A Praça Cônego Victor é ponto de parada obrigatória de todo romeiro no 109º Aniversário de Morte de Padre Victor. Lá, eles participam das celebrações que são realizadas de hora em hora, visitam o túmulo onde estão os restos mortais de Padre Victor, rezam na herma e visitam o Memorial Padre Victor, onde é possível conhecer pertences do religioso, adquirir algumas lembranças e registrar a presença dos romarias, que aportam de todos os lugares do Brasil, principalmente do Sul de Minas.

Ainda no fim da manhã, Folias de Reis se apresentavam na Praça Cônego Victor. A maioria delas de Três Corações e Varginha, os tradicionais marungos é que chamaram a atenção. Quem passava não deixava de dar uma olhada.

Em frente a Matriz Nossa Senhora d’Ajuda, barracas dos mais variados atendimentos, de saúde, distribuindo água filtrada de graça, café e pão. A forma de receber os romeiros é sempre peculiar. Quem chega é recebido muito além de que um simples, bom dia, boa tarde ou seja bem vindo. Ele se sente em casa, come, bebe e sai satisfeito com a receptividade dos trespontanos.

A Polícia Militar que recebeu um amplo reforçou em seu efetivo montou um posto de atendimento e de registro de ocorrências.

Desde as 5 da manhã, até as 19 horas, padres convidados de várias paróquias da Diocese celebram missas na igreja Matriz. Após a procissão que saiu as 3:30 da manhã para a Capela de Padre Victor, o bispo da Diocese da Campanha celebrou missa solene. Desde que assumiu o cargo, Dom Diamantino Prata de Carvalho faz questão de todos os anos celebrar no local onde Padre Victor passava para fazer suas orações. Por isto, a tradição de todo dia 23 as 6:30 da manhã, de concelebrar com padre Vânis Vieira da Cunha, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, responsável há muitos anos por esta demonstração de devoção e penitência, a missa do religioso.

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DSC03128Dom Diamantino também celebrou na Matriz as 10:30 e logo em seguida, disse que a festa está formidável ainda mais se tratando de um dia de semana. “Nossa praça está cheia, a igreja está lotada. Isto significa que a devoção a Padre Victor não esmorece, mas cresce, porque os santos aos olhos de Deus estão na glória”, disse Diamantino.

Durante a novena e na missa que celebrou na igreja de manhã, os padres focaram muito as Eleições de outubro. Para Dom Diamantino, o processo democrático é sempre um momento de conscientização para que o povo possa votar certo. “ O voto não tem preço, mais sim compromisso. É preciso conhecer os programas e propostas dos candidatos para votar consciente naqueles que querem nos representar e trabalhar por nós”, respondeu.

A fila que dá acesso ao túmulo onde estão os restos mortais de Padre Victor, recebe centenas de pessoas que não desanimam nem debaixo de um sol forte e que chega a contornar a praça em determinados horários.

DSC03137O aposentado Joanei Vicente de Freitas 72 anos, ficou uma hora e meia até chegar a sua vez, de ficar alguns segundos diante do túmulo. Ele veio pedir novamente as bençãos do Venerável, a quem chamou de santo. Algumas manchas apareceram de uma hora para outra nos seus braços e logo se espalharam por todo o corpo, motivo que o fez além de agradecer pedir a cura. “Acredito e confio, que em nome de Jesus e a intercessão de Padre Victor eu serei curado”, disse Joanei.

Dona Ivani Rezende Barbosa de 62 anos veio de carro com a família da cidade de DSC03139Luminárias. Quando casou vivia uma situação difícil e pediu para a irmã uma máquina de moer carne. Porém, certo dia, Dona Ivani perdeu uma peça importante que impedia o seu funcionamento. Como não tinha condições de comprar uma nova máquina, ela ficou parada durante três anos. Um dia conversando com a sua cunhada, soube de um milagre que o pai tinha recebido de Padre Victor. No seu pensamento, pediu que a peça aparecesse. Quando voltou para casa, uma babá de sua filha encontrou a peça. Ivani começou a chorar. Quando o marido chegou, eles se juntaram em oração. A partir daí, todo dia 23 de setembro ela visita a cidade junto com a família e reza de frente ao túmulo, como forma de agradecer pelo milagre que atribui ao Venerável Padre Victor.

Ainda serão celebradas nas comemorações do 109º Aniversário de Morte  de Padre Victor, missas as 12:30, 14:30, 16:00, 17:30 e 19:00.

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Padre Victor
Francisco de Paula Victor nasceu em Campanha, no dia 12 de abril de 1827, e foi batizado em 20 de abril do mesmo ano pelo padre Antônio Manoel Teixeira. Era filho da escrava Lourença Maria de Jesus.

Dom Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana (MG), visitou Campanha em 1848. Victor, então alfaiate, procurou dom Viçoso e disse que tinha o desejo de ser padre. Com isso, ele entrou para o seminário de Mariana, onde foi aceito em 05 de junho de 1849. Mudou-se para Três Pontas em 14 de junho de 1852, como vigário encomendado e paroquiou na cidade por 53 anos. Era conhecido por sempre visitar doentes, amparar os inválidos e atender a população em suas necessidades. Além disso, fundou a escola “Sagrada Família”.

Victor faleceu no dia 23 de setembro de 1905. A notícia abalou a cidade e toda a região, que já o venerava. Após sua morte, ele ficou insepulto por três dias e o corpo do padre exalava perfume, segundo relatam. Ele foi enterrado na Igreja Matriz da cidade, que também foi construída por Padre Victor.

Desde então, muitas pessoas declaram que o padre intercedeu para que alcançassem seus pedidos e graças. O Papa Bento XVI já declarou Padre Victor Venerável. A organização da beatificação do religioso reuniu inúmeras graças encaminhadas para serem avaliadas em Roma pelo postulador da causa, Paollo Vilota. Padre Victor precisa ter um milagre comprovado para se tornar beato.

 

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