Por Renan de Paulo Lopes – Advogado

A maioria das pessoas tem o hábito de colocar telefone e endereço atrás do cheque, em razão disso, os comerciantesadotaram essa prática de exigir que o cliente mencione no verso do cheque seus dados como endereço, telefone, números de documentos etc., um costume.

Dessa forma, quando uma pessoa emite um cheque pré-datado no comércio, alguns comerciantes repassam esse cheque como garantia de pagamento a fornecedores, que na maioria das vezes, são pessoas estranhas e até mesmo de outros estados e o titular do cheque nunca irá conseguir saber para quem seu cheque,constando seus dados,foi repassado.

A razão de se evitar essa prática, não é apenas por causa de roubos, mas como o cheque pode passar por muitas pessoas, seus dados constantes no verso podem acarretar outras consequências, vejamos:

O Dr. Maurício Guimarães Soares, titular da Delegacia Anti-Seqüestros de São Paulo fez uma palestra na Amcham-SP sobre violência e medidas preventivas de segurança que podem ser adotadas.

Segundo ele, os perfis da vítima e do sequestrador mudaram. Há casos de sequestros com pedidos de resgate que variam de R$ 3.000,00 a R$ 3.000.000,00. A prevenção implica em mudança de comportamento; vale observar alguns itens:

  • Saber o que está acontecendo;
  • Conscientizar-se que pode acontecer com você;
  • Adotar medidas para minimizar riscos.

Mauricio Soares citou algumas medidas que devem ser incorporadas no dia a dia, dentre elas:

1) Não anotar telefone residencial no verso de cheques, especialmente em postos de gasolina. No caso de assalto ao posto, as informações pessoais podem ser usadas para ameaças, especialmente contra mulheres. Se possível, anote sempre o telefone comercial;

2) Não exibir “currículo” no carro, como: adesivo de Faculdade, do Condomínio onde reside e adesivos como: “Eu amo Ubatuba”, da academia de ginástica, etc. Um extorsionário deduz desses sinais à vida de pessoa e os usa para fazer ameaças;

3) Evitar compras por telefone ou Internet fornecendo o número do Cartão de Crédito. Peça boleto bancário;

4) O ladrão prefere pessoas desatentas, aproveita-se do elemento surpresa;

5) O objetivo do ladrão é patrimonial e não pessoal. Ele escolhe as vítimas pelo fator comportamental (fato comprovado após entrevistas com vítimas e com marginais);

6) Jamais reagir. Isso só dá certo em filmes e novelas. O elemento surpresa é favorável ao bandido, que nunca está sozinho e não tem nada a perder;

7) Manter distância segura do carro da frente, para poder sair numa só manobra, sem bater. Distância segura é poder enxergar pelo menos parte do pneu do carro da frente;

8) O risco de morrer em roubo no sinal de trânsito absurdamente maior do que num sequestro. Nessa situação, mantenha as mãos no volante e tente comunicar-se, indicando claramente o que vai fazer, por ex: Se for tirar o cinto: “Vou tirar o cinto com esta mão, posso?” Se pedir a carteira: “A carteira está no bolso de trás (ou dentro da bolsa), posso pegar?”

9) À noite, calcule tempo e velocidade para evitar parar num sinal vermelho. Não há registro de assalto com carro em movimento.

Lembre-se, ninguém pode lhe obrigar a colocar telefone e endereço atrás do cheque. Se o comerciante quiser, peça para ele fazer um cadastro seu, mas nunca colocar seus dados atrás do cheque.

Fonte: Dr. Maurício Guimarães Soares – Titular da Delegacia Anti-Seqüestros de São Paulo/SP: http://mesquitaelopesadvocacia.jusbrasil.com.br/publicacoes

 Renan de Paulo Lopes – Advogado OAB/MG nº 138.515

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Tel.: (35) 3266-1397 e-mail: [email protected]

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