Por Loui Jordan

A 10ª rodada do Brasileirão se encerrou com a vitória do Flamengo sobre o Fluminense por 2 a 0 decretou o time da Gávea como o grande favorito à conquista. O jogo foi disputado em Brasília com o mando de campo do tricolor das laranjeiras, agora o rubro-negro está com 23 pontos, 5 a mais que o segundo colocado Sport.

Antes do início do campeonato, tínhamos Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras como os grandes candidatos a disputa de campeão, é claro que outros times poderiam e podem aprontar, mas como estão os considerados os“12 grandes”, passados 10 jogos?

Os super favoritos

Mudaram apenas as posições de aposta se o Grêmio e o Cruzeiro poderiam estar nas cabeças antes do campeonato. Atualmente o Flamengo tem aberto uma vantagem e vem sendo mais constante. É claro, talvez os gigantes de Minas e do Sul, concentrem suas forças nas Copas e não no torneio de pontos corridos. No entanto, ambos tem tido atuações que destoam.

A raposa tem um grande elenco, tem um bom treinador e uma camisa pesada, porém isso nem sempre ganha todos os jogos. Uma amostra da pequena oscilação do time foi o empate com o Vasco no Mineirão nessa rodada. Os paulistas também deixam escapar pontos preciosos e ganham outros que muita gente não imaginava, o Palmeiras até duas rodadas atrás, estava pressionado.

O verdão venceu São Paulo e Grêmio, deu uma embalada, o time sabe que será cobrado pelo elenco que tem e poder financeiro, embora muitos achem que o foco é na Libertadores. O Corinthians é o atual campeão e pelo jeito não conquistará o título dessa vez pois o plantel é inferior a alguns outros do campeonato. O comandante vencedor saiu e se inicia um novo trabalho com Osmar Loss, fora a possível saída de jogadores.

Com isso, resta respeitar o momento do Flamengo, seus atletas comprometidos e que foram pressionados por sua torcida. É pertinente acreditar que muitos sairão nessa janela de transferência, sejam eles jogadores jovens ou já experientes, mas é inegável o bom início flamenguista. Muitos podem dizer que no começo pegou uma tabela favorável e que o foco esse ano dos grandes é na Copa do Brasil, no entanto o time de maior torcida do mundo é o líder e está jogando corretamente, não temos um time que dá espetáculo tirando em alguns momentos o Grêmio e Cruzeiro, mas o Flamengo que tem fama de ficar no cheirinho esse ano parece preparado para saborear o prato principal.

Nem sempre temos 12 candidatos

A história que o Campeonato Brasileiro possui 12 favoritos ao título é velha, as equipes são as mesmas, os dois de Minas e Rio Grande do Sul e os 4 do Rio e São Paulo. Tudo isso é uma forma de engrandecer o torneio e o ego, deve saber que muitos times da chamada “elite” não disputam há anos o troféu nacional. Nesse Brasileirão serão muitos os torcedores que irão se frustrar ou apenas comprovar o que se pensa, podemos dizer que a média de favoritos caminha entre 4 a 6 somente.

Você pode perguntar sobre o desaparecimento e reaparecimento de gigantes que vêm e vão aleatoriamente temporada após temporada. O Botafogo, Vasco e Fluminense no Rio de Janeiro são exemplos. O Botafogo não disputa o título há anos, o fogão tem dificuldade financeira e isso faz com que seu plantel seja limitado. O Cruzmaltino oscila demais, tanto em fazer bons times, quanto na parte administrativa o time da colina não é o mesmo do início dos anos 2000.

Para o Tricolor das Laranjeiras, com a saída do seu principal patrocinador a Unimed, o time carioca não conseguiu repetir os sucessos de 2010 e 2012 quando foi campeão. Muitos jogadores foram negociados e saíram pela porta dos fundos, como é o caso de Gustavo Scarpa, é um retrato da atual gestão esportiva que não possui o mesmo poder financeiro que outrora possuía. Nessa conta também inclui, Atlético Mineiro, Internacional, Santos e São Paulo.

É correto afirmar que o todos esses podem brigar, mas não vencem há tempos. São Paulo vive se modificando por conta de negociações de atletas e de uma política conturbada, embora o time de Aguirre nesse momento aparenta brigar pela taça, tem outros times a frente. Galo e Inter se encontram em mundos parecidos, sempre que começa um campeonato os analistas e adeptos colocam os dois no bolo, de uns anos para cá, tanto o mineiro como o gaúcho, foram rebaixados, ganharam a América e vira e mexe montam bons plantéis, mas sempre decepcionam.

O time da Vila Belmiro é o mais “raiz”, sempre dá uma aula no quesito categoria de base. Jogadores promissores sempre sobem e rendem ao peixe bons frutos. No campeonato de pontos corridos isso é um pouco diferente.Apesar do segundo lugar em 2016 e o terceiro em 2017, o Santos ainda não engrenou esse ano. Jair Ventura é pressionado semana após semana. O DNA de futebol vistoso e ofensivo está indo por água a baixo.  É necessário a essas equipes tradicionais, encontrarem um ponto de equilíbrio coletivo e principalmente, fixarem-se em uma nova linha de pensamento e estratégia, porque mudar de treinador nem sempre é sinônimo de progresso.

Considerações Finais

É preciso dizer que o calendário e mecanismo de gestão futebolística no Brasil não é lá essas coisas, muitas vezes não permite tempo e assimilação de trabalho. Quando um técnico é mandado embora, não significa que as coisas vão melhorar. Cansamos de nos deparar com inúmeros exemplos, a cada rodada um “professor” fica na corda bamba.

A cultura no país é prejudicial até aos clubes, não apenas com a infinidade de jogos em pouco tempo. Hoje os jogadores fazem o que querem. Sem generalizar, mas uma boa parte acaba criando seus laços de conforto e amizade, formando “grupinhos” que às vezes fazem corpo mole, não se dedicam e até derrubam treinadores.

O Brasil precisa evoluir na parte profissional do jogo e necessita elaborar melhores calendários e eventos que propaguem seus produtos. Muitos jogadores vão para a Europa e não se adaptam, será por que? Isso atinge até a Seleção Nacional.Para a maioria dos últimos ciclos da seleção, foram preferidos jogadores que atuam na Europa do que os que jogam no Brasil, não foi apenas por questão técnica.

 

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