O surto está nos bairros Ponte Alta I, Vila Marilena, Parque Vale do Sol, Botafogo, Bom Pastor e Aristides Vieira. Uma pessoa que preferiu se tratar em Varginha morreu

Um inimigo quase invisível. O mosquito transmissor da Dengue coloca em alerta moradores de alguns bairros que vivem um surto localizado em Três Pontas. Esta é uma triste realidade da doença na cidade, com 63 casos notificados e 8 confirmados através de exames clínicos, até a tarde deste sábado (07). Uma morte também foi registrada, porém, a pessoa que não teve a identidade revelada, não procurou o serviço de saúde de Três Pontas para se tratar.

A notícia vem do responsável técnico da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Três Pontas, Peterson CésarPeterson Romão Lara (foto).  Nas duas últimas semanas, o número de notificações aumentou muito. Os casos estão concentrados em algumas localidades do Município e ao contrário do que acontecia antes, não está distribuído em diversos pontos. O surto está nos bairros Ponte Alta I, Vila Marilena, Parque Vale do Sol, Botafogo e agora chegando ao Bom Pastor e Aristides Vieira. Dos 8 casos citados, 5 foram registrados no Catumbi e dois no bairro Padre Vitor, o que já era esperado para este ano. Em outros bairros, onde já há diversos casos, já superou o que foi registrado para o ano inteiro.

Houve um caso de Dengue em Três Pontas em que o paciente morreu. Porém, é preciso deixar bem claro que – a Secretaria de Saúde só tomou conhecimento deste através da notificação do chamado Fluxo de Retorno, no sistema do Ministério da Saúde, que é interligado em todo o Brasil. Quatro pacientes de Três Pontas procuraram atendimento em Varginha e uma delas morreu. Neste caso, a pessoa por escolha própria, segundo souberam, tinha um plano de saúde e preferiu se tratar através dele.  A informação que a Secretaria tem, mas não é nada oficial, é de que o trespontano ou trespontana, procurou atendimento a primeira vez e retornou para casa. Quando voltou a segunda vez já foi internada, levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), não resistiu e morreu a poucos dias.

Mosquito-aedes-aegyptiMosquito transmissor mais forte

O mosquito Aedes aegypti conseguiu se desenvolver e replicar de uma maneira mais rápida nestas localidades onde está ocorrendo o surto. Resultado da falta de medidas de prevenção por parte da população, que talvez não se conscientiza de que mosquito de prolifera de forma rápida e que a Dengue mata. A realidade é que existe ainda água parada se acumulando de diversas formas em muitos quintais e residências, principal motivo do aparecimento do mosquito. “Ele está em todos os bairros, uma realidade no Brasil inteiro”. Um exemplo característico citado por Peterson Lara é a cidade de Mariana (MG). A cidade é fria e o número de casos de Dengue era pequeno por causa do clima. Hoje há casos de pessoas infectadas lá, isto porque houve uma mutação do mosquito. O Aedes aegypti teve que se adaptar as necessidades de sobrevivência, assim, consegue se desenvolver em água suja e contaminada, se tornando mais resistente e forte. “A gente costuma dizer que ele é inteligente porque luta pela perpetuação da espécie. Com esta mutação, a virulência dele aumentou”, explica. Sinal de que houve um agravamento nos sinais e sintomas. O paciente vai sentir mais dores no corpo e principalmente abdominal, mais mal estar, vômitos, náuseas e diarréia. O problema é a intensificação que isto vem ocorrendo nos pacientes em Três Pontas.

Por outro lado, a Secretaria de Saúde está tendo capacidade de dar assistência necessária aos pacientes. Todos os que procuram o serviço, estão sendo submetidos aos exames, poucas horas depois, conseguindo ter um resultado para que ele seja melhor avaliado. Há um protocolo de atendimento, acompanhamento e tratamento para os casos de suspeita e de Dengue, disponibilizado pelo Ministério da Saúde no qual é seguido. Os profissionais médicos de Três Pontas estão capacitados e estão recebendo informações de forma sistemática para seguir este Protocolo. “Com ele a chance de se ter um óbito é raro. Os profissionais de todas as áreas já receberam um alerta e estão a par da situação”, expõe.

Não há uma faixa etária específica que esteja contraindo a doença e uma estatística ainda será montada após o controle da situação. A prioridade agora, anuncia, é o monitoramento dos casos suspeitos e confirmados

Em 2014 foram 101 casos notificados, sendo 48 confirmados. Número abaixo do que era esperado pelo Ministério da Saúde.

EXAME

O exame é feito em Belo Horizonte, em estabelecimentos credenciados que possuem suporte técnico suficiente para avaliar com segurança e ter garantia do resultado. Ele é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Fundação Ezequiel Dias (FUNED) e na rede particular no Laboratório Hermes Pardini. O resultado fica pronto se for feito no particular entre três e cinco dias se for pago. “Se fizermos as contas, é preciso esperar seis dias para fazer o exame, mais três para sair o resultado. São nove dias aguardando para ver se houve Dengue. No caso do SUS, a demora é maior, de 10 a 30 dias. O Estado tem uma máquina que necessita de uma determinada quantidade de exames solicitados, já que o custo é alto.

MEDIDAS ADOTADAS

Dengue 3A Secretaria segue as normatizações técnicas que são exigidas pelo Ministério da Saúde. Os manuais dão as diretrizes de como trabalhar a doença. A Cidade vive um período de transmissão de nível mínimo para nível médio da transmissão da doença. Com o número de casos que houve e continua sendo registrado, Três Pontas está passando para o nível médio. Chegando a este ponto é preciso montar uma equipe que vai estudar as melhores maneiras de se intensificar as ações de combate a Dengue. São envolvidos os profissionais das Vigilâncias Epidemiológica e Ambiental e uma equipe técnica do Governo do Estado que vem para se reunir e auxilia a traçar as melhores ações para evitar a proliferação.

O que faz direcionar um surto ou uma epidemia são os casos notificados que vão aparecendo e não os casos confirmados. Segundo o responsável técnico da Vigilância Peterson Lara, não se espera o resultado. O tratamento independente do resultado se é positivo ou não.

Um paciente com Dengue, só pode fazer o exame seis dias depois que começou a apresentar os sintomas. Se o material for coletado antes, o exame vai dar negativo, por estar no período de virulência, uma replicação do vírus. Após o sexto dia, o organismo da pessoa começa a produzir anticorpos para combater o vírus.

Além da virulência, o mosquito se adaptou em questão de horário. Um alerta que é dado as todos é que o mosquito picava geralmente era de manhã ou a tarde. Hoje é a qualquer hora do dia. Ele também tem um vôo mais rasteiro, por isto ele pica mais nas pernas. A dica para os pais mães ou responsáveis é que as crianças devem ir para a escola usando calça cumprida e se acostumar aos repelentes. Como o vôo do Aedes é mais baixo a probabilidade dele picar crianças é maior.

TRATAMENTO: Água é fundamental

As pessoas com suspeita de Dengue, recebe como principal orientação é a hidratação, variando de tamanho e peso. E isto só depende do paciente, que precisa beber muita água. O vírus da Dengue ataca a célula, fazendo com que ela elimine das células, água rica em sais minerais e nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo, que não poderia ser jogada fora, por conta do vírus. É preciso então, repor, para não se desidratar. A desidratação pode provocar um choque hipovolêmico – a falta de volume de líquidos. A indicação é consumir também muito soro caseiro, capaz de auxiliar na reposição. Há outras alternativas como comer gelatina, frutas ricas em água, como melancia, maçã, pera e beber sucos naturais.

No caso da alimentação, o paciente normalmente tem falta de apetite, não consegue manter a alimentação habitual, mas é preciso se esforçar.

Como evitar o Aedes aegypti 

– Evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usar, coloque areia até a borda
-Plantas como bromélias devem ser evitadas porque acumulam água
-Coloque latas, tampas de garrafas, cascas de ovos e outras embalagens vazias em sacos plásticos bem fechados antes de descartá-los
-Mantenha as lixeiras tampadas
-Lave com escova os potes de comida e água dos animais uma vez por semana, no mínimo
– Deixe a tampa do vaso sanitário fechada e dê descarga no mínimo uma vez por semana em banheiros pouco usados
– Coloque cimento nos cacos de vidro dos muros
-Mantenha os ralos vedados e desentupidos
– Guarde os pneus secos e em local coberto ou preencha-os com areia
– Mantenha as calhas para água da chuva desentupidas
– Retire a água acumulada na laje
– Retire a água e limpe as bandejas externas de geladeiras
– Deixe os depósitos para guardar água sempre vedados, sem nenhuma abertura, principalmente as caixas d’água
– Guarde as garrafas com o gargalo para baixo
– Evite acumular entulhos, pois podem se tornar locais de foco do mosquito
– Trate a água de piscinas com cloro e limpe-as uma vez por semana

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