O engenheiro civil Marcelo Chaves Garcia (MDB) assumiu a Prefeitura de Três Pontas, nomeou sua equipe de trabalho e dá prosseguimento ao mandato 2017/2020. Surpreso com a renúncia do prefeito Dr. Luiz Roberto Laurindo Dias, Marcelo dá sequência a projetos deixados pelo seu antecessor, pedindo a participação da população com sugestões e parceria com a Câmara Municipal de Vereadores, a quem abriu as portas independente de situação e oposição.

ENTREVISTA MARCELO CHAVES – PREFEITO DE TRÊS PONTAS

Marcelo Chaves, você esperava que o Dr. Luiz Roberto deixasse o cargo de prefeito? Ele comentou com você que faria isto?

Não. Eu não esperava, mas aconteceu. Para mim foi uma grande surpresa.

Você tinha a intenção de se candidatar prefeito após o mandato de Dr. Luiz Roberto? Havia alguma coisa combinada entre vocês?

Não. Não havia nada combinado. Mesmo porque eu me tornei vice na reta final. A princípio eu nem seria o vice. E a nossa preocupação era apenas em administrar a cidade.

Hoje você já tem ciência da situação do município?

Eu estou totalmente a par de tudo, mesmo porque eu estava junto, ajudando e participando.

Você assumiu a Prefeitura em dois momentos bastante conturbados, começando pela Operação Trem Fantasma que levou servidores e secretários para a cadeia e também a greve dos caminhoneiros. De que forma a greve afetou a cidade de Três Pontas?

A greve afetou não apenas Três Pontas, mas Minas Gerais e o Brasil como um todo. Ela teve apoio da população que iniciou de forma correta e a gente entendia a reivindicação e procuramos ir administrando. Mas a medida que a gente vai prejudicando a população, com falta de medicamentos e estrutura que pode comprometer vidas, ai começa a perde um pouco do seu significado. Mas felizmente já foi resolvido.

Em relação a Operação Trem Fantasma, como você recebeu esta notícia e qual foi a sua reação ao saber do envolvimento de secretários e cargos de confiança da Prefeitura com desvio de dinheiro?

Fiquei surpreso e muito triste. Ninguém podia esperar uma situação como esta. Uma situação muito ruim para nós todos e para nossa cidade. O que a gente espera e tem certeza é que se faça justiça.

Dizem que na Administração passada, havia muitos cargos de confiança na Prefeitura. Você reduziu este número?

Estes cargos já existiam. Nós não criamos nenhum cargo. Realmente foram ocupados muitos cargos, mas eu reduzi muito as nomeações. Existem os cargos mas não tivemos nomeações.

Qual foi o critério para a escolha de secretários?

Primeiro foi da competência e depois da confiança e lealdade. São as duas características somadas. Lealdade não comigo, mas com os trespontanos.

Você acha que a sua equipe é melhor do que a do ex-prefeito Dr. Luiz Roberto?

É leviano eu fazer qualquer comparação neste momento. Acho que o tempo vai mostrar isto. Eu confio muito na equipe que nomeie.

A Secretaria de Transportes e Obras foi muito criticada desde o início da Administração. Como você pegou esta Secretaria?

A Secretaria de Obras é realmente uma secretaria bastante pesada e eu tive a experiência de ficar uma semana a frente dela e convivendo com os servidores de lá. Eu fiz algumas mudanças importantes na questão administrativa que acho que deveriam ter sido feita que no meu modo de gerir foram importantes. Foram realizadas obras e atendidas demandas neste período.

Moradores reclamam da situação da Avenida Zé Lagoa que está caindo, da limpeza do córrego da mesma Avenida. Você tem um plano emergencial para resolver estes problemas?

Sem dúvida temos sim. Estamos providenciamos e já licitamos para cuidar de obras que são necessárias neste local.

A Secretaria de Obras anunciou que havia comprado uma quantidade de manilhas para começar a resolver o problema de inundação da Avenida Oswaldo Cruz. Estas manilhas estão paradas no Centro de Eventos. Você acredita que pode amenizar as inundações?

Este problema é sério e vem aumentando ao longo do tempo com o crescimento da cidade. Por isto que o Plano Diretor é muito importante e impede que algumas regiões tenham expansão urbana, para tentar não agravar este problema de enchente naquela região. Só que nós vamos fazer um estudo mais aprofundado. Creio que a colocação das manilhas seja uma solução viável, a gente melhorar a drenagem naquele trecho e as manilhas seriam para isto. Mas nós temos previsão de obras naquela região do Posto Santa Terezinha. Com a mudança da Avenida, a gente ganharia espaço e tem uma solução bem encaminhada neste sentido para que a gente possa ir tentando resolver este problema da melhor forma possível. A drenagem é um dos caminhos, mas nós vamos fazer um estudo técnico mais aprofundado antes de iniciarmos estas obras.

No começo do mandato foi falado que em fevereiro se mudaria o Almoxarifado da Prefeitura para o Centro de Eventos. Você pensa em fazer isto?

Eu acho que um projeto futuro para esta mudança é interessante, mas não neste momento. O Almoxarifado é bastante central e onde está ainda suporta. O projeto de mudança neste momento não é viável e eu já falei com o nosso secretário Maquil. Nós temos a possibilidade de vender a área do antigo Matadouro no centro da cidade, então nós temos que tirar a usina de asfalto de lá.

Funcionários da secretaria pedem a volta da coleta de lixo para durante o dia. Isto vai acontecer?

Na semana que estive como secretário, eles vieram conversar comigo. Eu inclusive marquei uma reunião com eles, que são 20 servidores, que trabalham diretamente neste setor, mas acabou tendo esta nova mudança e a reunião acabou não acontecendo. Mas tive uma conversa preliminar com eles, que querem realmente mudar. Eles apontaram os motivos e acho que merecem a nossa atenção. Me preocupa muito a questão do nosso Aterro, ele precisa ser recoberto diariamente e isto a noite é muito complicado, é difícil de ser feito e principalmente quando chove. Durante o dia isto é mais fácil de ser executado. Já estamos licitando e vamos colocar uma balança lá para ter um controle melhor, porque o Aterro tem que ser trabalhado de uma forma mais técnica. Essa base lá ela não pode deixar de ser compactada diariamente, porque pode se tornar um risco num futuro próximo. De qualquer forma nós não vamos tomar nenhuma decisão precipitada e vamos realizar uma enquete. Vamos ouvir a população, para saber o que é mais viável. Isto vai ser estudado pela Administração.

E quanto a manutenção das estradas da zona rural, em que os produtores tem reclamado que elas estão em situação precária?

Eu sou até suspeito para falar de estrada, porque é da minha área profissional. Eu sempre tive a preocupação com as estradas da zona rural. A agricultura tem um peso forte não só no nosso município, mas na região também e as estradas precisam sempre estar muito boas. Só que manter estradas boas, o primeiro ponto a ser combatido e trabalhado é a questão do controle das águas das enxurradas. A água não pode percorrer com velocidade nas estradas. O problema é que tem que se fazer o serviço todo ano e se gasta uma fortuna, com cascalho, pé de carneiro, rolo compactador e caminhões. A gente faz um serviço bem feito, mas após o período chuvoso e não encontra mais nada lá. Não podemos mais continuar nesta linha. A gente já vinha recuperando as estradas, fazendo as saídas da água da chuva. Para isto precisamos do apoio dos produtores para fazer as retenções e as saídas de água, para que se conserve as estradas. As patrol’s estão trabalhando, cada um para um lado. Já cobrei que temos que fazer um serviço para durar mais e não apenas três meses, para não precisar voltar rapidinho no mesmo local.

Mudando de assunto, a saúde é um grande problema e a reclamação em todos os lugares é a falta de medicamentos e a demora na marcação de consultas e exames. Quais ações você planeja para amenizar estes problemas?

A nossa Constituição diz que a saúde é um direito de todos, mas a gente sabe que o Brasil, o Estado e o Município não tem condição de fazer o que está escrito. Esta é uma realidade. E começa que a própria União e o Estado, se eles não cumprirem o papel de cada um, sobrecarrega demais os municípios e isto vem acontecendo ao longo de anos. Eu vi o crescimento da despesa na área da saúde que compromete toda gestão. Então é necessário que se faça um trabalho, em que o Estado e a União precisam comparecer. Precisamos da própria sociedade, de entidades e instituições ajudando e participando igual tem sido feito com o nosso hospital para que a gente possa conseguir atender a população da melhor forma possível, porque a demanda é muito grande.

A dívida do Estado com o município de Três Pontas na saúde ainda é muito grande?

Ainda é muito grande sim e o mais agravante é que ela foi jogada para o ano seguinte. Os municípios não vão receber esta dívida este ano, porque a situação do Estado e do país não é boa. É que não é apenas com as prefeituras, mas também com os hospitais. Eu não acredito que eles consigam resolver esta pendência este ano nem mesmo com a chegada da Eleição. Se começar a vir remédios e atender melhor os exames, dá pra gente melhorar muita coisa.

Existe a obra do Posto da Peret que está concluída e parada há muitos anos. Foi comentado que se levaria a Policlínica para lá, e a Secretaria de Assistência Social que paga aluguel iria para a Policlínica. Isto vai acontecer realmente?

A ideia é levar mesmo a Policlínica para o Posto da Peret e nós vamos reformar a Policlínica para mudar a Secretaria de Assistência Social.

Se você fosse o prefeito você faria o Posto da Peret naquele local?

Uma das coisas que eu percebo que é um erro do poder público, é a falta de planejamento. É que muitas das vezes se ganha uma obra, mas não tem o local para fazer ela. Ai geralmente se pega o lugar que tem, para não perder a obra e termina acontecendo isto. É o que a gente tem visto acontecer. Algumas obras aqui em Três Pontas, como o Centro de Eventos e esta não estão nos locais adequados, mas era onde a prefeitura tinha terrenos e foram feitas.

Você acha que é possível que Três Pontas gere uma quantidade boa de empregos fazendo incentivo através de processo licitatório?

Acredito que sim. As coisas começaram bem e estão caminhando bem e tende a caminhar melhor ainda. Os desafios são grandes, mas temos totais condições. Três Pontas é uma cidade que ainda atrai muitas empresas, eu confio nisto e acho que vamos gerar muitos empregos sim. E é importante que a gente atue firme nisto.

No dia da sua posse você anunciou uma parceria com a Associação Comercial e Agroindustrial na questão da Secretaria de Indústria e Comércio. Gostaríamos que você explicasse melhor esta parceria.

Primeiro que estamos economizando sem ter secretário de Indústria e Comércio é mais uma economia, porque o secretário de Fazenda, o Aguinaldo Corrêa está respondendo por ela. O Tiãozinho Vermelho não é mais o secretário. Ele continua nos ajudando, através da parceria que temos com a Associação Comercial, que está indicando através da sua diretoria. Como o Tiãozinho já estava trabalhando e a Associação o indicou ele se propôs a nos ajudar, para que a gente consiga dar transparência à população. Nossa intenção é trazer mais empresas, que gerem empregos e receitas. Não nos interessa se é A, B, ou C, para nós importa quem está vindo para gerar emprego e aumentar a nossa receita. No caso das pequenas e médias empresas, nós já estamos trabalhando em um projeto, do Distrito Industrial para poder atender a este pessoal. Ele já está pronto e estamos apostando que vai dar certo, passando pelo crivo da Associação Comercial, com critérios estabelecidos através de licitação.

Já existe uma programação festiva para a comemoração do aniversário da cidade em 03 de julho? Haverá shows nesta programação?

No momento que estamos vivendo, a gente tem percebido que até os empresários mais experientes estão com receio em relação a eventos. O Alex que é nosso secretário de Cultura, que tem um trânsito muito bom e muita experiência e contato nesta área está avaliando. Temos mantido contato com o Hospital para que a gente possa fazer uma parceria para que estes shows, caso aconteçam, os recursos sejam destinados ao Hospital. A festa vai ter, agora, como e em que condições vai depender. Vamos comemorar da forma que a gente tiver condições.

Você acha que vocês prometeram muitos shows durante a campanha e quando assumiram a Prefeitura, viram que isto não era possível?

Eu penso o seguinte. A população precisa e gosta de festa e momentos de lazer fazem parte da vida. Só que é preciso ter prioridades, ainda mais que estamos em um momento de crise. As vezes tem que gastar um pouco mais na área da saúde, até mesmo por conta das ações judiciais e tem que tirar de algum lugar do Orçamento. Esta é uma dificuldade. A justiça e o Ministério Público recomendam que não se gaste recursos públicos em alguns eventos e que se realize festas auto sustentáveis, sem ter dinheiro público. Nós vamos buscar parcerias para que o nosso povo não fique sem festa.

Com a crise você acha que setores como o esporte acabam sempre ficando em segundo plano?

Eu tinha muita vontade que o esporte tivesse um dinheiro carimbado, assim como a saúde e a educação. Eu acredito muito no esporte, pratiquei esporte a minha vida inteira e acredito que o esporte educa, ajuda na saúde, prepara o cidadão. O gasto no esporte em relação as outras áreas, é muito pequeno. Estamos realizando todos os campeonatos e vamos continuar incentivando e promovendo o esporte. Vamos buscar parceiros, porque infelizmente os recursos são pequenos, e quando é preciso cortar, as gente acaba cortando nestas áreas.

Quando você falou em shows, você falou que é preciso priorizar as áreas mais importantes. Qual é a prioridade da sua Administração?

Nós estamos priorizando os setores de infraestrutura, aqueles que geram o desenvolvimento. A gente precisa colocar a roda para girar. É claro que existem constitucionalmente muitos recursos direcionados, como os 25% da educação, 15% na saúde, mas está indo 37%. A folha de pagamento tem que se manter abaixo de 50%. O orçamento é finito, mas é prioridade atender estes dispositivos legais e constitucionais e a geração de emprego e renda, para que a cidade tenha para atrair empresas.  Empresários não vão para onde não tem infraestrutura. Por isto que eu defendo o Hospital e o Aeroporto.

Você pretende reabrir o Aeroporto?

Nós vamos reabrir sim o Aeroporto. Estamos trabalhando para isto e já conseguimos assinar um convênio na Agência Nacional de Aviação Civil que já está em análise na ANAC. O Aeroporto é importante para eventos, atrair empresas e melhorar a qualidade de vida.

Os vereadores reclamaram muito da falta de interação política do Executivo com o Legislativo. Você que já foi vereador e presidente da Câmara como pretende lidar com os parlamentares?

Eu tive uma reunião muito boa com eles e a relação nossa é de total independência, muito respeito e parceria. Temos que respeitar as funções de cada um. Aqui tem abertura total para todos eles, independente de oposição ou situação. Para mim isto não existe. Existem aqueles que estão dispostos a trabalhar por Três Pontas, a defender aquilo que queremos fazer de bom para a cidade. Para mim é isto que importa. Estamos de portas abertas, respeitando cada um. Não vou ficar pedindo para aprovar projetos. Já pedi para todos os secretários ao levar os projetos à Câmara, vá até lá e explique. Eu já estive de lá [na Câmara], sei como tem que funcionar. Quero ser parceiro deles. Falei aos vereadores que o gabinete está aberto, a disposição e a relação nossa será desta forma.

Você é conectado em redes sociais e acompanha os comentários que as pessoas fazem?

Sou sim. Hoje não tem como não ser conectado. Só que eu uso facebook e whatsapp para informar a população, para receber alguma mensagem, sempre coisa positiva. Quando vejo que não é, nem faço questão de olhar. Ou então tomar alguma medida cabível, como calúnia ou algo parecido. Mas eu prefiro ver o que tem de bom nisto.

O que a população pode esperar da sua Administração?

Acho que o momento é de unirmos forças, para poder trabalhar pela nossa cidade. Vamos fazer todos os esforços que já fazíamos, mas vamos redobrar este esforço para que a nossa cidade cresça, se desenvolva. Tem muita coisa boa por vir, eu acredito nisso. Eu peço a população que é hora de exercer sua cidadania. Temos que lembrar que a Prefeitura não é só para a gente pedir as coisas não, é lugar da gente também sugerir, ser parceiro. Eu fico muito feliz quando as pessoas chegam aqui e me dizem… eu não vim aqui para pedir nada não, eu vim te trazer um apoio ou te sugerir. A prefeitura tem que focar no interesse público. Nós estamos aqui para atender ao coletivo, para trabalhar para a nossa cidade. Por isto contem conosco.

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