Eles não aceitam decisão e querem se resguardar já que afirmam que não vão enviar crianças para a “nova” escola  

A decisão da Secretaria Municipal de Educação de fazer a nucleação de três escolas municipais localizadas na zona rural de Três Pontas, ainda repercute. Como haviam prometido, os pais voltaram na manhã desta quarta-feira (29) à Câmara Municipal que está recesso, mas que convocou os vereadores para uma sessão extraordinária para votação um projeto de lei em caráter de urgência.

O motivo de interromperem o recesso Legislativo mais uma vez, é que o Poder Executivo quer ajudar a Associação Brasileira Comunitária para Prevenção do Abuso de Drogas (ABRAÇO). A nova lei aprovada por unanimidade, altera de repasse para contribuição, o recurso no valor de R$12 mil ano. Sem ela, a entidade tem enfrentado dificuldades financeiras já não é de hoje. Desde o começo do ano, a Diretoria no Conselhos tem 7 novos membros que são também servidores efetivos e contratados, o que a Procuradoria apontou como ilegal, segundo a associação, o que impede a Prefeitura de ajudar. Sem receber a ajuda do Município, fica insustentável manter os atendimentos aos usuários de drogas e seus familiares. As despesas somam R$3 mil ao mês e a arrecadação feita junto a comunidade não chega a R$1,2 mil. O projeto foi rapidamente aprovado. Se ausentaram a reunião extra – o presidente Luis Carlos da Silva (PPS), que se recupera de uma cirurgia; o vereador Antônio Carlos de Lima (PSD), que está com o filho internado e José Henrique Portugal (PMDB) que já tinha compromissos anteriormente agendados.

Presidente em exercício Geraldo Messias e a secretária da Mesa Valéria Evangelista tentaram explicar ausência do secretário de Educação Érik dos Reis

Os pais de alunos que se sentem prejudicados com o fechamento das Escolas Lolita Brito Dias, Walda Tiso e Sobradinho acompanharam em silêncio a sessão. Antes mesmo, a vereadora Valéria Evangelista Oliveira (PPS), tentou explicar que na reunião não havia nada a discutir sobre educação e que eles deviam optar por outro caminho. Elas estavam na expectativa com a presença do vice prefeito e secretário de Educação Érik dos Reis Roberto (PSDB), para se explicar sobre a decisão tomada por ele durante este período de férias escolares. Mesmo assim elas ficaram e no término, de forma informal conversaram com a maioria dos vereadores. O presidente da Câmara em exercício Geraldo Messias Cabral (PDT), contou que convidou informalmente o secretário para estar na sessão, mas que ele não poderia ir. Tentou tranquilizar os pais repassando a mensagem enviada por Érik de que eles não precisam temer; que com o tempo eles entenderiam que a qualidade do ensino vai melhorar e que não se preocupassem com o transporte das crianças. Tudo foi em vão. Paulo Vitor da Silva (PP), que a todo tempo questionou a forma que ele fez, de não o convocar através de um oficio, repudiou as afirmações que Geraldo fez de que ele estava na semana passada apenas presidindo a sessão. “Na falta do presidente, o vice é eleito para isto, ele substitui e todos os mesmo poderes”, recriminou.

Apesar das alegações de que a escola em tempo integral que vai ser implantada na Escola Municipal Professor Vieira Campos, na Fazenda Bananeiras e beneficiar 164 estudantes de 4 a 10 anos, a partir do dia 03 de agosto é algo surpreendente aos estudantes, os pais estão irredutíveis, reafirmaram insistentemente que nada adianta os ônibus passarem na próxima segunda-feira, que ninguém vai retornar das férias, independente das consequências que isto pode trazer. Isto porque, os próprios alunos se recusam. Ao longo da conversa, muitas mães choraram.

O vereador Paulinho convenceu eles a irem ao Ministério Público e os acompanharam. Em comitiva, eles foram recebidos por funcionários da Promotoria. A produtora rural Carmem Lúcia Chaves de Brito que é proprietária da Fazenda Caxambu, onde está instalada a Escola Lolita falou em nome de todos. Explicou a história desde o começo, os reflexos que a mudança inesperada vai causar na vida de dezenas de famílias e segundo Carmem, o não cumprimento de uma lei federal que é clara e que determina que a comunidade precisa ser ouvida no caso do fechamento dos estabelecimentos educacionais.

A promotora Dra. Ana Gabriela Brito Melo Rocha, curadora da Educação, no momento não estava na sede do MP, mas foi informada da presença dos moradores e iria atendê-los, porém, antes queria saber da reivindicação. Por isto, representantes das propriedades foram ouvidos e termos de declarações foram elaborados pela Promotoria. Só após tomar conhecimento dos fatos é que ela irá se posicionar.

A Secretaria Municipal de Educação continua afirmando que a decisão é irreversível.

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