* Secretaria de Saúde apura o caso para depois se pronunciar

Denis Pereira – A Voz da Notícia

A família de Geni de Jesus Mesquita Moreira ainda sente a dor de ter perdido a dona de casa, a poucos dias dela completar 50 anos de idade. Justamente no dia em que ela faria aniversário, seu marido, os filhos e familiares foram celebrar sete dias de sua morte.

MorcegoNa manhã deste sábado (04), o aposentado José Martins Moreira(foto) o popular Zé Morcego como é conhecido, recebeu a Equipe Positiva em sua residência no bairro Santa Edwirges para contar um pouco da história que viveu no dia 29 de dezembro de 2013, uma data que ele jamais vai esquecer.

Ele e a esposa acordaram na manhã de domingo normalmente. Ela se levantou apenas para dar remédio para a filha do casal de 12 anos. As 8 horas o casal se levantou. Meia hora depois a dona de casa começou a preparar o almoço para o marido e foi para a casa da mãe, no mesmo bairro, já que eles estavam recebendo a visita da sobrinha/afilhada.

Por volta de 10h30, Dona Geni voltou dizendo que estava sentindo dores no braço direito e no peito. Ainda na casa da mãe teria tomado um analgésico mas não tinha resolvido. Zé Morcego a chamou para ir ao Pronto Atendimento Municipal (PAM). E foi o que o casal fez. As 11:05 eles chegaram no serviço de saúde e já estava fazendo a ficha na recepção, enquanto ela aguardava no carro. Foi explicado ao atendente que a esposa precisa de um atendimento mais rápido e contaram com a colaboração de duas pessoas desconhecidas, que deixaram a mulher ser atendida primeiro.

O marido conta que as 11:15 entrou para a sala de espera interna do PAM, mas a ficha consta que foi atendida as 11:33. No consultório a médica de plantão conversou com a paciente normalmente, fez a medição da pressão arterial e a mandou para fazer um eletrocardiograma. Depois do procedimento, a própria Dona Geni viu o resultado e que não havia alteração, o que foi confirmado pela médica. José Morcego ainda questionou se o aparelho não poderia estar com problemas. A médica prescreveu uma medicação feita na paciente, uma injeção para dor. Era preciso esperar 20 minutos. Depois de passado este tempo, a dor ainda persistia, ao questionarem os profissionais foram orientados a aguardar mais 10 minutos.

Nestes dez minutos, o aposentado presenciou uma situação que ele faz questão de relatar na reportagem. Um acompanhante chegou da Sala de Observação aos gritos, dizendo que um homem estaria morrendo, porém, ninguém o atendeu. Depois de alguns minutos ele voltou a solicitar a presença dos profissionais, mas de novo em vão. Foi uma outra pessoa que um tempo depois, cercou um funcionário que foi até a observação e levou o rapaz para a Sala de Emergência. Eles começaram a fazer massagem cardíaca, com a sala aberta, por isto, quem estava no PAM acompanhou, mas foi tarde demais e o homem acabou morrendo.

O tempo passou e a paciente foi levada também para a observação onde foi novamente medicada com injeção e foi colocada no soro. O marido foi em casa e a sobrinha ficou a acompanhando. Antes de ir, o marido procurou pela médica que a atendeu, mas, ela teria ido almoçar. Quando voltou conversou com um médico, que explicou sobre a medicação feita e disse que Dona Geni poderia morrer de qualquer coisa, menos de coração, já que a dor era do lado direito e o coração fica a esquerda. Segundo o profissional, ela estaria com um caroço no pescoço que estaria provocando a dor.

Como aparentemente o problema seria simples, Zé Morcego foi em casa novamente e buscou o filho para ficar com a mãe. Mas quando voltou a situação dela havia piorado. Ela rolava de dor na cama. Foi ai que ele tentou falar com os médicos novamente, por volta de 15:20, mas foi informado que aquele seria o intervalo para o café e descanso e por isto não pode entrar para conversar. Cerca de 15 minutos a médica saiu da cozinha e disse ao marido uma frase que chama a atenção. Que ele é quem sabia o problema da esposa. Perguntou ainda se ele havia brigado com a sua mulher. Zé Morcego negou e falou que há pelo menos dois anos ambos não discutiam. A médica foi até a paciente e disse que havia sido aplicado nela dose de morfina. A família até então não sabia disso, a médica afirmou que esta medicação tira dores até de pacientes
Dona Geni em estado terminal. A profissional teria dito ainda que o problema seria emocional, e  que era fingimento de Dona Geni (foto) e que era para ela criar ‘vergonha’. 

As horas foram passando e as 15:45, a paciente começou a vomitar e dizer que a médica a iria matar. Foi quando mais uma injeção foi aplicada e a situação dela piorou ainda mais.

Foi pedido um raio x do tórax. Como o exame é feito no Hospital São Francisco de Assis, que fica anexo, Dona Geni foi colocada na cadeira de rodas e gritando por causa das dores que sentia foi levada até a sala. Lá foi sentada em um banco, com a ajuda do marido, pois já não conseguia parar em pé. Depois de passar pelo procedimento, Geni pediu para ser segurada pois se não iria cair. O marido a colocou de volta na cadeira de rodas. Ele chamou pelo enfermeiro dizendo que ela iria morrer. Ele simplesmente disse que era necessário esperar o resultado. Quando saiu eles voltavam para o PAM. Dona Geni na cadeira, o marido e um enfermeiro entraram no elevador e antes de chegar ao andar de cima, a situação se complicou e Zé Morcego entrou em desespero. Em determinado momento, o soro que ela mesmo segurava caiu no chão, ela virou a cabeça para trás. O enfermeiro pediu a ajuda do marido para firmar a cabeça dela. Ao chegar no PAM, o profissional saiu nos corredores pedindo ajuda. Para ele, sua esposa morreu dentro do elevador. Eles a socorreram para a Sala de Emergência, fizeram massagem, deram choque e injeção. Acompanhando o sofrimento, Zé Morcego dizia que não era preciso fazer mais nada que eles haviam matado mais uma pessoa, agora a sua companheira.

No meio dos trabalhos, um dos profissionais disse que havia chance de ressuscitá-la. Foi quando ele foi retirado da sala, onde a equipe com médicos e enfermeiros permaneceu por cerca de 10 minutos, com tudo fechado. Dona Geni ainda foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e eles não tiveram mais contato com ela ou qualquer notícia. Uma hora depois foi a notícia de sua morte, por volta das 17:30. Mas eles acreditam que ela já estava morta.

Na manhã do dia seguinte, eles procuraram pelo atestado de óbito. Na recepção ele assinou um documento e quando revelou que o corpo seria levado para Necrópsia, a atendente tomou o documento da sua mão e disse que neste caso ele não teria valor e quem o emitiria seria o próprio Instituto Médico Legal (IML). Antes de ter o papel retirado de sua mão, ele viu que a causa da morte seria morte súbita.

A funerária pediu o prontuário médico para levar ao IML e a informação foi de que já havia sido encaminhado para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Na Secretaria foi dito que teriam que ir até a Prefeitura. Lá um advogado, teria dito, segundo Zé Morcego que para pegar o prontuário seria apenas com uma ordem judicial. A necrópsia foi feita mesmo em Três Pontas pelos profissionais do IML e o resultado sai entre 60 e 90 dias.

A família vai aguardar o resultado para tomar providências.

Secretaria de Saúde vai pronunciar nos próximos dias

A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada para comentar as declarações desta reportagem. O secretário de saúde Hermógenes Vanelli disse estar apurando o que teria acontecido para posteriormente dar a versão sobre o atendimento feito no Pronto Atendimento Municipal, o que deve acontecer nos próximos dias.

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