As chuvas mal distribuídas no início do ano, vão refletir nas lavouras de café de Três Pontas na safra de 2019. Houve localidades que choveu dentro da normalidade e na média esperada, mas em outras não foi bem assim. Entre janeiro e fevereiro, de acordo com o diretor técnico industrial da Cocatrel Francisco de Paula Vitor Miranda, em algumas propriedades chegou a chover até 400 milímetros em outras 180.

A partir de fevereiro, as chuvas diminuíram de uma maneira geral, no mês seguinte choveu bem abaixo da média esperada, em abril muito pouco e maio quase nada. Na avaliação de Francisco de Paula, os locais que receberam mais chuva passaram relativamente bem. Na outra vertente, onde choveu menos, de março a maio, a seca foi se acentuando. Neste período do ano, entre junho e agosto, a falta de chuva assusta alguns produtores de café, porém, o tempo é de seca mesmo e é normal não chover, mas os pés de café estavam sentindo.

O reflexo da falta de chuva foi a indução à florada antecipada, o que deve ocorrer já nesta próxima semana. Se isto é favorável, vai depender do que acontecerá daqui em diante e dos cuidados que o produtor irá tomar. A florada deveria acontecer daqui a 30 dias, a partir de meados de setembro, mas está acontecendo agora, atrapalha a lavoura onde ainda não terminou a colheita, ainda tem grãos nos pés e não irá fazer o esqueletamento, porque tem potencial de boa colheita em 2019. Um tanto destas flores serão jogadas fora, mesmo que a panha seja manual ou mecanizada.

Se a chuva parar novamente daqui para frente, pode atrapalhar o pegamento desta florada e pode acontecer o aborto destas flores. Isto pode provocar, uma produção de café desigual no ano que vem. O produtor pode ver na sua lavoura grãos bastante verdes e grãos bastante maduros. “A florada antecipada de agora vai representar 30% da principal florada e se na próxima for realmente 70%, haverá frutos desiguais e a qualidade tende a ficar prejudicada em vista desta desigualdade”, alertou o diretor da Cocatrel.

As chuvas destes últimos dias normalizaram a situação. Em algumas localidades chegou a chover 40 milímetros, somando o volume mais alto na sexta-feira (03).

Neste momento o produtor que tem um bom potencial de colheita para o ano que vem, deve fazer uma adubação antecipada, já de imediato, com produto a base de nitrato, cuidar das foliares, pré e pós florada, com produtos específicos para isto e torcer para chover, orientou Francisco.

Porém, se chover atrapalha a varrição do café que está no chão e a perda da qualidade é enorme. As vezes o produtor chega a não conseguir recolher o café que caiu no chão. É preciso que esteja bem seco, se não, nem manual ou mecanicamente é possível fazer a varrição. A quantidade de café que cai depende muito da condição que cada cafeicultor tem para a sua colheita. “Quem tem uma colheita eficiente a tendência é diminuir. Quem não tem maquinário e não faz a colheita na hora certa, falta estrutura de colheita e secagem, a tendência é a qualidade cair e ter mais café no chão”, pontuou.

Em relação a este ano, a qualidade do café deste ano está fantástica, como a muitos anos não se via. Porém, o tamanho do grão, a chamada “peneira”, está baixa e atrapalha um pouco o rendimento. Com isto, é preciso mais medidas para fazer uma saca, principalmente nestas áreas onde faltou chuva e foram mais prejudicadas.

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