Denis Pereira – A Voz da Notícia

Três Pontas sediou na manhã desta quarta-feira (30), no Clube de Campo Catumbi (CCC), mais uma etapa do Circuito Sul Mineiro de Cafeicultura, oportunidade de ouvir especialistas que debateram sobre temas relevantes para o setor. Promovido pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas (Seapa), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Universidade Federal de Lavras (Ufla), em parceria com a Prefeitura e outras instituições públicas e privadas.

DSC05297Na chegada, os produtores de toda a região, passavam pelos stands das empresas patrocinadoras que expuseram máquinas e equipamentos. Antes da composição da mesa, um vídeo institucional mostrou as etapas que serão realizadas em todo o sul de Minas, desde a abertura em Claraval no início do mês. Números da cafeicultura mostram a importância da monocultura para a economia da região, com 672 mil empregos gerados, sendo pagos um milhão de salários mínimos.

Na abertura oficial do encontro, autoridades foram unânimes nos discursos de apoio à cafeicultura, a falta de apoio do Governo Federal, a estiagem que assola a cadeia produtiva e o Decreto de Estado de Emergência assinado pelo Município que trouxe um alento aos produtores de café.

DSC05299O prefeito Paulo Luis Rabello (PPS), falou da satisfação de receber esta etapa, mas também é uma responsabilidade, já que Três Pontas sempre foi um símbolo na produção e qualidade do café, assim como todo o sul de Minas Gerais. “Nós que vivemos a cafeicultura e que sempre lutamos para que ela se fortaleça e dê mais condições de renda e de trabalho aos produtores e seus trabalhadores, passamos momentos difíceis e sempre estamos em busca de novos horizontes e de políticas que realmente dignifiquem o cafeicultor. É hora de voltarmos a nossa política às pessoas que trabalham pelo café. Temos que cada vez mais, que discutir e aprofundar na política em prol do café. O Pacto do Café precisa cada vez mais ser respeitado. Nós estamos com cerca de R$3,6 bilhões do Funcafé e já fazem cinco anos que ninguém põe a mão nele e o recurso está esterilizado. Há R$22 milhões de Funrural, uma ação importante que equilibra as coisas na cafeicultura”, cobrou. Para o prefeito que também é cafeicultor, é necessário um preço mínimo de garantia de R$347 ou R$350. Sem isto, é preciso pedir dinheiro correndo para a colheita. Senão o café é colhido mais cedo, vendido e entregue mais cedo, mesmo com a quebra da safra. No discurso dele, também foi pedido apoio aos políticos que defendem a classe.

O gerente regional da Emater de Alfenas Raul Maria Cassia lembrou que há um ano em Três Pontas, os produtores discutiam algo em comum. Na época o foco também era a crise, havia produto, mas não tinha preso, o café estava sendo vendido a R$280. HojeDSC05305 os preços estão melhores, mas por causa da estiagem, o setor sofre com a falta do produto e a expectativa é de baixa qualidade do grão. Ele parabenizou a iniciativa do prefeito Paulo Luis em assinar um Decreto de Emergência que atendeu as reivindicações da classe que apresentou um laudo técnico, fruto de um estudo que envolveu Emater, Cocatrel, Epamig, IMA, Secretaria de Agricultura, Sindicatos e a Conab, apontando uma quebra na safra estimada em 32% somente no café. Pelos cálculos de Raul, serão R$60 milhões que vão deixar de circular na cidade, maior que o orçamento de muitas prefeituras da região.

O presidente da Cocatrel Francisco Miranda de Figueiredo Filho, também parabenizou pelo Decreto e enfatizou que as etapas do circuito, indicam que o produtor deve trabalhar com a mecanização e a tecnologia.Chamou a atenção, quando Chico Miranda afirmou que Três Pontas perdeu a posição de maior produtora de café do Brasil. Atualmente alguns municípios do Cerrado Mineiro, que possuem maior extensão como Patrocínio e Monte Carmelo tomaram o posto da Capital Mundial do Café.  “A Cocatrel luta para permanecermos na liderança no Sul de Minas, produzindo riqueza”, apontou.

Uma homenagem pegou de surpresa o engenheiro agrônomo da Emater-MG de Três Pontas, Eduardo Maury Mendes que completa em 2014, 38 anos dedicados a instituição. Uma placa foi entregue a ele pela trespontana Miss Girl Coffee Brasil, Nathalia Vicentini. A bela, que é bisneta, neta e filha de cafeicultores falou da honra do prêmio em representar seu município.

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As palestras durante toda a manhã foram do pesquisador da Fundação Procafé o engenheiro agrônomo André Luiz Alvarenga Garcia, que falou da nutrição do cafeeiro. Em seguida, o representante comercial da Du Pont do Brasil Antônio Carlos da Silva abordou o novo conceito no manejo de produção do café. A última palestra foi do coordenador técnico de culturas da unidade regional da Emater de Guaxupé que trouxe um panorama atual da cafeicultura brasileira. O Circuito terminou com um almoço servido no local.

Veja as outras etapas do Circuito Mineiro de Cafeicultura 2014

Pedralva 06 de maio, Lavras 08 de maio, Guaxupé 14 de maio, Carmo da Cachoeira 22 de outubro, Ouro Fino 23 de outubro e Campo Belo 06 de novembro.

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