* Eles assistiram a sessão extraordinária e depois demonstraram a indignação quanto a decisão tomada pela SME de fechar as escolas

Os vereadores tiveram um grande público na sessão extraordinária realizada nesta sexta-feira (24). A presença era para reivindicar e tentar impedir que a Secretaria Municipal de Educação de Três Pontas mantenha a decisão de nuclear três escolas da zona rural, provocando assim o fechamento de estabelecimentos educacionais tradicionais, localizados nas Fazendas Caxambu, Pitangueiras e Sobradinho.

Ao mesmo tempo que os vereadores elogiaram o Poder Executivo, pelo projeto aprovado que abre crédito no orçamento para receber R$3.717.413,88 do Governo Federal para a construção de duas creches municipais, no Complexo Randal Diniz e no bairro Eldorado, a oposição aproveitou para dar uma escapada no assunto e sair em defesa dos pais e mães que se sentem prejudicados. Os alunos das escolas Lolita de Brito Dias, Walda Tiso Veiga Sobradinho serão levados para estudar na Escola Municipal Professor Vieira Campos, na Fazenda Bananeiras, já volta das férias no dia 03 de agosto.

Começou pelo vereador José Henrique Portugal (PMDB), que disse que gostaria de estar recebendo as mães para aplaudir e não para reclamar. “Se aqui na pauta temos uma boa notícia, estamos ouvindo o clamor destes pais que reclamam em pólos opostos”. Daí desenterraram assuntos antigos e no término da sessão os o público ficou a vontade no Plenário Presidente Tancredo Neves. Eles usaram a Tribuna, outros se manifestaram das cadeiras do público. Eles deixaram seus afazeres, tarefas e a colheita do café na roça para vir à Cidade.

Durante aproximadamente uma hora, contaram como tudo aconteceu em cada comunidade. As reuniões realizadas sem antecedência pelo secretário de Educação Érik dos Reis Roberto (PSDB), provocando choros e revolta. Poucos pais compareceram pois acreditavam que eram boas notícias ou encontros de rotina. Eles alegam que assinaram seus nomes em uma folha, não concordando com o fechamento da escola, mas sim uma simples lista de presença. Mesmo porque, segundo Shirlei Lino Lopes Pereira que tem os filhos estudando na Escola Walda Tiso, que existe a pelo menos três décadas, as crianças encerraram o semestre normalmente. Mesmo sendo oferecido o transporte, ela alega que como muitas mães, não vai enviar os filhos para a ‘nova’ escola e reclama que os ônibus oferecem perigo.

Katia Antunes mora na Fazenda Caxambu. Ela viu a tristeza do filho chorando, se negando a voltar para estudar e na Tribuna também chorou, ao saber que ele não estará mais perto de casa. Na opinião da trabalhadora rural, não deram valor neles.

Já Everton Paula Batista que mora no Sobradinho, a reunião serviu apenas para o secretário informar sua decisão, sem ouvir ninguém e os moradores ainda serem mau tratados. Ele além de informar que os ônibus não oferecem segurança às crianças, acrescentou que os motoristas correm demais e que não há monitores para fiscalizar.

A produtora rural Carmem Lúcia Chaves de Brito explicou que também é professora, administra a Fazenda Caxambu, sabe das dificuldades que é gerir, ainda mais um Município. Ela esteve na reunião organizada pela Secretaria de Educação. Durante quase todo o tempo ouviu Érik dos Reis. Depois, tentou falar e pedir um tempo para resolver a questão, sem que a Escola Lolita de Brito Dias fechasse as portas, mas foi em vão. Foi ai, que segundo Ucha, sentiu mais orgulho do povo. “Todo mundo começou a chorar, pais, mães e crianças, por amor a comunidade e a escola”. Acostumada a desenvolver projetos quando foi coordenadora de uma universidade carioca, Carmem explicou que o projeto de escola em tempo integral pode ser bom sim, mas ninguém conhece e é preciso informar à comunidade, o que eles acham da implantação. Ao retirar tudo que havia na escola, funcionários da Prefeitura teriam deixado para trás muitos materiais que foram caindo pela estrada, recolhidos e guardados por ela.

Desde que aconteceu o anúncio da nucleação, ela está se mobilizando. Foi até o gabinete do prefeito Paulo Luis Rabello (PPS), entendeu as alegações das dificuldades sobre a falta de recursos que são enfrentadas, e o gestor informou que isto seria um pedido do Conselho Municipal do FUNDEB. Saindo de lá, quis saber quem formava este grupo e para sua surpresa nem a Secretaria soube informar e quem poderia convocar uma reunião entre eles. Foi então que foi procurada pelo vereador Paulo Vitor da Silva (PP), que está ajudando a solucionar o impasse. Posteriormente, voltou ao microfone para afirmar que Três Pontas está na contramão de cidades vizinhas que estão abrindo escolas, sendo que as verbas federais são as mesmas.

Paulo Vitor da Silva que mora no Sítio Comodoro tem dois filhos estudando na Escola do Sobradinho, um deles tem problema de saúde e as professoras já conhecem as crianças. Ele revela que ninguém quer briga ou confusão e que estão lutando pelos seus direitos, pedindo ajuda aos vereadores.

VEREADORES APOIAM REIVINDICAÇÃO

Vereadores defenderam diálogo para solucionar impasse

Todos os vereadores defenderam a manifestação dos moradores. A oposição foi mais crítica ao repreender a decisão, pegando não só os pais e professores e profissionais de surpresa como o próprio Poder Legislativo. Para o vereador Paulo Vitor da Silva (PP), a mudança aconteceu de forma arbitrária, que evidentemente causa  indignação. Na opinião de Paulinho que já foi secretário de Educação, a Escola das Bananeiras não está preparada para receber tantos alunos. Outro foi Francisco Botrel Azarias (PT), que condena que os pais tenham recebido um aviso comum para uma decisão que muda tanto a vida das famílias. Itamar Antônio Diniz (PRTB), não tem dúvida que a decisão foi equivocada, que a escola em tempo integral precisa ser implantada mas não de forma abrupta como está sendo. Na visão de Francisco Fabiano Diniz, o Professor Popó (SD), não se pode apagar histórias de tantos anos. Ele também defendeu a escola em tempo integral que está sendo usada em vários países, mas não desta forma. Edson Vitor “Piu”, (PMN), concordou com os colegas e usou o jargão que “o povo unido jamais será vencido”. O peemedebista Joy Alberto de Souza Botrel também apóia o movimento e disse que também não mandaria as crianças para outra escola. Alessandra Vitar Sudério Penha (PPS), disse que é preciso saber das coisas boas que estão sendo feitas, inclusive na educação, que as mudanças nem sempre agradam a todos, uma hora ganha outra perde, mas demonstrou apoio. Por outro, também abriu o baú para relembrar de duas semanas atrás quando as contas da ex-prefeita Luciana Mendonça foram aprovadas pela Câmara sem que ela tenha investido em 2012, o que é exigido por lei, 25%.

CONVOCAÇÃO

Alguns vereadores sugeriram ao presidente em exercício Geraldo Messias Cabral (PDT), que fosse formada uma Comissão para conversar com o vice prefeito e secretário de Educação Érik dos Reis Roberto e o prefeito Paulo Luis Rabello (PPS). Falaram tanto que deixaram isto de lado. E pelo que ficou resolvido, Érik será chamado a dar esclarecimentos na próxima sessão extraordinária que foi convocada para a próxima quarta-feira (29), as 11 horas quando os vereadores voltarão à Câmara para votar um projeto de lei do Executivo que muda a forma de ajudar a Abraço, que enfrenta sérias dificuldades financeiras. Ao invés de subvenção será contribuição. O presidente da Comissão de Recesso vereador Sérgio Eugênio Silva (PPS), quis incluir este projeto na pauta desta sexta-feira (24), mas não conseguiu com o presidente.

DECISÃO 

As mudanças necessárias para receber uma quantidade maior de alunos já estão acontecendo na Escola Municipal Professor Vieira Campos, que segundo Érik tem capacidade sim para ampliar o número de crianças atendidas. Ele reinterou mais uma vez que, a decisão é irreversível, que o compromisso é com as crianças e que a qualidade do ensino vai melhorar com a implantação da escola tem tempo integral. Ao todo serão remanejados com a nucleação, 164 estudantes de 4 a 10 anos.

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