Trespontanos de coração, que talvez honrem a cidade mais do que muitos que nasceram na Terra do Beato Padre Victor, da Serva de Deus Nossa Mãe. Eles viram os cafezais floridos, sentiram o cheiro de terra fértil, vieram a trabalho, a negócios. Foram recebidos com tanto carinho por esta população, que mantém o jeitinho mineiro de ser do interior, que se apaixonaram e não quiseram mais ir embora. Hoje, entre milhares de trespontanos de coração e opção, quatro deles que fazem parte da festa de 160 anos de aniversário de Três Pontas, foram escolhidos pela Equipe Positiva. Eles vivem de maneiras diferentes, são profissionais de setores distintos, mas em comum tem Três Pontas no coração, por tudo que buscaram no Município ou por uma felicidade do destino ficaram raízes, construíram suas famílias e suas histórias de vida e tem como cenário, a cidade que tem esculpida pela natureza três serras e fica localizada no sul de Minas.

O Bispo Emérito da Diocese da Campanha Dom Diamantino Prata de Carvalho, poderia escolher qualquer lugar do mundo para viver, quando se aposentou em novembro de 2015. O religioso é de Manteigas em Portugal, está com 76 anos e em 1998 assumiu a Diocese da Campanha. Deixou o posto cinco dias depois de completar 75 anos, em novembro de 2015, quando estava prestes a comemorar 35 anos de bispado.

Aliás, quando estava prestes a se aposentar, em entrevista à Equipe Positiva anunciou que iria morar em São Lourenço ou Baependi. Esta última, cidade de Nhá Chica onde pretendia construir um Santuário para a Beata. Mas quis o destino, o religioso vir passar o Natal de 2015 na Paróquia Nossa Senhora D’Ajuda e visitar as irmãs do Carmelo São José. Foi lá, quando procurava um “cantinho” para ficar que recebeu o convite das Irmãs. Elas lhe mostraram uma casa que fica anexo ao Mosteiro e Dom Diamantino resolveu se mudar. “Na verdade foi Três Pontas que me escolheu. O povo trespontano é muito agradecido a mim, pelo que fiz e trabalhei no processo de beatificação de Padre Victor e por isto digo que foi uma atração mútua”, ressaltou. Se sentindo trespontano e conhecendo já tanta gente, ele está satisfeito por aqui, tem alguns projetos pessoais, como terminar a Faculdade de Direito Canônico e depois quem sabe aproveitar um curso que a Causa dos Santos oferece todos os anos de janeiro a maio, em Roma, e poder colaborar a nível nacional nos processos e causas de beatificação e canonização. Enquanto isto, Dom Diamantino não para. Divide o tempo entre um sítio que adquiriu na zona rural de Três Pontas com uma agenda cheia de celebrações que tem feito, colaborando nas paróquias de Três Pontas e ainda dizendo sim, aos convites que recebe de outras localidades da Diocese da Campanha. Todos os dias acorda antes das 6 da manhã, celebra para as Irmãs no Carmelo as 7:00 e sempre que pode vai às comunidades de São Pedro, Esmeraldas, Quilombo Nossa Senhora do Rosário, no Pontalete e na Matriz as 17 horas. Auxilia toda quinta-feira nas confissões individuais na Matriz d’Ajuda. Para ser ter ideia da energia que Dom Diamantino tem, ele comenta com alegria a agenda do próximo domingo, as 7:00 no Carmelo, as 9:00 na Comunidade São Pedro, as 17:00 na Matriz d’Ajuda e as 19:00 ainda vai para Boa Esperança colaborar com um padre de lá que está atarefado com as atividades paroquiais no fim de semana.

Foi depois que decidiu trabalhar com seus irmãos e participar da Expocafé em 2003, que Adalíndio Eduardo Pontes que nasceu em Araguari, no Triângulo Mineiro conheceu Três Pontas. Abdias e Manoel desenvolvem e fabricam máquinas agrícolas. Na época, eles trabalhavam durante a semana na produção do maquinário e nos fins de semana vinham fazer entregas no Sul de Minas e principalmente na Capital Mundial do Café, grande filão de vendas. Em 2003 participou da Expocafé na Fazenda do Deca Miranda e quando voltou para casa, disse para a esposa Lígia, que se fosse para eles abraçarem a empresa como seus irmãos queriam, teriam que mudar para Três Pontas porque os planos era abrir uma filial da empresa.

Não foi uma decisão fácil. A esposa dele tinha um bom emprego e a filha estudava em uma ótima escola pública. Além de que a infra estrutura era completamente diferente. Eles tinham acabado de comprar um apartamento em Uberlândia, onde eles moravam e o ritmo de vida é muito diferente daqui. Adalíndio trouxe a esposa para conhecer e ele se mudou sozinho. A TDI alugou um barracão onde funcionava a antiga Casa Veloso. Durante um ano ele ficou na estrada. Foram muitas idas e vindas para visitar os familiares e gerenciar a empresa que começava a dar os primeiros passos em Três Pontas. Até que Lígia também se mudou. A filha do casal que tinha apenas 13 anos viu que por aqui ela podia andar sozinha na rua, fazer aulas de piano e inglês. Em Uberlândia tudo isto necessitava de um carro.

Superar a mudança foi rápido, justamente por causa da hospitalidade e do carinho com que eles foram recebidos. “Aqui eu tive um sucesso na minha vida pessoal e a TDI cresceu contribuindo com a cidade”, revela Adalíndio. O reconhecimento do Município veio através de um Título de Cidadão Honorário Trespontano que recebeu da Câmara Municipal em 2009. “Hoje eu não me vejo longe daqui”, acrescenta o empresário. Ele gerência a TDI e montou o seu próprio negócio. A LBS presta serviço no campo e nesta época de safra chega a ter 25 funcionários. A TDI tem uma média de 50 colaboradores.

Pouca gente sabe, mas a vereadora Marlene Lima Oliveira nasceu na zona rural de Campos Gerais, no sítio Posses Ipiranga, mas foi registrada no Distrito do Pontalete. É de uma família de 11 irmãos e estudou na roça até os seus 14 anos de idade. Meio de transporte na época, conta Marlene era cavalo e carro de boi. Como precisava continuar os estudos, seus pais compraram uma casa em Três Pontas e a medida que os filhos iam chegando na adolescência tinham que morar na cidade para continuar os estudos, mas os pais continuavam na zona rural. Eles davam todo apoio, mas os filhos tinham que vender verduras e legumes que vinham da roça para terem seu próprio dinheiro.

Marlene estudou na Escola Municipal Cônego Vitor, depois na Escola Estadual Deputado Teodósio Bandeira. Seu primeiro emprego foi de babá e depois trabalhou na Padaria Bel Pão. A noite fazia faculdade em Varginha. Depois, fez pós-graduação em gerência de empresas e marketing. Participou do concurso do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e é servidora há 33 anos. Trabalhou por 24 anos no Instituto em Varginha, onde chegou a exercer o cargo de chefia e depois em 2000 foi convidada a ser gerente da agência de Três Pontas. Teve que abrir mão da função por exercer o mandato de vereadora e é a única mulher nesta Legislatura na Câmara Municipal. “Digo que tenho três cidades no coração. Três Pontas, Campos Gerais e Varginha. Tenho muitos amigos em Varginha, minha família é toda de Campos Gerais, mas nunca escondi minha paixão por Três Pontas. A cidade que me fez crescer e onde vivi os melhores momentos da minha vida e me profissionalizei”, comemora Marlene. Nos momentos de folga, Marlene não dispensa estar com a família no pequeno sítio que herdou do pai, próximo do Córrego do Ouro.

Luis Almeida e seus garotos do projeto social que ele realiza no bairro Morada Nova

Luis dos Santos Almeida 48 anos, o “Luis Almeida” há 12 anos é funcionário da Secretaria Municipal de Esporte e está há 7 anos a frente de um projeto social no no Estádio Nilson Vilela, bairro Morada Nova. Nos fins de semana, bate uma bolinha com os amigos no Clube dos 100. Ele nasceu em Marília (SP), mas viveu em Campinas (SP).

Se formou em técnico de esporte e dizem que o único profissional que está gabarito para lidar com a criançada no bairro no que se refere ao esporte, no Bom de Bola Bom na Escola. São 150 meninos que precisam não apenas gostar de futebol, mas, obrigatoriamente necessitam ir bem na escola e Luis Almeida faz questão de acompanhá-los de perto, a maioria deles estão nas Escolas Marieta Castro e CAIC.

E foi justamente o esporte que colocou Luis Almeida em Três Pontas. Ele jogava no time júnior do São Paulo (SP) e veio de empréstimo ao Trespontano Atlético Clube (TAC), no ano de 1987, para disputar o Campeonato Mineiro da 2ª Divisão. Apesar de já ter amigos aqui naquela época, não sabia nada de Três Pontas e a única referência que tinha do Sul de Minas era Poços de Caldas. “Eu não tive receio em vir, mas quando eu estava subindo a Rua Coronel João dos Reis, conhecida por Rua dos Bambus, eu pensei, o que eu vim fazer aqui”, recordou sorrindo o jogador.

Ele jogou de 1987 a 1990. Em seis meses arrumou namorada e em 1988 se casou com Francisca, com quem teve uma filha que tem 25 anos e está casado até hoje.

Acompanhado sempre da família, Luis Almeida rodou bastante pelo Brasil. Jogou na Caldense, na cidade de Maria da Fé, em Taubaté (SP), no Sport Clube Recife, no Atlético Clube Paranaense, União Bandeirantes e por último em 2005, no Ituiutaba, que hoje é o Boa Esporte de Varginha. Já teve proposta de ser treinador de futebol de um time juvenil em Taubaté, mas não aceitou por já ter criado raízes em Três Pontas e se sente privilegiado treinando a criançada. “Aqui na verdade é a minha cidade. Tenho familiares em Campinas e vou lá apenas para visitá-los. Eu mal conheço Marília. Tive lá uma vez só jogando futebol”, revela. Ele faz questão de registrar entre tantos amigos que conquistou ao longo desses anos, o reconhecimento de João Batista Rabelo, o João do TOC, atual secretário de Esportes.

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