A família da menina Maria Luiza Ferreira Pires de apenas 5 anos, encontrou uma doadora compatível e que preencheu todos os requisitos para salvar a vida da garotinha, que nasceu com uma doença primária, chamada de Atresia de vias biliares e precisa de um fígado para continuar vivendo.

A mãe revelou a história de superação nas redes sociais e chamou a atenção da imprensa. Muita gente se comoveu multiplicando a notícia para ajudar a filha do casal Claudinei de Lurdes Pires e Adriene Patrícia Ferreira. Eles não imaginavam que tantas pessoas fossem se colocar a disposição, o que deixou a família extremamente feliz. 

Após a divulgação do caso com exclusividade pela Equipe Positiva, muita gente procurou a família, que selecionou cinco doadores que provavelmente preencheriam os requisitos. Quatro foram desclassificados e sobrou a analista de crédito de uma rede de lojas de 26 anos, Helen Rose Mendes Mesquita que passou por todas as etapas.

Maria Luiza e Helen conversam e parece que já se conhecem a muito tempo
Maria Luiza e Helen conversam e parece que já se conhecem a muito tempo

Nossa reportagem levou a doadora na casa de Maria Luiza, no bairro Philadélfia. Elas já estão bem entrosadas, Helen se sente em casa e diz que está amando todo mundo de lá. Adriene não esconde que sua família ganhou um novo membro. Mas nossa conversa lá foi mesmo com Helen Rose, que descobriu um pouco da luta do casal por uma mensagem que chegou em seu celular pelo whatsapp. A primeira exigência de que o doador precisava ter sangue tipo 0, negativo ou positivo, a fez comentar com uma colega de trabalho que é parente de Maria Luiza de que ela estaria disponível. Helen pegou o número do celular de Adriene e sem saber quem era fez o primeiro contato e se comprometeu a ajudar.

Como havia outras pessoas na fila, Helen precisava esperar que estas outras pessoas fizessem os exames. Outros doadores foram desclassificados e no dia do aniversário de Helen, em 31 de março, ao invés de uma festa de comemoração ela viajou para São Paulo (SP), até o Hospital AC Camargo, onde Maria Luiza trata a doença. Foram uma bateria de exames, começando pelo de sangue, passando por ultrasson, ressonância, o médico anestesita e até uma conversa com o psicólogo. Nela, muitas perguntas foram feitas a fim de deixar claro os riscos que ambas correm e da decisão que a jovem estava tomando. Hora nenhuma segundo ela teve medo ou pensou em desistir, porque não acredita que sua atitude seja uma coisa de outro mundo. “Acho que todo mundo deveria pensar assim como eu”, contou. Depois de dizer “sim”, ela pesquisou sobre o transplante e assistiu a muitos vídeos na internet.

Na última consulta com o médico cirurgião, a doadora soube que depois de preencher os requisitos fundamentais para fazer o transplante, ela precisava emagrecer de 5 a 8 quilos. Para perder peso ela literalmente fechou a boca e entrou na academia. Já perdeu os quilos que precisava em duas semanas, mas continua malhando.

Outra exigência é que Helen não podia ter nenhuma cárie nos dentes. Foi ai que eles encontraram mais um parceiro, o dentista Dr. Rodrigo Otávio que disponibilizou todo o tratamento gratuitamente, sem custo para ninguém.

Para viajar tanto e se ausentar vários dias do emprego, ela contou com o apoio da empresa onde trabalha a dois anos, o Magazine Luiza, que está apoiando a iniciativa da funcionária, que ganha folgas remuneradas todas as vezes que precisou faltar, já que o Hospital não emite nenhum atestado. E a compreensão é grande. Helen terá que ficar internada após o transplante durante 7 dias no Hospital. Um mês ela terá que permanecer em São Paulo, tempo suficiente para o fígado se regenerar, mas por determinação médica, voltar a trabalhar só depois de 90 dias.

Adriene Ferreira revelou que como Helen não tem nenhum laço familiar com Maria Luiza, era preciso além da decisão dela e de sua mãe, a Dona Regina Martins Mendes Mesquita, que a acompanhou em São Paulo, era necessária uma autorização judicial para fazer a doação do fígado. O advogado Dr. Vitor Adriano Mesquita conseguiu o documento assinado pela Juiza da Comarca de Três Pontas, Dra. Raissa Figueiredo Monte Raso Araújo. O que demoraria, segundo profissionais da área meses, o advogado conseguiu em menos de 24 horas.

Maria Luiza, Helen e a mãe Adriene fazem os planos
Maria Luiza, Helen e a mãe Adriene fazem os planos

Segundo o pai Claudinei Pires, o transplante deve ser realizado daqui a cerca de 15 dias. Depois de agradecer a Deus e a Helen, ele não esconde a satisfação com a Dani Stúdio Fitness, o advogado Dr. Vitor Adriano e o dentista Dr. Rodrigo Otávio.

Ele será capaz de salvar a vida da menina que apesar de estar com sua saúde comprometida, não esconde o sorriso. Ao longo deste tempo de espera, a menina desenvolveu uma cirrose no fígado o que acabou complicando outros órgãos. Ela tem hipertensão portal, que é a pressão alta do sangue na veia porta, que causa as varizes de esôfago que pode causar uma hemorragia e provocar a morte. Suas plaquetas estão em um nível muito abaixo do normal. Elas deveriam estar dentro da referência entre 150 mil a 450 mil, mas está com 30 mil, o que pode provocar uma hemorragia. Com a amônia 96 em um nível muito alto, Maria Luiza também pode entrar em coma.

Ao ser fotografada para a reportagem, Maria Luiza divide os olhares com a câmera e enorme espelho na sala de casa. No sofá ao lado, os pais que são devotos de Padre Victor a observam e acreditam que tudo sairá conforme a vontade de Deus.

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