Panelas, faixas, cartazes e apitos, foram alguns dos instrumentos usados por manifestantes, a maioria jovens que se mobilizaram e organizaram para a tarde deste sábado (31), uma manifestação pacífica e apartidária no trevo de Três Pontas, na saída para Varginha. Os 26 quilômetros de estrada são sinuosos, curvas acentuadas, pistas estreitas, falta acostamento e aliado a imprudência de alguns motoristas, vem a rodovia ganhar a alcunha de “Rodovia da Morte no Sul de Minas”. O movimento chamado “Morte da MG 167 Nunca Mais”, buscou chamar a atenção e sensibilizar a classe política pela importância da obra realmente sair. Nas faixas, cartazes e nos gritos ouvidos por quem passava, os jovens, muitos deles que integram o “Juventude que Levanta e Ousa”, pedia empenho do Governo do Estado e demonstrava a insatisfação pelas promessas da obra que arrastam a anos, que deve diminuir de forma significativa o número de acidentes.

Eles permaneceram no trevo durante duas horas. Neste período, o trânsito foi fechado em vários momentos. Só era permitido chegar na cidade e os carros chegaram a formar uma fila enorme no final da Avenida Prefeito Nilson Vilela.

09Em um dos canteiros centrais do trevo foram fincadas cruzes, algumas com o nome de pessoas que perderam a vida na rodovia. Uma delas foi escrito o nome do jovem Nijini Rangel de 19 anos que morreu no dia 03 de janeiro deste ano. Ele era passageiro de um Golf, onde estava com os pais Rone César Brito e Patrícia Vitar Costa, Jéssica Silva Dias e o motorista Lucas de Brito. O carro que ele estava bateu em pés de eucalipto nas margens da rodovia. Além de Nijini, Jéssica que estava grávida acabou perdendo o bebê.

Amigos e familiares de Adilson Reis Lopes (36) participaram do ato, vestiram uma camiseta com a foto do vendedor que também foi vítima do trecho dez dias depois. Ele seguia sentido Varginha em um Sandero, quando tentou fazer uma ultrapassagem, na região dos Bertoldos, perdeu o controle da direção, caiu em baixo de uma ponte e morreu na hora.

Durante todo o tempo, os manifestantes receberam o apoio da Polícia Militar Rodoviária Estadual e da Polícia de Três Pontas. Eles também rezaram de mãos dadas pelas vítimas

O presidente da Cocatrel Francisco Miranda de Figueiredo passou pelo trevo e lembrou das iniciativas que já foram adotadas pela construção da terceira pista, como a Audiência Pública no Auditório da Cocatrel. Dentro da sua área de atuação, lembrou da quantidade de cafés que são transportados pelo trecho. Não apenas do município de Três Pontas, mas o café produzido em toda a região e até no Cerrado Mineiro passam pela MG 167. Como Varginha é hoje o maior Centro de Comércio de Café do mundo, passou da hora do Governo fazer algo. O empenho de todos, de acordo com Francisco Miranda, é que a obra seja colocada como prioridade pelo Governo de Minas.

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Marisa Cainelli Basílio é dona de uma propriedade rural as margens da rodovia. Acostumada a ouvir os barulhos das colisões e o movimento dos acidentes, a produtora rural conta que enfrenta um problema para chegar em casa. Para entrar na sua propriedade, a Fazenda Zaroca, é preciso se arriscar. O local não tem acostamento, assim como boa parte da MG e é preciso ser rápida para não ter o seu veículo atingido ao cruzar as pistas. A rodovia passou da hora da terceira pista, o tráfego é intenso e lá na casa dela ela dá um testemunho, pois não há acostamento. Para atravessar tem que ser rápido para evitar acidentes, conta ela.

De acordo com uma das organizadoras Luana Luz Reis, o evento foi produtivo e o objetivo foi alcançado, que era chamar a atenção das autoridades e a divulgação da petição que está sendo assinada na internet. Panfletos foram distribuídos enquanto os veículos estavam parados. “Mas ainda falta muito para o objetivo final que é a realização da obra, então lá vamos continuar a protestar, anuncia uma das líderes do Juventude que Levanta e Ousa.

De acordo com a organização, cerca de 1,5 mil pessoas participaram da manifestação. Quando já estava encerrando o movimento, eles deitaram por alguns minutos na rodovia, impedindo o trânsito para quem chegava de Varginha.

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