A Polícia Civil intimou 14 pessoas nesta quinta-feira (26), a comparecerem na Delegacia de Polícia de Três Pontas. Elas tiveram seus aparelhos celulares, furtados ou roubados nos últimos meses e com os frutos da Operação Fim da Linha, os aparelhos foram recuperados. Desta vez, todos custam mais de R$1 mil cada um e a esperança de tê-los de volta, quase não existia entre as vítimas.

A restituição foi marcada pelas palavras de agradecimento aos desdobramentos feitos pela equipe. No segundo andar da Delegacia, antes de receberem os aparelhos, as vítimas foram orientadas pelo investigador Thiago Portugal Souza que está a frente desta operação Ele reforçou a todos a não comprar nada sem procedência, exija a nota fiscal e desconfiar das propostas vantajosas, mesmo que ela venha de pessoas conhecidas e do seu convívio. É porque os furtos acontecem em locais bastante improváveis, onde menos se espera – em festas, na igreja, no trabalho e até dentro de casa.

A filha da Vanice Batista da Silva é um destes exemplos. Teve o celular furtado dentro de uma igreja evangélica durante uma festa de casamento. A menina estava de pé, colocou o celular na mesa e quando se virou, em questão de segundos o aparelho sumiu. Ao redor havia muitas pessoas conhecidas e Vanice que chegou a desconfiar de alguns, queria muito descobrir quem fez isto. Ela tinha a expectativa de encontrar o presente que deu para a filha, porque ainda está pagando o aparelho que custou R$1,2 mil, foi parcelado em 10 vezes e ainda restam três parcelas em aberto.

O advogado Donizetti Claret Maia de Lima teve uma visita indesejável e desconhecida em sua casa. Nela o aparelho da esposa que estava em cima da mesa da cozinha sumiu. Ela entrou no portão da garagem, colocou o celular na mesa, foi até o quarto e quando voltou o celular não estava mais lá. Não tinha ninguém na residência e o furto é um mistério. No meio da conversa do investigador Thiago Portugal, o advogado interveio e disse que mesmo com sua experiência no meio não acreditava em recuperar o celular cerca de três meses depois, pois é um produto de fácil comercialização e nunca viu isto acontecendo nas cidades da região.

Tatiana Costa Pelegrini foi surpreendida por um rapaz, no estacionamento externo do Hospital São Francisco de Assis, enquanto esperava seu marido. Ela estava com o aparelho na mão para fazer uma ligação, quando foi furtado. Tatiana adquiriu o celular em uma black friday, mas custou na época R$1,3 mil. Já comprou outro porque não tinha esperança nenhuma de tê-lo de volta.

A dona Rosimar Aparecida dos Santos foi vítima de furto dentro da creche onde trabalha. Estava no horário de entregar as crianças às mães no fim do expediente e ela deixou seu aparelho celular na mesa da secretaria. Quando voltou ficou assustada de não encontrá-lo. No horário havia várias pessoas entrando para pegar os filhos e não teve como suspeitar de ninguém. Ao contrário de muita gente, Rosimar acreditava em recuperar este seu patrimônio já que tem visto o trabalho da Operação Fim da Linha. “Acho este trabalho excelente. Uma colega que trabalha comigo já recuperou o celular dela e eu estava esperançosa que achariam o meu”.  A funcionária pública terminou de pagar o mês passado, ficou alguns meses sem ele e quando foi furtado ainda restava uma prestação a pagar. “Estou super feliz e agradecida com a nossa Polícia Civil”, falou Rosimar toda contente.

A história de Bruno de Jesus Guimarães também foi parecida. O celular dele estava dentro do armário que ele tem na empresa onde trabalha. Saiu para almoçar e imaginou que lá estaria seguro, mas descobriu que não quando voltou. Ele foi até a Delegacia, registrou o boletim de ocorrências e fez questão de seguir as orientações que viu nas reportagens publicadas pela Equipe Positiva, apresentando o número do IMEI do aparelho, para que ele fosse rastreado. Bruno Guimarães pagou R$1,4 mil e minimiza o prejuízo que teria, agradecendo o trabalho da polícia em se empenhar em recuperar celulares. “ A gente não imagina que eles vão se preocupar com um celular”, revelou.

O caso de Luiz Vando de Souza Júnior foi o mais grave. Em dezembro do ano passado, ele chegava de madrugada em casa, no bairro Santa Edwirges, quando foi surpreendido. O rapaz estacionou o carro e pegou o aparelho no bolso para olhar a hora. Neste momento, foi atingido com uma pancada na cabeça e retiraram o celular da sua mão. Vando não conseguiu identificar ninguém, ficou ferido e precisou ser socorrido. “Todo mundo me falava que eu poderia comprar outro aparelho porque este ‘já era’, mas hoje estou aqui, graças a Polícia Civil”, comemora Vando.

Um ano de Operação Fim da Linha

A Operação Fim da Linha está completando um ano e a primeira restituição de celulares aconteceu em maio de 2017. A entrega feita nesta quinta-feira (26), foram de aparelhos furtados em novembro e dezembro do ano passado.

Todos os receptadores foram intimados e ouvidos na Delegacia e quase todos informaram de quem compraram. Alguns chegam a comprar os aparelhos por 20%, 30% do seu valor de mercado. Outros adquirem pelo preço de mercado, principalmente quando se conhece a pessoa e tem a confiança. A Operação não termina com a devolução e a Polícia faz o trajeto inverso, até chegar a quem está cometendo os furtos. “É preciso desconfiar de todo mundo. Os celulares vão passando de mão em mão e a maioria dos receptadores que a gente intima, são pessoas inidôneas, mas que também vão responder a um crime”, detalha Thiago Portugal.

IMEI é fundamental

A Polícia Civil informa que é fundamental que as vítimas registrem no boletim de ocorrências além dos dados do aparelho, o IMEI, que é uma espécie de chassi do aparelho, uma numeração única que todo telefone possui.

A orientação é que as pessoas tenham esta numeração guardada, pois ela se tornou fundamental não apenas para a garantia, caso que o aparelho apresente algum problema, mas também para a polícia. Sem ele é impossível tentar encontra o aparelho. Mesmo após o registro da ocorrência, é possível procurar a Delegacia e acrescentar o IMEI.

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