Com cinco meses de salários atrasados e sem condições mínimas de trabalho como a falta de materiais básicos para cirurgias e procedimentos, os médicos do Hospital São Francisco de Assis de Três Pontas anunciam que se não houver solução, o atendimento será suspenso a partir de sexta-feira (14) e apenas casos de urgência e emergência serão aceitos.

A decisão foi tomada em assembleia geral realizada na noite desta segunda-feira (10), na Casa Unimed e contou com a presença de 20 profissionais. Há um mês, profissionais da clínica médica deixaram de receber novos pacientes no Hospital.

O delegado do Sindicato dos Médicos do Estado de Minas Gerais (Sinmed) Dr. Adrian Nogueira Bueno (foto) veio trazendo ofícios que serão encaminhados aos órgãos e autoridades que deverão ser entregues nesta terça-feira (11). Serão comunicados – a Provedoria da Santa Casa, a Prefeitura de Três Pontas, a Promotoria de Justiça e a Câmara Municipal de Vereadores. A partir daí, 72 horas depois a suspensão poderá ser iniciada, sem prazo para terminar, ou até que os pagamentos sejam feitos.

Toda a mobilização tem o amparo do Conselho Regional de Medicina (CRM), para que a suspensão possa acontecer. No sistema do SUS Fácil, o Hospital da cidade não estará mais disponível para receber pacientes e os que estão aqui entrarão na fila para serem transferidos para outras unidades hospitalares.

De acordo com o representante sindical, os médicos entendem que a situação é muito ruim para Três Pontas e todos os municípios na qual o Hospital é referência. Por diversas vezes, eles ressaltaram na assembleia, que a suspensão não é apenas pela falta dos salários, dos meses de novembro, dezembro de 2016 e abril, maio e junho deste ano, mas também das condições de trabalho daqueles que restaram. Já que a maioria deles pediu demissão e comprometeram a escala, principalmente nos setores de pediatria e obstetrícia.

Segundo o médico ortopedista Dr. Gilberto Ximenes Abreu, durante seu plantão na Santa Casa neste fim de semana, um paciente que precisa de uma cirurgia de colo do fêmur não pode ser operado por falta de materiais. “Não podemos submeter o paciente a um risco sem ter o material adequado”.

Para Dr. Adrian Nogueira, a falta de condições de trabalho, leva a uma fragilidade dos profissionais que não tem como fazer um bom atendimento e pode comprometer o tratamento médico que o paciente necessita. Na entrevista ao vivo à Equipe Positiva, ele revelou que há muito tempo está se tentando negociação com a Prefeitura e o Hospital. Este último fez uma proposta e os médicos apresentaram uma contraproposta, mas após isto, não houve nenhuma movimentação. Assim, a classe optou por fazer a suspensão.

O diretor clínico da Santa Casa, Dr. Eduardo de Vasconcelos Camargo narra que é impossível encontrar médicos para substituir aqueles que saíram, já que a fama do Hospital ser mal pagador já se espalhou. Com isto, é preciso emendar plantões, os médicos sabem apenas o horário que vão entrar, mas sem saber quando vão voltar para casa. Um dos médicos presente na assembleia contou que passou o fim de semana inteiro na Santa Casa. Chegou na sexta-feira e só saiu na segunda-feira no início da noite, quando um outro lhe rendeu. O contrato com os médicos neurocirurgiões terminou e ainda não se sabe se eles irão renovar.

Como ficam os atendimentos na Santa Casa

Se a suspensão se concretizar, a partir da próxima sexta-feira, segundo o Sindicato, somente pacientes que necessitem de atendimentos de urgência e emergência serão aceitos. Cirurgias eletivas e outros atendimentos agendados estarão suspensos por prazo indeterminado.

Dr. Gilberto Ximenes, explica que as cirurgias de pacientes que estão internados serão realizadas. Ele também deixou claro que os trespontanos que derem entrada pelo Pronto Atendimento Municipal (PAM) e necessitarem de internação, caberá a Prefeitura fazer a transferência, para os hospitais da região.

Ximenes concluiu na expectativa de que o Prefeito Dr. Luiz Roberto seja sensível o suficiente em apoiar seus colegas de profissão, mas também não deixe a população da região desassistida.

O delegado sindical Dr. Adrian faz questão que seja registrado, que mesmo sem receber a meses, os médicos sempre foram sensíveis e continuam atendendo até hoje, em uma demonstração de carinho e amor pela cidade, sem mesmo terem uma perspectiva.

A realidade não é muito diferente em outras localidades do Estado, por causa da falta de repasses do Governo do Estado de Minas Gerais, mas Dr. Adrian assegura que é preciso que autoridades se mexam, a exemplo da comunidade que está tomando iniciativas fundamentais.

Assista a reportagem da decisão

 

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