Santa Casa tem uma dívida em torno de R$8 milhões, mas que está toda em programas de refis. Administração está lançando o Cartão Saúde, ampliando a arrecadação na conta de água e construindo apartamentos.  Medidas são para levantar recursos 

O administrador hospitalar Silvio Denis Grenfell (66) assumiu em abril deste ano, a administração da Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis em Três Pontas. Ele tem experiência no ramo de mais de 30 anos e fez antes de assumir o cargo, um estudo minucioso, colocando no papel a real situação do hospital trespontano, apontando as dificuldades, as perspectivas e seu potencial de crescimento. Seu perfil de administrar o faz acreditar que não é por causa da crise que não se  pode crescer. O relatório fidedigno demonstrou que a situação não é fácil de ser encarada, porém, muito aquém do que já enfrentou em outras localidades, como por exemplo, semestre inteiro sem pagar servidores.

O planejamento elaborado por Grenfell é de até o final de 2017, colocar o Hospital em um padrão de macro região, fazendo alta complexidade e por isto, a ajuda das autoridades e da população se torna fundamental. A Prefeitura já está ajudando perante aos órgãos de outras esferas a enfrentar estes desafios.

Crise e dívidas não são motivos, segundo Grenfell, para não avançar
Crise e dívidas não são motivos, segundo Grenfell, para não avançar

O ESTUDO

Durante 20 dias, em agosto do ano passado, Grenfell levantou tudo o que era necessário. E agora, começou a viabilizar as formas de colocar o diagnóstico em prática. A crise e as dívidas na visão dele, não são motivos para restringir, recuar e não investir. O planejamento foi muito discutido com a Irmandade e todos perceberam que o crescimento pode acontecer, com acompanhamento e gestão profissional.

MEDIDAS JÁ COMEÇARAM 

Uma das maneiras de fazer tudo sair do papel é conseguir recursos. Uma das medidas tomadas foi reformar o antigo Posto 2, que foi transformada em uma nova ala de apartamentos, para atender particulares e convênios. Isto gerará um volume considerável de recursos permitindo que “clientes”, deixem de ir para Varginha e optem por Três Pontas. Os apartamentos só não estão funcionando ainda porque faltam chegar os móveis da mobília. O espaço que atendia pacientes do SUS foi transferido para outro andar. Isto só foi possível porque a Unimed que está demonstrando ser uma grande parceira, fez um adiantamento à Santa Casa e vai descontar em parcelas. Apesar disso, o administrador admite que a verdadeira missão do Hospital é atender os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e sempre será. Mas, esta área possibilitará uma lucratividade maior, para poder encarar o rombo que o SUS dá em termos de receita.

O Laboratório do Hospital está ampliando seu leque, e a expectativa é obter uma capacidade para atender 2 mil exames dia, para as demandas do Pronto Atendimento Municipal (PAM), da própria Santa Casa e também da própria comunidade.

A taxa de ocupação do hospital que era muito baixa, em torno de 40%, agora está em quase 100%, todos os dias. Os contratos de convênios foram renegociados e os pacotes foram melhorados.

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI), precisa ser ampliada dos atuais 10 leitos para 20; a criação da Hemodiálise e o término do Centro Cirúrgico vão gerar outras receitas e são fundamentais serem concretizadas.

Já foi um avanço a contratação dos neurocirurgiões que estão atendendo não apenas na retaguarda do PAM, mas também fazendo várias cirurgias importantes para salvar vidas e consequentemente trazendo receitas.

SITUAÇÃO FINANCEIRA

Toda a dívida do Hospital São Francisco de Assis gira em torno de R$ 8 milhões, mas está toda em programas de refis, que a Administração espera quitar, segundo Grenfell. Até para que o hospital se torne adimplente e tenha a Certidão Negativa de Débito para que possibilite o recebimento de recursos. A expectativa é em agosto quitar aquilo que é necessário para obter o documento. Há um tributarista que está fazendo as renegociações na Receita Federal, mas cerca de R$120 mil já são pagos mensalmente, incluindo encargos trabalhistas, sem atrapalhar o planejamento deste crescimento.

Desde abril, as compras atuais e os pagamentos dos funcionários estão sendo pagos em dia. Não há nenhuma cirurgia ou procedimento que tenha sido foi suspenso por falta de material. No caso dos funcionários, eles recebem dentro do mês e não no 5º dia útil como deveria. Para colocar isto em prática, uma das maiores vontades da Administração é receber em dia os repasses do governo, o que não está acontecendo. Por isto, os servidores recebem entre os dias 13 e 15 de cada mês. “Se tudo correr bem nos próximos esses, isto será regularizado pois a gente sabe que eles precisam”, reconhece Grenfell.

Este mês foi usado uma parte da subvenção da Prefeitura, que está sendo repassada rigorosamente em dia, para quitar uma parte do salário do mês de junho, aos médicos. Estes profissionais ainda faltam receber uma parte de seus vencimentos.

Não fossem as dívidas atrasadas, o hospital já poderia pensar em obter lucro, pois as despesas e as receitas estão empatadas. A maior receita vem do SUS que é de cerca de R$500 mil, incluindo os convênios. O dinheiro recebido pelos convênios, como da Unimed, vem crescendo cerca de 20% mês e a perspectiva é melhorar cada vez melhor, com a entrega dos apartamentos.

Tem também a subvenção mensal da Prefeitura, a doação na conta de água do SAAE que está sendo ampliada com a campanha “O Hospital é da nossa conta”. Atualmente são repassados R$18 mil mês, mas pode chegar a R$40 a R$50 mil, de forma gradativa. A intenção é ampliar o valor com as residências que já contribuem e claro, conseguir novos colaboradores.

Tem a Rede de Urgência e Emergência que da à Santa Casa R$ 200 mil mês, porém, não há regularidade nos repasses. O pagamento do mês de junho que deveria ter sido depositado no dia 20 do mês passado, até quinta-feira (16) não havia chegado. Por conta disso, é que os médicos não receberam todo o salário. Há um repasse anual que vem do Pró Hosp que é usado para cirurgias e internações. Todos estes valores chegam com destino certo e não podem serem gastos em qualquer área.

Toda a receita hoje gira em entorno de R$1,2 milhão e só a folha de pagamento demanda 40% do valor, cerca de R$480 mil, incluindo os encargos, fora ainda os médicos, que custam R$360 mil. Antes, a despesa causava um rombo mensal de R$200 mil todo mês, o que já não acontece mais.

DSC05965MEDIDAS ADOTADAS

No relatório feito pelo administrador Silvio Denis Grenfell, tem as maneiras de se diminuir os custo e aumentar a receita. Apesar do hospital ainda não ter lucro, medidas foram adotadas e o resultado já são sentidos no caixa da instituição.

Para a aquisição de medicamentos, foi feito uma plataforma de compras que gerou uma economia em torno de 30%. O investimento com remédios para atender os pacientes era entre R$110 mil a R$140 mil. Não falta nada e este valor caiu para R$70 mil. A conclusão é de que o hospital comprava mal.

Outro exemplo de economia que está sendo feita, é na compra de materiais de limpeza para a rouparia. O maquinário utilizado para lavar as roupas está sendo reformado em parceria com a empresa fornecedora e já apresenta uma economia substancial com um gasto que era de R$20 mil caindo para R$7 mil. “Estamos nos aproximando de nossos fornecedores, mostrando à eles que todos precisam estar de mãos dadas nas horas boas mas também ruins”, aponta.

RECURSOS ESTADUAIS E FEDERAIS

O único investimento de emendas parlamentares que o Hospital recebeu recentemente foi R$350 mil de um montante de R$600 mil que foram anunciados. A primeira parcela foi recebida e tem também destino certo, para a compra de materiais e medicamentos e não pode ser usado em outra área. “É bom deixarmos claro que não recebermos os R$600 mil conforme foi anunciado” contou. É sim uma boa notícia, já que em contato com outros hospitais de Minas Gerais que fizeram os projetos eles não receberam nem mesmo esta primeira.

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