* Medida é preventiva para evitar o racionamento. Quem lavar calçadas, carros, abastecer piscinas e for denunciado paga multa e pode ter o fornecimento de água suspenso pelo SAAE. Nascentes na zona rural estão secando

Denis Pereira – A Voz da Notícia

Com a estiagem e a falta de água, a Prefeitura de Três Pontas, decretou situação de emergência nesta quinta-feira (17). Os baixos níveis de vazão do Córrego Custodinho e do Sistema de Sete Cachoeiras, preocupam o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), que inicia uma grande campanha de conscientização, para o uso racional de água. O documento 8.410/2014 atestando a situação, foi assinado na presença da imprensa durante coletiva, no gabinete do prefeito Paulo Luis Rabello (PPS), tem o intuito de evitar o racionamento de água, mas já aplica sanções para quem gastar além do que vinha gastando, nos próximos 60 dias. As medidas não se aplicam apenas às casas de saúde, hospitais e órgãos que prestem serviços públicos essenciais e construções e ou reformas de imóveis, desde que promovam o uso racional da água.

Pelos cálculos do SAAE, cada trespontano consome 200 litros de água por dia. O ideal seria pelo menos 150 litros e, em tempos de economia extrema, o recomendado é reduzir para 110 litros. A economia deve ser na hora do banho, mais rápido, ao escovar os dentes fechando a torneira, não lavar calçadas, telhados e reaproveitar a água da lavagem de roupas.

No anúncio da medida preventiva adotada pelo Município, Paulo Luis estava junto com a diretora do SAAE Marisa Cainelli Basílio de Brito (foto acima). Juntos, eles falaram aos jornalistas que a falta de chuva tem provocado um baixo índice pluviométrico. O maior problema é captação de água nos Sistemas do Córrego Custodinho e Sete Cachoeiras. Este último, já está funcionando em excesso. A bomba está permanecendo ligada durante 24 horas, ultrapassando a sua capacidade de funcionamento.

Em determinados bairros, que são abastecidos pelo Córrego Custodinho a água está demorando chegar. Caso dos bairros Aristides Vieira e Santa Margarida.

01Depois de receber várias ligações de moradores que estão sem água, de comerciantes que tiveram que dispensar funcionários e da diretora do SAAE Marisa Cainelli apresentar as dificuldades no abastecimento de água, Paulo Luis fez uma reunião com alguns secretários e decidiu assinar um Decreto colocando a cidade em emergência.

De acordo com o gestor, as medidas que estão sendo adotadas é preventivamente para que a cidade não chegue a ter racionamento, o que já está acontecendo em diversas localidades do Brasil, e que não está descartado de acontecer em Três Pontas. A cidade é abastecida pelos ribeirões Sete Cachoeiras, Custodinho, Formiga e Quatis. O Custodinho quando cai a vazão, o que tem acontecido com freqüência, só fica uma bomba ligada, fazendo a adução dos Quatis e Formiga, para segurar a defasagem. As bombas estão trabalhando 24 horas por dia, no máximo de sua capacidade, principalmente o sistema de Sete Cachoeiras. Com isto, o aumento da conta de energia na autarquia é assustador desde a estiagem. Ela saltou de R$80 mil para R$114 mil mês.

Deixando a população ciente, o prefeito explicou que ainda não racionamento, devido ao Sistema Sete Cachoeiras, uma obra do ex-prefeito Tadeu Mendonça. Para o atual gestor, Tadeu que foi crucificado no passado, teve uma grande visão de homem público e futurista, garantindo o abastecimento na época para os próximos 20 anos, que está chegando. Agora, é necessário duplicar a captação de água, investimento altíssimo, longe das possibilidades financeiras da autarquia. O SAAE já está providenciando a elaboração dos projetos, para iniciar uma caçada aos recursos no Governo Federal, para que a obra garanta água aos trespontanos para mais duas décadas.

O decreto entra em vigor somente a partir de 03 de novembro, mas a cidade já está em alerta.  Durante o período de vigência do Estado de Emergência, está proibido, lavar calçadas, veículos, frente de imóveis ou vias públicas, o abastecimento de piscinas ou outras medidas que caracterize desperdício. Para quem desobedecer e for denunciado ao SAAE, pagará multa no valor de R$90,53. O valor é dobrado em caso de reincidência e pode chegar até a suspensão do fornecimento, após a terceira vez. A denúncia precisa ser formalizada através do 0800 035 2444, ou do site www.saaetpo.mg.gov.br/atendimento e, não pode ser no anonimato. O usuário terá direito a fazer sua defesa. O Ministério Público também será comunicado já que o desperdício é crime ambiental.

O SAAE já está fazendo um levantamento do consumo médio de todas as unidades consumidoras, dos últimos seis meses e sendo detectado que houve um aumento, sanções estão previstas, incluindo também a multa. A Prefeitura e o SAAE estão buscando conscientizar os funcionários que economize água, nos departamentos, secretarias e setores. Além dos serviços públicos serem comprometidos, toda a cidade sofre se o racionamento acontecer.

Nascentes secam na zona rural  e prejudicam agricultores

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Comunidades e propriedades rurais também estão enfrentando sérios problemas com a falta d’água. Locais que havia água com fartura vivem outra realidade, diante de uma estiagem que não parece ter fim. A seca atinge produções e plantações. Aliado a isto, o número de queimadas vem aumentando. A Equipe Positiva foi ver a situação de perto e constatou o drama que moradores tem vivido.

O socorro foi a construção de poços artesianos e cisternas, para tentar amenizar o problema. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município de Três Pontas, Vicente José da Silva, a situação está critica, muitas nascentes estão secando e agricultores estão ficando sem água. Quando encontra, já não é de boa qualidade.

Na Comunidade do Morro Vermelho, na propriedade  de Geraldo Magela Correia  havia água a vontade. Uma nascente abastecia cinco casas e ela praticamente secou. Geraldo teve que optar por cistenas e poço artesiano para não deixar as famílias sem água.

No Campo da Onça registramos também sérios problemas com a falta de água nas nascentes e até em cisternas que secaram.  Em um dos locais desta comunidade, o abastecimento atendia de cinco a seis famílias, mas hoje todas estão sem água. A alternativa é pegar estrada e buscar em outras comunidades.

05A plantação de café também sofre com a forte estiagem e se a chuva não acontecer logo muitos vão perder lavouras inteiras, principalmente as mais novas que estão sendo mais afetadas. Especialistas afirmam que a queda na safra do principal produto produzido em Três Pontas para o ano que vem, será ainda maior do que a safra de 2014.  “As lavouras mais velhas suportam um pouco mais. A perda vai ser muito grande e as perspectivas não péssimas, disse Vicente da Silva.

É o caso do agricultor familiar Francisco de Paula que espera a chuva cair o mais rápido possível, caso contrário, irá perder a lavoura. “Este ano na colheita já tivemos prejuízo e para o futuro pode ser ainda pior”, explica.

O líder sindical Vicente da Silva, conta que com 57 anos de idade sempre vividos na roça, nunca viu uma situação como esta. Até os mais antigos se surpreendem com situação calamitosa desta estiagem. “A preocupação tem que ser de todos nós porque tanto na cidade, quanto no campo, já esta faltando água. Precisamos nos conscientizar, preservar mais a natureza  e economizar.

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