*Denúncia que pedia a cassação do mandato do vereador Antônio Carlos de Lima (PSD) foi feita pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) e aponta suposta ilegalidade em uma concessão dada a ele em 2003 que ainda estaria vigente

O clima pesou no Plenário Presidente Tancredo Neves na reunião ordinária desta segunda-feira (30), com uma denúncia contra o vereador Antônio Carlos de Lima (PSD), que ao que parece pegou todo mundo de surpresa, mas terminou sendo rejeitada pelos vereadores.

A denúncia foi protocolada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) e aponta que Antônio do Lázaro em 2003, conseguiu do Município através da ex-prefeita Adriene Barbosa de Faria Andrade, uma concessão pública de um terreno de 15 metros quadrados, ao lado do Campo de Futebol no Distrito do Quilombo Nossa Senhora do Rosário em Três Pontas para montar um bar, quando ainda nem tinha sido eleito. O suposto estabelecimento que funciona até hoje, não teria sido devolvido, mesmo depois de Antônio assumir o cargo de vereador. Ele também não se manifestou que não queria mais “o ponto”. Outra pessoa alega que comprou a concessão por R$15 mil, o que é expressamente proibido. A concessão está em vigor na Prefeitura e, para o Município, o atual vereador continua sendo beneficiado, o que é contra a lei e configura como uma fraude.

Antônio do Lázaro por pouco não teve o mandato ameaçado depois de denúncia feita por Daniel Bedani
Antônio do Lázaro por pouco não teve o mandato ameaçado depois de denúncia feita por Daniel Bedani

O presidente do diretório municipal do PDT Daniel Bedani, que ocupa um cargo em comissão na Prefeitura é quem assina a denúncia. Ele pede a abertura de uma Comissão para investigar o caso e como consequência a perda do mandato do vereador oposicionista.

A leitura do documento de 28 páginas demorou uma hora. A secretária da Mesa Diretora Valéria Evangelista Oliveira (PPS) começou a ler na Tribuna o pedido e teve que contar com a ajuda do presidente Luis Carlos da Silva (PPS), que apresentou oficialmente o caso, antes do Pequeno Expediente da sessão. Daniel Bedani estava na reunião e das últimas fileiras acompanhou a decisão do Plenário Presidente Tancredo Neves que rejeitou a criação da Comissão, que se aprovada seria formada por um presidente, um relator e um membro. O grupo teria um prazo de 90 dias para averiguar e apresentar um relatório fruto dos levantamentos.

Antônio demonstrou aos colegas tranquilidade, mas suspirava a todo momento
Antônio demonstrou aos colegas tranquilidade, mas suspirava a todo momento

Antônio do Lázaro se negou a falar do caso, mas depois de ouvir algumas perguntas do colega José Henrique Portugal (PMDB), fez somente acusações à atual Administração dizendo que é mais uma sujeira e que não “tem um homem que prove a denúncia”. Ele também pediu a leitura do contrato feito na época, assinado pela então prefeita Adriene Barbosa para Antônio.

O vereador Paulo Vitor da Silva (PSL), estava com o estatuto do PDT nas mãos e afirmou que para fazer este tipo de pedido era preciso, segundo o partido, uma deliberação partidária, caso contrário, seria uma decisão do presidente que não pode usar da sigla para tomar decisões pessoais.

O presidente do Legislativo Luis Carlos afirmou que não iria entrar em questões internas do PDT, muito menos se o presidente estaria agindo com autoritarismo.

Quem mais surpreendeu foi o líder do prefeito na Câmara, vereador

O presidente Luis Carlos e a secretária da Mesa Valeria Evangelista revezaram na leitura do documento de 28 páginas
O presidente Luis Carlos e a secretária da Mesa Valeria Evangelista revezaram na leitura do documento de 28 páginas

Sérgio Eugênio Silva (PPS). Ele contou que soube do caso pouco antes da reunião, foi pego de surpresa e voltou a pregar respeito dos vereadores, com os colegas, às autoridades e os poderes. Este é mais um caso segundo Serjão, que poderia ter sido evitado, se tivessem o ouvido, ao invés de o taxarem de puxa saco, desabafou o líder da situação. Demonstrando estar tenso, por conta da decisão que teria que tomar, de uma denúncia que se fosse comprovada é grave, Sérgio ouviu do denunciado ao lado que estava tranquilo, mas que a bomba cairia mais uma vez no colo dos vereadores.

O vereador do PDT Vitor Bárbara, acrescentou que respeita o presidente do seu partido, mas avisou que não sabia de nada e que fazer como alguns que maltratam as pessoas não é da sua índole.

O vereador Francisco Botrel Azarias (PT) também não sabia de nada e pelo que ouviu havia dúvidas quanto a veracidade dos fatos, por isto, antecipou que não estar em condições de dar o voto para admitir a denúncia.

Sérgio tentou um pedido de vistas, adiando a decisão para semana que vem. O próprio Antônio foi contra. Valéria tentou suspender a reunião por 5 minutos, mas Luisinho não aceitou afirmando que o tempo não mudaria em nada.

Para admitir, ou seja, receber a denúncia e abrir um processo de investigação seriam necessários 8 votos. Sérgio Silva foi o primeiro a se levantar e dizer que não votaria, seguido do vice presidente da Câmara Geraldo Messias Cabral do PDT que anunciou abstenção.

Por decisão do Plenário, a admissão da denúncia foi rejeitada. A secretária da Mesa Valéria Evangelista votou sozinha favoralvemente.

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