O vértice das comemorações da Semana do Meio Ambiente será neste domingo (11), no bairro Santa Edwirges, em Três Pontas. O dia está movimentado com eventos que vão começar logo cedo, com um passeio ciclístico que vai partir da Praça Cônego Victor as 8:00 horas. Referência quando o assunto é bike, o pároco da Paróquia Cristo Redentor Padre Rogério Augusto da Silva é quem lidera o movimento que desta vez terá um percurso urbano. Os ciclistas serão convidados a parar, para plantar uma árvore na Praça das Lavadeiras no Santa Edwirges. O local está sendo preparado para receber arborização. O trajeto só termina em frente ao Estádio Municipal José Comunien, o Campo do Vila, onde a festa já estará pronta, com a participação de crianças, jovens, adultos, gente de todas as idades, para celebrar o meio ambiente e destacar que preservá-lo é celebrar e comemorar a vida.

No mesmo horário de saída do Passeio, os atletas estarão começando um Torneio de Futebol, que ganhou um nome que tem tudo a ver com a data – Eco Conscientização.

As 9:30 da manhã, a programação privilegia atrações musicais. Claudiney e seus convidados irão abrir esta atividade com violeiros, instrumentistas e cantores da boa musica sertaneja raiz. Eles permanecerão cantando até por volta das 13:00 horas, quando a jovem dupla Becati e Rafael tocam a novidades da música sertaneja universitária, entre outros estilos. No mesmo horário, as crianças poderão se divertir em uma Rua de Lazer. De acordo com o secretário de Meio Ambiente Francisco Botrel Azarias, estes pequenos devem utilizar recicláveis para brincar. A festa só vai terminar depois da Banda Cabruxos, as 18 horas.

A programação da Semana do Meio Ambiente é uma realização da Associação dos Moradores dos Bairros Santa Edwirges e Santa Margarida (AMSESAM), com patrocínio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Sem precisar fazer investimentos, a Secretaria de Meio Ambiente está dando todo apoio logístico para que tudo aconteça conforme o planejado. A presença de populares nos eventos durante a Semana superou as expectativas das projeções que foram feitas.

Na segunda-feira (05), com a participação de estudantes de escolas da cidade, foi dado o pontapé. Os alunos desfilaram até a Praça Cônego Victor, onde a peça de teatro “No Reino de Lambarão”, focou com irreverência a importância de se reciclar, atitude que se torna cada vez mais fundamental para a manutenção da saúde do planeta e das pessoas.

A Polícia Ambiental demonstrou a um público privilegiado a forma de atuação da Corporação, a realidade que se enfrenta na região e o retorno da Patrulha Noturna que coíbe diretamente a depredação e minimiza as práticas ilegais ao meio ambiente.

Dois mini cursos para universitários da área mostrou em campo a recuperação de nascentes despertando a necessidade de preservá-las e recuperá-las para não faltar água. O outro foi de derivados de café, onde os participantes puderam aprender a classificar a bebida e depois transformá-la em receitas saborosas.

O secretário Francisco Botrel ressaltou que o objetivo da Semana este ano é preciso criar uma cultura de sustentabilidade, onde as pessoas se conscientizem que não é só a floresta que está desaparecendo pouco a pouco. A poluição do ar e das águas cresce numa proporção sem limite. “Se cada um fizer sua parte, as próximas gerações terão água potável, ar puro, florestas e recursos naturais disponíveis”. Atitudes conscientes baseadas em ações sustentáveis também vão ajudar a diminuir o impacto no futuro ambiental do planeta. Reciclar é a palavra mestra. A grande maioria dos materiais é reciclável ou reutilizável. E a mudança de hábitos também pode ajudar.

E nesta questão de reciclar, a Atremar é referência para a região. Recolhe lixo seco, como papel, plástico, pet, material eletrônico e sucata em geral. Eles só não levam, resto de alimento, pano, isopor, madeiras, lixo de banheiro e varrição de casa.

Os catadores percorrem 65%, mas na visão de Francisco, a quantidade de materiais recolhidos ainda é pequena. Com isto, a quantidade de materiais que poderia ser reciclado que ainda chega no Aterro Sanitário ainda é muito grande, justamente por causa de medidas simples dos moradores que basta separar o lixo seco do molhado.

ATREMAR percorre 50 bairros, mas muitos moradores ainda não separam o reciclável do lixo

A Associação Trespontana de Catadores de Materiais Recicláveis (Atremar), está em funcionamento desde 2003, mas obteve o seu registro em 2007 e integra a Rede Sul. Atualmente conta com 17 associados. Durante 7 anos ficaram restritos a 20 bairros e em 2013 conseguiu aumentar a área de atuação para mais 30 e hoje recolhe materiais em 50 bairros. Isto corresponde a 65% do total. Falta chegar ainda a mais 33 novos bairros. Quem cuida do setor administrativo é Evelini Castro Rocha que também é uma associada, que se emociona ao recordar as dificuldades que eles já enfrentaram. A última delas foi em setembro de 2015, quando uma chuva de granizo derrubou quase tudo do barracão da Associação que fica no Distrito Industrial, na saída para Campos Gerais. Eles ficaram 11 meses fora de lá e em agosto de 2016 e depois de tudo reconstruído, retornaram normalmente.

De acordo com Evelini Castro, a participação dos moradores é boa, mas ainda há muitas casas que não doam e alerta que os catadores, além de estarem cuidando do meio ambiente tem no recolhimento a renda às suas famílias.

A coleta seletiva precisa crescer, porém é preciso de mais um caminhão para recolher os materiais e dar suporte. O recolhimento é feito nos bairros as terças, quartas e quintas-feiras. As segundas e sextas-feiras os catadores vão apenas em grandes geradores, como empresas, oficinas e instituições.

O material recolhido passa por triagem onde é separado e é enfardado. A venda mensal é sempre feita na última semana do mês. As empresas parceiras são de Varginha, Elói Mendes e Belo Horizonte. Como os valores são voláteis e cada empresa oferece um valor para cada tipo de material, é feito uma pesquisa e a transação é feita com quem paga mais.  “Isto depende muito do valor do frete e dos custos”, informou. A cotação é feita pela Rede Sul, que integra 23 municípios onde tem as associações de catadores. O valor arrecadado é satisfatório e garante uma renda media de um salário mínimo a cada associado. Uns podem ganhar mais outros menos, dependendo da produção de cada um. A Atremar se tornou modelo. Por isto é sempre visitada por municípios vizinhos, inclusive de porte maior, que vem conhecer como é feito o trabalho aqui. Na maioria deles, a Prefeitura prefere pagar uma empresa ao invés de apoiar seus catadores. “É mais barato para o Município ajudar os catadores do que arcar com uma empresa grande”, esclarece Evelini Castro.

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