Por Bruno Máximo

Olá a todas e todos. Hoje na nossa terceira coluna do espaço cotidiano, vou tratar de um tema relevante e importante para todas as pessoas com deficiência: Privacidade.

Estou aqui pensando sobre uma situação vivenciada por muitas pessoas com deficiência que vivenciam (ou não) em suas vivências diárias, de forma prática. Se uma pessoa com deficiência procura conquistar o seu espaço a cada dia que passa, e visando um vôo mais alto, essa pessoa decide por ir tentar uma nova forma de se viver. Tendo isto como foco, opta por ir morar com uma pessoa da família, que desconfia até da própria sombra, e que logicamente não está preparado (a) para receber uma pessoa com deficiência em sua casa, ou até recebe mas do jeito da pessoa, e nos seus termos. Então, após 15 dias de convívio na nova residência, um dia você como pessoa com deficiência chega na sua casa, e percebe que mexeram nas suas coisas. Você percebe que uma coisa que você avia deixado em um determinado lugar aparece em um lugar totalmente diferente, e ao perguntar a pessoa, ela nega sucintamente Afirmando que não foi ela, detalhe: no lugar em questão só moram você e essa pessoa. Você se da conta de que mesmo que continue defendendo os seus pontos de vista, percebe que seus argumentos seriam insustentáveis, até porquê você não estava lá, não teria como afirmar que foi a pessoa. Você em nome de uma paz daquelas em que você preserva um laço afetivo, opta por passar um pano nisso tudo, e deixa a coisa acontecer.

Dez dias depois, mesma coisa. Mexem nas suas coisas, você percebe que mexeram, vai questionar, e a pessoa diz que pelo detalhe de você estar na casa dela (ou dele) ele ou ela passam a ter o direito de mexer em todas as coisas que estão dentro da casa, por a casa ser dele ou dela. Você argumenta com o argumento de que nunca colocou as mãos em nada que não fosse seu dentro da casa, e a pessoa argumenta que olhou mesmo, pois não viu nem um problema nisso. Diz que por se tratar de uma pessoa com deficiência visual, que eu não saberia de fato o que tem dentro da bolsa e nem o que a pessoa tirou de dentro da mesma.

*Nota de Rodapé: Usei o termo “pessoa com deficiência visual” mas isso se aplica a qualquer tipo de deficiência. *Fim da nota de rodapé. e aí: Será que não a nada de grave nisso, exceto a invasão da privacidade da pessoa com deficiência? Até que ponto a pessoa deveria ter controle sobre suas coisas, e até que ponto as minhas coisas são delas? São questões contraditórias e que cabem o bom senso. As coisas nos termos normais pareceriam incomuns, é claro que não daria pra ficar calado sobre esse tema. * Este texto recebi hoje por e-mail, e a pessoa que me enviou me pediu para não ser identificada.

Senti um certo desespero por parte dele ou dela, por isso decidi escrever pois nunca vivenciei isso, e gostaria de entender o ponto de vista de ambos os lados. São situações que são vivenciadas por pessoas que vivem em um ambiente fechado de super proteção, e que inúmeras famílias tentam impor talvez pelo despreparo no convívio com pessoas com deficiência. Ou talvez no sentido controlador, existem casos que pessoas com deficiência são proibidas de estudar! Simplesmente pela família saber que quando as pessoas são empoderadas e munidas de seus direitos e deveres, elas passarem a não serem mais controladas pelo opressor (a) mas nós, pessoas com deficiência também desejamos a nossa privacidade. tal como pessoas ditas “normais” desejamos a nossa privacidade e São em todas as formas de convívios sociais. Uma característica importante de ser observada,, é a necessidade de certas pessoas com deficiência, como os deficientes visuais, de ter suas coisas fixas em um determinado local (questão de lógica) e memorização, já que a gente fixa uma coisa em um determinado ponto, exatamente para a facilidade de localização depois. Nunca mude um determinado móvel, ou coisa do quarto ou cômodo onde haja uma pessoa com deficiência sem antes avisar a pessoa, pois pode acarretar em grande transtorno. Depois para a gente ficar procurando, da muito trabalho! Alguém pode argumentar que só está tentando ajudar, e eu afirmo que a verdadeira ajuda é aquela que vem com informação, precisão, e necessidade.

Então vamos fazer as coisas do jeito certo? Quando recebi esse e-mail fiquei pensando no quanto procuramos saber ou entender sobre as pessoas com deficiência. Tem momentos que assumo: até eu preciso me segurar quando recebo certas perguntas quando estou caminhando pelas ruas. Bruno vai namorar, né? Bruno, está indo Ao médico? As pessoas acham que nós pessoas com deficiência só Saímos de casa para irmos ao médico, ou a uma escola ou instituição apropriada para pessoas com deficiência. Precisamos e vamos desmistificar essa história, pessoas com deficiência também tem atividades. Vamos a bancos, enviamos e-mails, e precisamos por nossa privacidade. Sabem porque muitas vezes as pessoas com deficiência respondem de forma mal educada certas perguntas? Por elas virem da forma errada.

Assumo que amo dar respostas atrevidas, mas tem pessoas que não levam muito na esportiva certas perguntas. Creio que elas estão certas, já que ninguém gosta de receber certas perguntas feitas de qualquer jeito. e nem adianta se fazer de ofendida(o) comigo, esse papel intimidador nunca funcionaria comigo, mas funciona com pessoas com deficiência que vivem em ambientes opressivos ou de super proteção. Para terminar esta coluna, deixo um texto para a reflexão: A liberdade e a privacidade, começam dentro do campo do amor… (B.M) Até a próxima semana!

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