E o Título de Mãe do Ano de 2018 oferecido pelo Rotary Clube de Três Pontas vai para Benedita de Souza Fernandes, a Dona Benedita Ezequiel como carinhosamente é conhecida por todos.

Filha de Adelino Feliciano de Souza e Ercília Augusta de Oliveira, está com 84 anos muito bem vividos. Apenas nasceu em Nepomuceno, porque logo aos nove anos de idade, mudou-se com a família para Três Pontas.

Em sua casa na Travessa das Flores, Dona Benedita nos recebe toda vaidosa, para uma entrevista ao lado das filhas. É lá que todos os dias almoçam 13 pessoas, filhos, netos, sobrinhos e mais alguém que chegar, todos ao redor da mesa.

Os cabelos brancos denunciam a idade, mas as palavras sábias e a memória impecável, são logo notadas ao recordar até das poesias que eram escritas em um quadro da Escola Estadual Deputado Teodósio Bandeira.

Aos 14 anos, já era uma exímia costureira, aprendendo o ofício com sua cunhada, Dona Maria Ezequiel, que era referência na alta costura da época, e se especializou na confecção de camisas e vestidos de noiva. Aliás, era a mais famosa da época e bastante requisitada para vestir as mulheres neste momento tão especial da vida.

Aos 21 anos, casou-se com João Ezequiel Fernandes, com quem teve sete filhos – Cassia, Luiz Antônio, Keller, Alberto Vitor, Isabel Cristina, Jaqueline e Junior. Em novembro do ano de 2006, passou por uma grande provação, com o falecimento de seu filho caçula, o saudoso Juninho. Foi o momento mais difícil de sua vida. Mas apesar da intensa dor, sua fé inabalável a fez prosseguir com garra e determinação, cuidando dos seus entes queridos com braços forte de uma guerreira incansável e temente a Deus.

As dificuldades para cuidar dos filhos foram enormes. Todos eles receberam uma atenção especial quando se tratava dos estudos. Na época não havia as facilidades que existem hoje, como os programas do governo. Todos se formaram no segundo grau e as três filhas cursaram faculdade. A vida lhe presenteou com 15 netos, dois bisnetos e um tataraneto. Todos são muito bem decididos, cursam faculdade e uma das netas faz medicina, seguindo um sonho da avó que era ser médica. Sem falar nas sobrinhas que ela também criou, recebeu carinho e amor de mãe, da Vó Dita.

A chegada das datas comemorativas é a certeza que todos irão se juntar para festejar. No mês de janeiro, muitos deles fazem aniversário, mas a comemoração não é única. Cada dia é um parabéns, uma forma de estarem ainda mais juntos. No Natal a reunião é obrigatória e são pelo menos umas 80 pessoas comemorando. Isso deixa a Dona Benedita ainda mais feliz e satisfeita, tanto é que ela declama poesias que aprendeu no curso primário em todas as ocasiões. É mais uma demonstração de sua vitalidade e disposição para viver bem. O grupo de canto Cigarras Cor de Rosa fizeram uma visita surpresa para ela na segunda-feira (07) e cantaram para a matriarca. Ela retribuiu com um recital, assim como no dia que soube que seria a homenageada pelo Rotary Clube.

Dona Benedita prestou concurso para o Governo do Estado de Minas Gerais e ingressou na Escola Estadual Deputado Teodósio Bandeira, como contínuo servente. Ela quem preparava a alimentação e caprichava. A sabor da sopa preparada com tanto amor, era tão deliciosa que ao saírem para o recreio, todos saiam correndo para pegar o primeiro lugar da fila. Um desses era o oftalmologista Dr. João Carlos Nogueira Mesquita. Ela revela que na época, a sopa era sempre de macarrão e fubá, mas chegou a fazer sopa de trigo torrado. O Governo mandava o básico e alguns itens ela até levava de casa. A escola fornecia alguns temperos como alho e cebola. Mas era a criatividade e o sorriso tão peculiar, tão seu, tão mãe de todos que a fez ser tão querida pelos alunos.

Trabalhou sete anos como contínuo servente. Sempre buscando novos conhecimentos, conseguiu concluir o 1º grau, seu antigo sonho. A partir dai, dado a sua inteligência e capacidade, foi convidada pelo então diretor, Dr. Alberto Vitor Ximenes para trabalhar na secretaria, inspetora de alunos e na biblioteca da Escola, onde prestou relevantes serviços por 24 anos e com 31 anos de sua vida dedicada a escola se aposentou, em 1995.

Apreciadora da boa leitura, ama fazer palavra cruzada, gosta de boa música e poesia, estrelas, passarinhos e crianças. Seu cantor predileto é Milton Nascimento, a quem sempre faz referência. Adora as músicas do sobrinho, o cantor e compositor Alexandre Arez. Bolero e tango é com ela mesma. Ela não admite, mas as filhas dizem que ela é boa também para cantar.

Enfim, Dona Benedita gosta do que é belo; e bela é sua vida, repleta de sonhos, conquistas e alegrias, ao lado de todos que ama, e que a amam fortemente. Sobre as homenagens ela diz que ficou surpresa e não esperava. “Foi uma surpresa agradabilíssima e fiquei muito honrada. Sou muito grata ao Rotary de Três Pontas”, disse Dona Benedita Ezequiel.

O Grupo Cigarras Cor de Rosa cantaram para Dona Benedita em sua casa

“É muito bom ser importante, mas é mais importante ser bom”, diz a Mãe do Ano. Ela afirma que as portas de sua casa estão sempre abertas a quem sempre bate nela. “Recebo as pessoas na minha casa, como gostaria de ser recebida na casa dos outros”.

Sua trajetória de vida e reconhecimento por seus feitos serão coroados com a homenagem prestada pelo Rotary Clube de Três Pontas, na missa deste sábado, as 18:30. Na segunda-feira ela receberá a honraria da Câmara Municipal, durante sessão solene no Plenário Presidente Tancredo Neves, as 19:00 horas.

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