Ponte de madeira sobre Rio Machado reaparece com baixa do Lago de Furnas (Foto: Erlei Peixoto / EPTV)

A baixa do lago de Furnas com a escassez de chuvas que atinge a região trouxeram à tona monumentos do passado alagados para a construção do reservatório. Em Fama (MG), campos de plantação, uma ponte e a antiga estrada de ferro agora são parte da paisagem do município e os moradores relembram histórias do passado vividas nos locais. Mas além das lembranças, a baixa do lago também traz prejuízos para os moradores. Com a atual estiagem no Sul de Minas, o lago atingiu o nível mais baixo desde 1999, impedindo que a balsa que liga a cidade a Córrego do Ouro  circule pelo reservatório.

Fama 1Antigo trilho de trem surgiu com baixa do lago de Furnas em Fama, MG (Foto: Reprodução EPTV)

A primeira a aparecer do fundo do lago com a estiagem foi a antiga estrada de ferro que passava por Fama. Com a redução do nível do reservatório em 2012, parte dela veio a tona, mas com a continuidade da seca, agora é possível ver toda a estrada que atravessa a represa. Também ali surgiram as ruínas de um laticínio construído às margens da ferrovia, por onde era escoada toda a produção.

Em outra parte da cidade, a ponte de madeira que passava sob o Rio Machado voltou a aparecer no final do ano passado. A ruína fez o aposentado Vítor Marques voltar à infância. “Eu estava na escola e vinha fazer pequenique, nessas fazendas do lado de cá”, lembra.

Ele também se lembra dos grandes campos que eram usados pelos moradores para plantação, e que atualmente, estão de volta ao presente. “Aqui tinha muita plantação de alho e era bonita pra cá”, conta Marques.

O aposentado Adolfo Azarias de Oliveira ainda não acredita no que vê. Com a seca, a antiga mina d’água na cidade secou há poucos dias. “Agora a gente vem pescar aqui na ponte e essa mina aqui já acabou. O pessoal vem visitar a mina, mas agora já secou”, completa.

O município de Fama teve cerca de 17 quilômetros de áreas inundadas na década  de 1960, o que representa 2% do lago de Furnas. À época, muita gente duvidou que a área seria inundada com a construção do reservatório. As ruínas que apareceram na cidade emocionam o militar aposentado Euclides dos Santos, que se lembra bem desse período.

“Foi a maior tristeza para a população, inclusive para os mais idosos. E ninguém queria sair das suas terras. Então é a maior tristeza da vida [o alagamento], até hoje a gente chora quando recorda. Eu com 73 anos de idade, eu me emociono demais de ver essa tristeza dessas terras perdidas”,diz Euclides sem conseguir conter o choro.

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Balsa parada
Mas além de boas memórias, a baixa do lago também tem mudado a rotina dos moradores de Fama. Há duas semanas a balsa que liga a cidade a Córrego do Ouro está parada.

O carpinteiro Amarildo Donizete Vitor, que mora em Fama, mas faz alguns trabalhos em Córrego do Ouro, agora precisa passar por Campos Gerais (MG) para continuar pegando trabalhos na outra cidade. “Antes era 15 minutos de balsa para chegar lá, agora, passando por Alfenas (MG), é uma hora e 45 minutos pra fazer esse caminho, aí complicou demais”, conta. Além disso, o custo do trajeto aumentou em 50% pelo menos, segundo o carpinteiro.

De acordo com o prefeito de Fama, Ângelo Saksida, a cidade só passou por uma situação semelhante em 2000, quando o nível do reservatório também baixou com a seca. O turismo, forte na cidade às margens do lago, teve nos últimos meses uma queda drástica e todas as marinas estão fechadas. Para tentar amenizar a situação, segundo o prefeito, veículos terceirizados têm buscado os alunos que dependiam da balsa para estudar na cidade, além de pacientes que precisavam do transporte para serem atendidos na rede pública de saúde no município.

O prefeito frisou ainda que, apesar da falta da balsa, é perigoso utilizar barcos para atravessar o reservatório com o nível dele baixo. “Eu aconselho a todos que têm barco não entrar no lago, porque quem não conhece está muito perigoso devido ao baixo nível da água”, completa.

Fonte: G1 Sul de Minas

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