Por Loui Jordan

Ás vezes o valor de uma vitória tira até mesmo os defeitos e erros, dessa vez não foi bem assim. Sabe aquele jogo vencido com méritos e com certa dificuldade devido alguns problemas? É desse jogo que iremos falar. A seleção Brasileira entrou em campo nesse domingo (3) contra a Croácia, como amistoso preparatório disputado em Liverpool e o Brasil venceu por 2 a 0.O duelo contava com a promessa de ter Neymar no segundo tempo e com um experimento na parte do meio de campo. Os croatas seriam um ótimo teste e acabou sendo.

Primeiro tempo

O jogo começou competitivo e estudado, porém o Brasil iniciou com dificuldade na saída de bola, sofrendo com marcação alta e média da seleção Croata. O Brasil finalizou pela primeira vez aos 22 minutos com Coutinho. O time de Tite encontrou obstáculos porque não tinha um passe mais agudo e uma jogada mais lúcida no meio de campo. A Croácia tinha em Modric o seu pensador e dominador, já William, foi a única parte criativa do Brasil. Os primeiros 45 minutos acabaram com um time sendo mais ousado, o outro não conseguindo levar grandes perigos e esse foi o Brasil. O goleiro Alisson fez algumas boas defesas, o sistema defensivo errou em alguns pontos como passes de pequena distância e tirando isso não comprometeu tanto.

Segundo tempo

O Brasil voltou diferente, Neymar entrou no lugar de Fernandinho e o jogo foi outro. Coutinho recuou para fazer a função de articulador e Neymar fez o papel de ponta-esquerda. A equipe precisou de 23 minutos para abrir o placar. A jogada passa por Coutinho e chega até Neymar, o atacante que não jogava desde sua fratura no tornozelo, fez uma jogada característica do craque e marcou o 1 a 0. A Croácia tinha mais dificuldade em construir e quando pressionava nem sempre acertava, o terço central do campo ficou mais rápido e menos espaçado, era questão de tempo para o segundo gol e ele veio com Firmino.

O atacante que fez grande temporada com o Liverpool, entrou no lugar de Gabriel Jesus e nos acréscimos aproveitou o ótimo passe de Casemiro e teve a competência de dominar e concluir com classe, o relógio marcava 47 minutos. O jogo acabou com a sensação que houve dois tempos totalmente distintos. No primeiro um plano de jogo que não deu certo, muito por mérito do adversário e um segundo tempo com uma construção de jogo melhor executada.

Os reparos para a copa

Tite e seus comandados devem tomar alguns cuidados, um deles é a escolha do plano de jogo. O Brasil querendo ou não é um dos favoritos ao título mundial, mas o primeiro tempo foi para esquecer ou melhor, recordar. Quando se tem Casemiro, Paulinho e Fernandinho como meio-campistas, o estilo muda muito e a formatação deixa a desejar. É claro que tudo depende do adversário que você vai enfrentar, Casemiro é primeiro volante central, Paulinho é o cara que infiltra no espaço e chega até o gol e Fernandinho é o passador que jogou mais pelo lado do que pelo centro.

Dessa forma a seleção Canarinho não teve tanto poder de transição e nem de repertório. Coutinho acabou jogando de costas para o gol adversário em alguns momentos, vimos um time pouco agressivo e sem conseguir ludibriar o sistema adversário, pois Fernandinho não oferece essa possibilidade de forma nítida. Caso o Brasil encare um adversário de grande peso, a proposta usada na primeira etapa de hoje seria válida até determinado ponto, mas o Brasil deveria propor ou tentar ser o protagonista do jogo e não aconteceu isso no primeiro tempo por duas razões.A postura adversária e a escolha não acertada do Brasil. Um outro ponto é Danilo, ele jogou bem, não fez muita diferença, mas teve personalidade.

Neymar é outro que precisa ser olhado com cuidado, ele é craque de bola, porém às vezes atrasa a velocidade do jogo coletivo com suas pausas da beirada para o centro. O camisa dez da amarelinha fez um gol padrão Neymar, o chute de média distância ainda vai voltar a ser o que era, a questão é que ele voltou sem medo. Gabriel Jesus e William foram provas da fragilidade estratégica do time brasileiro. Na etapa inicial, viram-se muitas viradas de jogo para William que acabou sendo uma válvula de escape pelo corredor direito. Jesus não fez um bom jogo e em raros momentos buscou a bola, era visível a dificuldade que o time estava tendo para encontrar passes que quebram linhas, assim também como tabelas e jogadas rápidas.

O teste foi importante para mostrar que nem sempre se vence e convence, Copa do Mundo cada jogo é uma final e não se deve errar ou deixar seu rival crescer e entender suas estratégias. O Brasil volta a entrar em campo no dia 10 quando enfrenta a Áustria em Viena ás 11 horas da manhã horário de Brasília, vale lembrar que esse será o último amistoso antes da estreia na Copa diante da Suíça dia 17 de junho.

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