O ex-prefeito de Coqueiral Rossano de Oliveira, que comandou a prefeitura entre 2009/2012 falou pela primeira vez após deixar o comando do Poder Executivo. Aos 55 anos, o servidor do Banco do Brasil está trabalhando na agência de Três Corações, mas está sempre em Coqueiral e lamenta a situação que a Cidade se encontra. Quando deixou o Executivo, a situação financeira era tranquila e a missão era dar sequencia no trabalho, principalmente nas obras que começaram no seu mandato. E hoje, com salários dos servidores atrasados e dívidas, a situação na visão de Rossano não é nada boa. O ex-gestor não fez uma comparação das administrações, mas relacionou seu bom relacionamento com os vereadores da Câmara Municipal, as obras que foram feitas por ele e sua equipe e os avanços que o Município teve em todas as áreas.

ENTREVISTA

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ROSSANO DE OLIVEIRA

IDADE: 55 ANOS

PARTIDO: PMDB

EX-PREFEITO DE COQUEIRAL

MANDATO: 2009/2012

Após deixar a Prefeitura de Coqueiral você voltou a trabalhar no Banco do Brasil?

Sim. Eu sou funcionário concursado há 23 anos e voltei para minha atividade. Fiquei um mês na agência de Coqueiral e depois apareceu a oportunidade de assumir o cargo de Gerência Média, em Três Corações. Há seis meses eu assumi a Gerência de Relacionamento, que é um cargo acima do que eu estava. Graças a Deus minha vida profissional vai muito bem.

Qual a experiência você teve na Prefeitura?

Tem vários pontos positivos para analisar. Mas foi na convivência diária com as pessoas mais simples que aprendi muito. Convivi de perto com os problemas e também com as alegrias. Valeu a pena.

Você ficou decepcionado com a política?

A decepção faz parte da vida.  O desapontamento, na grande maioria das vezes fornece-nos motivação para crescer e ir ao encontro dos nossos objetivos. Muitas são as vezes que as pessoas não agem de acordo com aquilo que esperamos. Por vezes infligem-nos sofrimento, falham conosco, são ingratas e injustas, levando-nos ao sentimento de decepção. Eu que sempre morei aqui, tenho um amor muito grande pela cidade e de repente, as pessoas às vezes não compreendem  o que fizemos para o Município, mas isto faz parte. Por outro lado, o que mais me deixou feliz é fazer o bem aqueles que precisam e tem certa dificuldade. Isso me deixou realizado.

Qual foi a situação que você deixou a prefeitura em 2012?

Todas as prestações de contas do nosso mandato, 2009, 2010, 2011 e 2012 foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, dentro do que exige a lei. O atual prefeito disse que deixamos dívidas, mas na verdade foi um resto a pagar de R$132 mil que estava dentro da lei, que podia deixar. Tanto que as contas de 2012 foram aprovadas. Estava tudo arrumado para dar sequência no trabalho que fizemos o que não aconteceu.

Ficaram recursos que foram conquistados na sua Administração e que seriam recebidos pelo atual Governo?

Sim. Foram duas emendas que ficaram e foram canceladas pela atual Administração que até hoje eu não sei o motivo. Uma do deputado federal Dimas Fabiano no valor de R$500 mil para pavimentação de ruas e outra do deputado federal Diego Andrade de R$600 mil para compra de Patrulha Mecanizada. Os convênios foram todos cancelados em 2014 depois de estarem aprovados pelo Governo Federal.

Você deixou obras para serem finalizadas no outro mandato?

Deixamos a Estação de Tratamento de Esgoto, Cobertura da Quadra do Bairro Fundão, O [email protected] Digital, Academia de Saúde, o Campo do Ermo e a Creche Dona Baniquinha. Todas com recursos nas contas da Prefeitura. A creche, por exemplo, que o atual prefeito disse que é uma “herança maldita”, deixamos em caixa cerca de R$200 mil. Se ele [o prefeito] tivesse dado continuidade em janeiro de 2013 ele já a teria concluído. Deixou passar dois anos para retomar a obra. O que eu sei, é que foi feito uma nova licitação sem ter o recurso em caixa para terminá-la. Deixamos tudo pronto para a creche ser concluída tanto que o FNDE deu parecer favorável até os 85% da construção. A creche que terá 120 vagas, é um anseio de muitas famílias, pois a que temos não comporta a quantidade de vagas necessárias.

Quais as principais obras realizadas no seu mandato?

Foram várias obras por todo Município. Conseguimos construir 50 casas populares, o Velório Municipal, o Auditório do Centro Cultural, a Farmácia de Minas, uma Unidade Básica de Saúde do bairro Lajinha, o prédio da Escolinha Dona Lia, ampliação e melhorias na Escola de Frei Eustáquio, construção da Quadra Poliesportiva na Escola da Capituvas, construção do Centro Comunitário das Posses, fizemos reformas no Pronto Socorro, na Quadra Municipal e na Praça de Frei Eustáquio, asfaltamos várias ruas e abrimos outras, reformamos o Estádio Municipal e colocamos irrigação automática, instalamos academia ao ar livre, reformamos e revitalizamos praças, inclusive a Praça da Matriz, com a colocação de piso, fonte luminosa e parquinho para as crianças, entre outras obras.

Foi veiculado pela imprensa que você impediu o atual prefeito de fazer a transição. O que de fato aconteceu?

O prefeito eleito nos enviou um ofício solicitando uma sala na Prefeitura, para que ele pudesse fazer este serviço. Eu disse que uma sala adequada nós não tínhamos, pois estavam todas ocupadas. Mas a demanda de documentos eu deixei a disposição dele. A Câmara também tinha tudo, porque regularmente como manda a lei, a gente fazia a nossa prestação de contas. Todos os dados estavam à disposição dele e sua equipe na Prefeitura e também na Câmara.

Falando em Câmara, como era o seu relacionamento com a Câmara de Vereadores?

Um relacionamento de respeito e parceria, porque sem a Câmara o executivo não consegue fazer nada. A Câmara é a voz do povo e na relação de parceria, tivemos todos os nossos projetos aprovados. Nossa Administração foi pautada pela transparência. Tanto é que repito, sempre enviamos no prazo certo e determinado, as contas de nosso mandato para serem analisadas pelos vereadores.

E o relacionamento entre Executivo e os funcionários?03

Pautado pelo profissionalismo. No período de 4 anos demos todos os reajustes acima da inflação. Durante o mandato foram mais de 30% de aumento. Instituímos o Plano de Cargos e Carreira da Educação, que foi um grande avanço. Tínhamos já planejado criar este Plano para os demais servidores, mas infelizmente não deu tempo. Diversas categorias, como pedreiro, engenheira civil, arquiteta e outros, tiveram os salários reajustados, pois estavam com os mesmos defasados com relação ao mercado. Os salários sempre foram pagos rigorosamente em dia. O 13º salário era pago 80% do valor na data de aniversário dos funcionários. Criamos também o ticket alimentação que era um valor mensal em um cartão para os funcionários comprarem no comércio local. Fazíamos confraternização de final de ano e valorizamos ao máximo o funcionalismo com cursos de capacitação e ascensão aos cargos de direção. Os secretários da Saúde e da Educação, assim como o diretor do SAAE foram votados pelos funcionários.

Qual análise você faz da atual administração?

Eu sou suspeito para comentar porque sou oposição do atual prefeito, mas em minha opinião nada vai bem. Não existe nenhuma transparência com a coisa pública, não existe respeito com a Câmara Municipal, pior ainda, com o povo. Um caso que acho ser inédito, é que todos os nove vereadores da Câmara hoje são oposição. O prefeito tem feito coisas que não agradam o povo. São muitas coisas, mas gostaria de citar algumas. Ele derrubou o antigo prédio da APAE e colocou uma cerca, assim como fez com a Escola Dona Lia. O nosso tradicional Cruzeiro ele derrubou, sem ter um laudo de avaliação de uma empresa especializada ou autorização do patrimônio histórico municipal ou estadual, já que o mesmo é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual e que através da Lei Robin Hood em 2015, a prefeitura recebeu R$ 126.780,29 conforme dados da fundação João Pinheiro. São iniciativas que foram tomadas e que ficaram por isto mesmo. Uma grave situação é o atraso de pagamento do funcionalismo. Por outro lado, quando assumiu o mandato, deu um aumento salarial abusivo de quase 300% para os cargos comissionados e para os funcionários efetivos 1% até hoje. Além disso, empregou pessoas de outras cidades ganhando altos salários e não valorizou as pessoas de Coqueiral. É difícil um prefeito administrar com tanto desgaste, inclusive com a Câmara o que acaba deixando a gestão toda atrapalhada.

Você trocou o PTB pelo PMDB por quê?

Várias situações me motivaram a mudar. Uma delas é que nas Eleições passadas ficou polarizada demais. Vejo que o melhor hoje é o PMDB, partido que faz parte da base do governo tanto estadual quanto federal. Entendo que assim se pode ter um acesso mais fácil a recursos para nossa cidade.

Você é pré candidato a Prefeitura nas eleições deste ano?

Diversas pessoas, de vários setores, tem conversado comigo querendo saber da minha posição. Se for a vontade do povo e do partido, colocarei meu nome a disposição.

Rossano qual a mensagem você deixa para a população?

Faço minhas estas palavras de Charles Chaplin: “Não passo pela vida e você também não deveria passar. Viva!!! Bom mesmo é ir à luta com determinação. Abraçar a vida e viver com paixão. Perder com classe e vencer com ousadia. Porque o mundo pertence a quem se atreve. E a vida é muito … para ser insignificante.” Que 2016 seja um ano bem melhor do que 2015.

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