passado, teve uma experiência incrível que foi a oportunidade de dançar para um grande público em Orlando (EUA), por causa da Zumba, junto com grandes amigos e Roberto Fior Júnior seu parceiro inseparável da dança em Três Pontas.

Hoje ele não é mais exclusivo de determinada banda. Em 2013, montou o Corpo de Dança Ritmos, com dois bailarinos e duas bailarinas fixas, além de outras duas que trabalham com freelance. Esse grupo faz eventos, animação em festas e também dança com bandas. Todos são ensaiados, coreografados e com figurinos para cada ocasião. Nos últimos três anos eles tem feito as matinês durante o Carnaval trespontanos. Se tem uma atração da Festa de Momo, que não recebe críticas são as aulas de dança e elas se tornaram obrigatórias dada a receptividade de homens e mulheres que vão curtir durante o dia a festa na Avenida. Todos os sábados a tarde o Sambódromo Jaime Abreu recebe as aulas de Myller Bueno. A mulherada chega para dançar e colocar o corpo em forma. Estes são alguns dos requisitos que o tornou o ‘queridinho’ da dança em Três Pontas. Ele respondeu a perguntas da Equipe Positiva, acompanhe.

Myl Bueno com as crianças da Escola Peixinho Vermelho
Myl Bueno com as crianças da Escola Peixinho Vermelho

ENTREVISTA 

PessoalComo surgiu sua paixão pela dança?

Sempre gostei muito de dançar, assistir e imitar as pessoas que dançavam na TV. Com o início da carreira profissional, precisei me especializar e conhecer um pouco de tudo e acabei me aprofundando em assuntos como história da dança, métodos coreográficos, melhorei a didática de ensino, além de conhecer várias modalidades, pois tudo isso acabou me proporcionando uma facilidade grande para ministrar aulas e melhorar como bailarino nos palcos em que danço. Coisas como posicionamento de palco, diferenciação de modalidades e ritmos, sabendo o que executar a cada estilo e música.

Você esperava ter este reconhecimento?

Nunca esperei, entrei na área para complementar a renda. No início a primeira turma de dança tinha 10 pessoas, todas adolescentes, em um horário que não favorecia e foi um fiasco. Achei que não daria certo. Comecei na Espaço Vital, através do convite de Nilma Vilela, que confiou em mim. Ela vendo que não estava fluindo, questionou uma provável mudança de horário para alcançar outro tipo de público, mães, avós, mulheres que gostam de praticar atividade física, dançar e que precisavam extravasar o estresse do dia a dia. Comecei com uma turma com 15 alunas e fluiu.

Como é a sua rotina hoje trabalhando com a dança?

Hoje eu dou 44 aulas semanais, são 13 turmas um número grande de alunas e alunos, além de eventos e shows. Dou aulas em vários lugares: Ritmos e Zumba na Espaço Vital (Tia Nilma); Zumba nas Academias Top Fitness, JR, Serrote, Conviver e Crescer (melhor idade); Aquazumba na Estação Saúde (Angélica Murad). Tem as aulas na Praça Esporte e na Avenida Oswaldo Cruz, através da Prefeitura Municipal, e também sou coreógrafo de algumas escolas da cidade, como por exemplo a Peixinho Vermelho.

Você faz alguma atividade física para dar conta de tanto trabalho?

Sim, como o meu trabalho aeróbico é de 9 horas diárias (as vezes mais que isso), tenho o problema de emagrecer muito e rápido, pois danço o tempo todo nas aulas. Com isso, é necessária uma alimentação regrada (mesmo que não tão rígido com isso) e também faço outra atividade, faço musculação na Estação Saúde com Tell Murad, para recuperar o que perco nas aulas e manter, já que não consigo ganhar muita massa muscular pela rotina de trabalho.

O que você teve mais dificuldade em aprender?

Na verdade a fase mais difícil da minha profissão foi o início como dançarino em Banda, não tinha facilidade para decorar coreografias e que na época eram difíceis e muitas! Então além dos ensaios rotineiros, eu ficava horas em casa, as vezes durante a madrugada treinando. Isso pra mim foi o mais difícil, pois se não conseguisse acompanhar a evolução dos outros que já estavam a anos na Banda, provavelmente não permaneceria dançando. Quanto às outras modalidades não tive problemas. Não que sejam fáceis, mas a prática diária ou semanal e a paciência de professores experientes me ajudaram muito a melhorar não só meu condicionamento, mas postura e forma de dançar.

O professor de dança ministra aulas na Av Oswaldo Cruz
O professor de dança ministra aulas na Av Oswaldo Cruz

Como tem sido ministrar aulas de dança ao ar livre em plena Avenida Oswaldo Cruz?

Tem sido maravilhoso, perceber o carinho das pessoas comigo. Perceber que elas deixam seus lares pra ir fazer atividade física, rir, dançar, cantar, se mexer, acompanhadas por um pôr do sol lindo na Avenida, extravasando e acima de tudo socializando é maravilhoso. Estar lá tem sido realmente gratificante e muitas vezes na hora do relaxamento, no final da aula, quando percebo o quanto cresci e o quanto aquelas pessoas confiam no meu trabalho, me comovo, com uma sensação enorme de gratidão por tudo que tenho recebido. Sem falar nas pessoas que não vão pra dançar, mas param lá pra assistir, admirar e pegar um pouquinho daquela energia boa que nunca falta.

Na sua opinião, o que é mais difícil dançar?

Depende, tem gente que tem uma facilidade incrível pra dançar livre, sem compromisso, mas sentem dificuldade em seguir algo coreografado. Tem gente que tem facilidade em dançar a 2, mas quando é pra dançar sozinho se perde muito. De tudo que dancei, o ballet é extremamente técnico e doloroso, por isso acho a modalidade mais difícil para se chegar no “que deveria ser”.

Você já pensou em montar uma academia de dança para você?

Já! Na verdade um espaço que fosse meu e pudesse fazer várias coisas que tenho em mente. Não aumentaria modalidades de dança, mas migraria as turmas pra lá, pra facilitar e centralizar todas as atividades em um mesmo lugar. Mas isso é pro futuro.

O grupo de dança dele, é sucesso no Carnaval de TP
O grupo de dança dele, é sucesso no Carnaval de TP

E o que você nos fala da zumba?

A Zumba veio com tudo. Começou na década de 90, mas explodiu mesmo em meados de 2010. Hoje se tornou comum e bastante acessível. Quando comecei a dar aulas em 2012 as pessoas não conheciam e sempre me perguntavam o que era e como funcionava. É interessante perceber como algo que era novidade hoje se tornou tão querido e conhecido por todos. Como Beto sempre cria, inova e traz novidades pra Zumba, por estar ativo como professor e instrutor, a Zumba provavelmente permanecerá no ranking das atividades mais procuradas nas academias nos próximos anos.

Como ela surgiu?

A Zumba foi criada por Beto Perez, um colombiano que emigrou para os Estados Unidos (Flórida) e lá passou a dar aulas de modalidades de dança e aeróbica. Quando em uma classe esqueceu sua fita cassete, usou uma fita qualquer criando passos soltos e improvisados, porém a aula fluiu muito e com a grande procura criou-se a modalidade “Zumba” (vindo de Rumba, dança bastante popular na Colombia), hoje presente em 180 países e com um sucesso estrondoso no mercado fitness. Beto ainda ministra aulas em Miami e é um grande sucesso no mundo inteiro.

É verdade que ela ajuda a emagrecer?

Como ela possui um gráfico e forma que permite alta e baixa intensidade entre uma música e outra e não tem pausa, nem para coreografar, por ser feita de passos básicos e de fácil execução, a Zumba é mais intensa que muitas outras atividades aeróbicas e isso faz com que a perda calórica seja alta e, aliada a uma boa alimentação ela permite um emagrecimento mais rápido, além da tonificação e definição muscular, principalmente de membros inferiores.

Hoje os homens estão dançando mais?

Sim! Hoje é comum a procura ou pelo menos o interesse dos homens em aprender a dançar. Não deixou de ser um tabu, mas há mais procura hoje, que anos atrás.

unnamed (3)Eles tem mais dificuldades para aprender?

Tem aqueles que tem facilidade. Mas a grande maioria sente dificuldade na execução dos passos, problemas como aliar ritmo, coordenação motora, musicalidade. Na verdade isso vem de uma questão cultural. Quando mulheres engravidam, já ficam estipulado que se for menina vai ser bailarina, se for menino vai ser jogador de futebol. Durante a infância a menina aprende a dançar e se desenvolve nesse aspecto, enquanto os meninos sempre ouvem dos pais ou colegas que dança é coisa de menina e que homem não dança. E aí, crescem com essa inibição por não terem se desenvolvido nessa área.

Você aprova o quadro do Programa do Faustão, o Dança Famosos? Acha que ele é importante para incentivar as pessoas a dançarem?

Sim. Desde quando surgiu a procura pela dança se tornou evidente. Mostrou que a dança não é boa apenas para aspecto cultural ou cênico, mas passou a ser vista como atividade física de grande potencial e grandes resultados. Foi um quadro que direta ou indiretamente trabalhou isso em uma cultura que via a dança apenas como uma forma de arte e muitas vezes de difícil acesso, principalmente às classes menos favorecidas. Quebrou-se um paradigma e tornou a dança uma atividade física de fácil acesso e hoje popular.

Considerações finais

Agradeço imensamente a oportunidade de falar um pouco sobre a minha história, profissão e sou infinitamente grato pelo carinho das alunas e alunos que já dançaram ou dançam comigo. É um aprendizado constante e mútuo. Vocês fazem parte de tudo que vivi e tenho vivido! Obrigado a minha família por sempre estar comigo e me apoiar, aos amigos e pessoas que admiram o meu trabalho. Sucesso à Equipe Positiva e parabéns pelo bom trabalho que vem executando a anos na região!

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Foto Arquivo/Pessoal

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