Desde a sexta-feira (15), não se fala em outra coisa em Três Pontas, se não a Festa da Padroeira da Cidade, Nossa Senhora D’Ajuda. A novena na Matriz e a grande quermesse realizada na Praça Cônego Victor, atraem moradores de todos os cantos, mobiliza um batalhão de católicos colaboradores/voluntários que dedicam horas de trabalho para recepcionar, servir e atender bem aqueles que reúnem as famílias e vão passar momentos agradáveis em uma festa que apesar de ser apenas o terceiro ano, já se transformou em tradição.

Ela supera mais uma vez todas as expectativas, depois de um período em que a imagem da Santa, percorreu bairros e residências e também em uma demonstração de fé, levaram os trespontanos a acompanhar a peregrinação.

Equipe sacerdotal da Paróquia D'Ajuda junto com bispo Dom Diamantino
Equipe sacerdotal da Paróquia D’Ajuda junto com bispo Dom Diamantino (Foto: Hécio Rafael)

Meio a correria e vida agitada destes dias com a festa, o pároco padre Ednaldo Barbosa parou um tempinho para falar com a Equipe Positiva. Ele nos recebeu na Casa Paroquial junto aos voluntários que utilizam o espaço do prédio para preparar muita coisa do cardápio, servido nas tendas pelos membros das pastorais, movimentos e grupos durante estes dias.

As equipes do Conselho Administrativo Paroquial (CAP) e as lideranças da Paróquia, vem planejando a festa a um bom tempo. Mas quando de fato se inicia as festividades, há uma equipe gigantesca, desde as primeiras horas dos dias, que atravessam a noite para fazer a quermesse acontecer, de forma organizada. Com o rigoroso controle que é realizado, todo fim de noite é possível se ter uma noção de como está o estoque, o que foi vendido, arrecadado e avaliar o que foi melhor e o que precisa ser aprimorado. Quem pensa que na hora que as barracas param de servir, o trabalho acabou se engana. Para muitos é hora de iniciar os cálculos e preparar o dia seguinte.

A estrutura montada em frente a Matriz D’Ajuda é pensada para acolher a família. Os casais podem ficar assentados, acompanhando seus filhos, crianças e idosos. O espaço foi criado para a uma confraternização, para as pessoas se conhecerem, se divertirem, trocar conversas, conhecer aqueles que estão a frente das pastorais e movimentos e porque não fazer amigos. “O objetivo principal é justamente este”, garante padre Ednaldo.

O local está bem aconchegante, graças ao trabalho do decorador Rovilson Andrade, que criou uma espécie de oratórios com a imagem da padroeira, que ficam pendurados no teto dentro do ‘salão’. Borboletas, beija-flores e araras, também fazem parte da arte desenvolvida, inspirada na nomeação do Papa Francisco, que segundo Rovilson, dedicou sua denominação religiosa, no santo padroeiro dos animais – São Francisco de Assis. E olha que trabalho não faltou. Rovilson também montou a logística para que o evento conseguisse aprovação do Corpo de Bombeiros. A festa começa em seguida a missa da novena e tem horário para terminar. Por mais que haja uma insistência, padre Ednaldo afirma que a organização prefere terminar por volta de meia noite. Após este horário, as famílias, para quem a festa é destinada começam a ir embora, além do que os voluntários, são profissionais que trabalham o dia inteiro fora e vem após o horário para servir e ajudar,  a esta altura já estão precisando descansar. Há aqueles que voltam cedo no dia seguinte para outras tarefas. “Não faz sentido estender madrugada adentro, embora tenhamos público para isto”, acrescenta o pároco. Pelos cálculos feitos pelo religioso, só a noite a festa mobiliza cerca de 400 voluntários. Apesar do planejamento elaborado por uma grande equipe, atender as demandas nas barracas é cada vez mais um desafio maior.

E olha que o frio não tem espantado o público, aliás, chama muita gente para comer pratos deliciosos, como por exemplo, o famoso caldo de feijão, que é o campeão de vendas. Por mais que se dobre a quantidade toda noite, ele sempre acaba logo. Além disso tem canjicada, churrasco, espetinho de frango, quentão, três qualidades de chopp, incluindo o de vinho e pastel. Na barraca das crianças, tem churros, pipoca, doces, algodão doce e brincadeiras. Na tenda maior, as famílias participam de leilões de prendas e eventos culturais.

Como guia e gestor da Paróquia, padre Ednaldo se alegra em ver tamanha mobilização em duas festas enormes que são realizadas em Três Pontas, como a Festa do Venerável Padre Victor e a da Padroeira, apesar de serem bastante distintas. “Na festa da Padroeira Nossa Senhora D’Ajuda, resgatar a quermesse é algo que foi surpreendente e está no coração do povo”, diz. Nela, as pessoas ajudam da forma que podem, produzem aquilo que sabem e colaboram com as causas da Casa de Deus. A região é marcada por quermesses ao longo da história. Mas é claro que ver a proporção que a festa da santa protetora dos trespontanos se tornou, além de dar uma grande alegria, aumenta cada vez mais a responsabilidade, em continuar fazendo da Festa da Padroeira, um ambiente que envolva toda a sociedade, empresas e as comunidades.

As despesas são enormes e só não fica mais cara, por conta das doações que todo mundo faz. Não se ganha tudo e muita coisa é preciso comprar, tudo feito com pesquisa de preços.

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O dinheiro arrecadado fica no caixa único da paróquia e atende a rede de comunidades formada por quatro urbanas e 10 rurais. Em 2014, não se teve nenhum objetivo específico para aplicar o que foi arrecadado, mas simplesmente de manter as despesas da caminhada da Paróquia ao longo do ano. Padre Ednaldo explica que o que deve manter a comunidade é o Dízimo, mas as dificuldades e questões a serem resolvidas na maior Paróquia da Cidade, são muitas e diversas.  No ano passado, os recursos possibilitaram a realização de pequenas obras ao longo de todo ano, sem ficar devendo nada, mantendo pedreiros e serventes, em pequenas reformas nas comunidades rurais. Uma das primeiras foi a sonorização interna e externa das igrejas de São Sebastião, no Pontalete e de Nossa Senhora do Rosário, no Distrito do Quilombo. “Todas as comunidades que necessitam de atenção, nós as oferecemos. Pode ser que demore um pouco a chegar por questão das prioridades”, justifica o religioso.

Para este ano, novamente não foi assumido um compromisso exclusivo, mesmo porque não se sabe ou preve o resultado financeiro que haverá. Porém, o pároco já antecipa que se for muito satisfatório, pode se lançar vôos mais altos, como a reforma e ou restauração dos Centros Catequéticos, reforma do Centro Pastoral, capelas a serem construídas e terminadas.

A mensagem que o líder religioso deixa à população, é de gratidão pelo empenho que as pessoas tem de colocar a serviço aquilo que elas são capazes, para que a festa aconteça. Os agradecimentos foram aos que podem fazer uma grande doação, outras que doam seu tempo e outras que vêem rezar e pedir as bênçãos de Deus na novena ou participar das atividades culturais. “Que este espírito de assentar em uma praça, celebrar a vida no adro da Igreja, em comunidade, possa ajudar as pessoas no decorrer do ano. Que possamos assim, perceber que em comunidade, quando somamos forças, somos capazes de mudar muitas coisas. Quando cada um aprende a suporta o outro, na sua limitação, porque tem algo a mais para ser alcançado, assim veremos que o Reino de Deus acontece”, disse padre Ednaldo Barbosa.

A festa termina no próximo domingo (24), dia da Padroeira. Até lá acontece a novena do Santíssimo na Matriz as 15 horas, Oração do Terço as 18:00 e missa as 19 horas.

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(Foto da capa: Hécio Rafael)

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